Perfis no Instagram driblam filtros e exibem conteúdo pornográfico
Material chega a usuários sem que perfis sejam seguidos; links associados contêm vírus, segundo apuração
Perfis do Instagram vêm publicando vídeos com cenas de sexo explícito que permanecem online há cerca de três meses, somando milhões de visualizações, segundo apuração da Folha de S.Paulo.
O conteúdo aparece na aba de vídeos curtos Reels e chega a usuários que não seguem essas contas, impulsionado pelo algoritmo de recomendações da plataforma.
Parte das publicações inclui links para sites que, de acordo com especialistas consultados, contêm programas maliciosos capazes de invadir dispositivos e furtar dados pessoais. Em determinados casos, o material está disponível também para menores de 18 anos.
Caminho até o conteúdo
O acesso ao material pornográfico parte do feed principal do Instagram, onde aparecem vídeos de mulheres com roupas justas e decotadas. Ao interagir com essas publicações, o usuário é direcionado ao Reels e, na rolagem da tela, passa a encontrar trechos com sexo explícito e exibição de órgãos genitais em contexto sexual.
Segundo a Folha, as publicações infringem as próprias regras do Instagram contra nudez e atividade sexual adulta, além de contrariar a legislação batizada de ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), que obriga plataformas digitais a impedir que crianças e adolescentes tenham acesso a conteúdo pornográfico.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) informou que a infração pode ser caracterizada caso fique demonstrado que medidas razoáveis de bloqueio não foram adotadas pela empresa. Segundo a autarquia, comprovada a falha no cumprimento desse dever, a conduta seria passível de punição.
Resposta da Meta
Procurada pela reportagem, a Meta declarou que removeu de forma proativa 96% das publicações que violavam suas políticas contra exploração sexual infantil e 92% dos conteúdos com nudez entre outubro e dezembro de 2025, período coberto pelo relatório mais recente da empresa. Segundo a companhia, essas remoções ocorreram antes mesmo de denúncias de usuários.
“A Meta não possui qualquer interesse na manutenção de conteúdo que viole as suas políticas, como é o caso de conteúdo sexualmente explícito ou envolvendo nudez”, afirmou a empresa em nota.
Sobre a proteção de adolescentes, a empresa disse que, desde março de 2026, restringe automaticamente o acesso de usuários entre 13 e 17 anos a conteúdo sensível.
A companhia citou ainda um levantamento de terceiros nos Estados Unidos segundo o qual contas de adolescentes do Instagram, na configuração padrão, visualizaram “68% menos ‘conteúdo para usuários mais maduros’” do que em concorrente analisado pela pesquisa.
As publicações apontadas pela reportagem foram enviadas à equipe de moderação da Meta e retiradas do ar na sequência, segundo a assessoria da empresa.
Para o professor de ciência da computação da UFRGS Anderson Tavares, a disputa entre detecção e burla de filtros é constante, já que os sistemas de identificação evoluem e os responsáveis pelo conteúdo irregular buscam novas formas de driblá-los.
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