Ex-assessor de Trump admite culpa em caso de sigilo nos EUA
John Bolton, agora crítico do governo americano, aceita acordo judicial e pode ser condenado a até cinco anos de prisão
John Bolton, que ocupou o cargo de conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos no primeiro governo de Donald Trump, admitiu nesta sexta-feira, 26, ter retido indevidamente documentos confidenciais do governo americano.
A confissão integra um acordo com a promotoria e pode resultar em pena de prisão e multa milionária ao ex-funcionário, que se tornou um dos principais opositores do republicano após deixar o cargo.
O acerto judicial evitou que Bolton respondesse às 18 acusações originais. Diante do juiz Theodore Chuang, ele reconheceu a culpa ao ser questionado e declarou: “Sou [culpado], meritíssimo, e lamento por isso”.
Origem das acusações
O processo contra o ex-conselheiro remonta a 2020, ano em que ele já se posicionava de forma crítica ao então presidente. Segundo a apuração da promotoria, Bolton transmitiu, por aplicativos de mensagens e e-mail particular, ao menos mil páginas com anotações e detalhes de sua rotina na Casa Branca a familiares sem autorização para acessar material sigiloso.
A acusação sustenta que o material serviria de base para a obra A Sala Onde Tudo Aconteceu, publicada em junho de 2020 sobre os 17 meses em que atuou no governo Trump. Embora o conteúdo reservado não tenha aparecido na edição final do livro, isso não impediu a abertura do processo judicial.
Outro ponto levantado pelos promotores envolve a invasão da conta de e-mail de Bolton, atribuída a um agente supostamente vinculado ao Irã. Ao relatar o episódio às autoridades, o ex-conselheiro não teria informado que a conta armazenava dados de defesa nacional, incluindo material sigiloso, registrados durante sua passagem pelo Conselho de Segurança Nacional.
Reações ao acordo
A procuradora dos Estados Unidos em Maryland, Kelly Hayes, declarou a jornalistas, após a audiência, que “ninguém está acima da lei”. Ela acrescentou esperar que o desfecho do caso sirva de advertência a quem descumprir as normas de proteção a informações sigilosas do país.
Já a defesa de Bolton, em nota, afirmou que ele agiu como “líderes de verdade” agem, ao assumir responsabilidade pelo episódio e evitar um julgamento longo, que demandaria recursos públicos e poderia expor outros conteúdos protegidos. O comunicado também faz críticas a Trump, citando os próprios processos enfrentados pelo presidente, relacionados a documentos oficiais da Casa Branca.
Bolton, hoje com 77 anos, teve participação destacada na chamada Guerra ao Terror, iniciada pelo governo de George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001. Ele defendeu publicamente as intervenções militares no Iraque e no Afeganistão e atuou como embaixador americano na ONU entre 2005 e 2006, cargo do qual saiu após embates políticos.
Em 2018, já como conselheiro de Trump, foi um dos responsáveis por convencer o presidente a romper o acordo nuclear com o Irã. Demitido em 2019, retornou recentemente à televisão como comentarista, defendendo inicialmente o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, posição que depois moderou ao criticar a falta de clareza nos objetivos da ofensiva americana.
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