Gigante das lojas de departamento entra em insolvência pela terceira vez depois que crise imobiliária atinge o varejo
Gigante de lojas de departamento entrou em insolvência pela terceira vez, dessa vez por causa da própria controladora. Entenda a ligação com a crise imobiliária

O que você vai ver
- Qual gigante de lojas de departamento entrou em insolvência pela terceira vez.
- Por que a crise de sua controladora imobiliária a atingiu tanto.
- O que aconteceu nas duas insolvências anteriores.
- Como os aluguéis caros pioraram a situação da rede.
Uma das maiores redes de lojas de departamento da Alemanha entrou em insolvência pela terceira vez em menos de quatro anos, dessa vez arrastada por uma crise que começou bem longe do próprio varejo: o colapso de sua controladora no setor imobiliário.
Qual gigante de lojas de departamento entrou em insolvência pela terceira vez?
A empresa é a Galeria Karstadt Kaufhof, resultado da fusão entre as tradicionais redes rivais Karstadt e Kaufhof, que em janeiro de 2024 entrou em processo de insolvência num tribunal da cidade alemã de Essen pela terceira vez em menos de quatro anos, mantendo na época 92 lojas e mais de 15 mil funcionários.
Ser a última grande rede de lojas de departamento ainda em operação na Alemanha não foi suficiente para blindar a empresa de uma crise que, dessa vez, teve origem fora do próprio negócio de varejo, na estrutura financeira do grupo imobiliário que controlava a companhia.
Galeria Karstadt Kaufhof hat erneut Insolvenz angemeldet.
— HansDampf (@schweizok2) November 1, 2022
Über 40 der verbliebenen 131 Kaufhäuser droht das Aus!
👇
Soll hier wieder der Steuerzahler eingreifen?
Was denkt ihr 🤷♂️ pic.twitter.com/yG7w2NHbHY
Por que a crise de sua controladora imobiliária a atingiu tanto?
A Galeria Karstadt Kaufhof fazia parte do império da Signa, conglomerado imobiliário e de varejo comandado pelo empresário austríaco René Benko, que anunciou seu próprio processo de insolvência no fim de novembro de 2023, poucas semanas antes de a rede de lojas de departamento seguir o mesmo caminho.
O próprio presidente executivo da Galeria declarou que a crise da Signa vinha “prejudicando massivamente” a rede de lojas, dificultando a continuidade dos negócios e limitando seriamente as possibilidades de desenvolvimento futuro da empresa, principalmente por causa dos aluguéis e serviços caros cobrados por empresas ligadas ao mesmo grupo.
O que aconteceu nas duas insolvências anteriores?
A primeira insolvência aconteceu em abril de 2020, logo no início dos lockdowns da pandemia, quando a rede fechou cerca de 40 lojas e cortou aproximadamente 4 mil postos de trabalho, além de receber um pacote de ajuda estatal de cerca de R$ 4,08 bilhões para atravessar a crise sanitária.
A segunda insolvência veio em outubro de 2022, dessa vez motivada pela combinação entre o aumento acelerado dos preços de energia na Europa, a inflação alta e a queda no consumo das famílias alemãs, fatores que voltaram a pressionar as margens já apertadas da rede de lojas físicas.
Como os aluguéis caros pioraram a situação da rede?
Boa parte dos imóveis onde funcionavam as lojas da Galeria Karstadt Kaufhof pertencia a empresas ligadas à própria Signa, arranjo que, em teoria, deveria facilitar a relação entre varejista e controladora imobiliária, mas que na prática significou pagar aluguéis considerados elevados demais diante do momento de vendas fracas enfrentado pela rede.
Com o colapso financeiro da Signa, esses contratos de aluguel se tornaram ainda mais problemáticos: a rede de lojas ficou presa a compromissos financeiros com uma controladora que já não tinha mais capacidade de negociar termos mais favoráveis ou investir na recuperação do próprio negócio de varejo.

Por que ser “a última rede de departamento do país” não protegeu a empresa?
Diferente de outros mercados, onde ainda restam várias redes de lojas de departamento concorrendo entre si, a Galeria Karstadt Kaufhof havia se tornado praticamente a única grande representante desse formato de loja ainda em operação na Alemanha, posição que poderia sugerir uma vantagem competitiva relevante.
Na prática, não ter mais concorrentes diretos no mesmo formato não resolveu o problema estrutural da empresa: sem outra rede de departamento para comparar preços de aluguel ou dividir os custos de ocupar grandes áreas em centros urbanos, a companhia seguiu exposta às mesmas pressões financeiras vindas de dentro do próprio grupo controlador.
- Fusão entre as antigas rivais Karstadt e Kaufhof.
- Abril de 2020: 1ª insolvência, ~40 lojas fechadas, ~4 mil empregos cortados.
- Outubro de 2022: 2ª insolvência, energia e inflação em alta.
- Janeiro de 2024: 3ª insolvência, ligada ao colapso da controladora Signa.
O mesmo tipo de crise causada por uma controladora imobiliária superendividada também atingiu grandes donas de shopping centers nos Estados Unidos e no Reino Unido, como mostra o caso da Intu Properties, que arrastou o futuro de 17 shoppings britânicos para o colapso.
Mais detalhes sobre a terceira insolvência da Galeria Karstadt Kaufhof estão disponíveis na Bloomberg.
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