EUA mandam diplomatas deixarem a Arábia Saudita
Ordem do Departamento de Estado vem após ataques dos houthis a aeroportos sauditas; jornal diz que Trump vetou plano israelense contra o Irã
O governo dos Estados Unidos determinou nesta quarta-feira, 21, que funcionários não essenciais e familiares de diplomatas americanos deixem a Arábia Saudita. A decisão responde à intensificação das ações dos houthis, grupo rebelde do Iêmen que tem o Irã como aliado, e foi confirmada pelo Departamento de Estado.
Mais cedo, a agência Reuters havia noticiado que Washington se preparava para retirar pessoal de todas as embaixadas na região do Golfo. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou depois que a informação estava errada: a ordem vale apenas para a Arábia Saudita.
Em comunicado, Pigott disse que os houthis ampliaram as hostilidades contra o país, com ataques a aeroportos civis e a outras estruturas de infraestrutura. Segundo ele, as ofensivas mataram civis e interromperam o transporte.
A Embaixada dos EUA em Riad divulgou, também nesta quarta, um alerta de segurança sobre a possibilidade de novos ataques do grupo. O texto menciona ofensivas recentes, entre elas a que atingiu o aeroporto da capital saudita.
O governo americano costuma retirar funcionários de áreas em que as tensões aumentam. Em janeiro deste ano, adotou providência semelhante, pouco mais de um mês antes do início da guerra contra o Irã, em fevereiro. Movimentações em bases militares e embaixadas, além de alertas de viagem, também precederam o ataque de Israel ao território iraniano em junho de 2024.
Plano israelense barrado
O comunicado coincidiu com uma reportagem do jornal britânico Financial Times, segundo a qual o presidente Donald Trump impediu Israel de lançar novos ataques ao Irã neste mês. O jornal ouviu fontes que dizem que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pressiona pela retomada de operações em larga escala.
De acordo com o FT, os israelenses prepararam um plano para atingir a infraestrutura energética iraniana, incluindo instalações nucleares. A ação teria intensidade superior à dos bombardeios de fevereiro, quando o conflito começou. Autoridades ouvidas pelo jornal afirmam que o objetivo era levar Teerã a fechar um acordo rapidamente.
A ofensiva estava marcada para 10 de outubro, mas não teve respaldo dos Estados Unidos. Segundo o relato, Trump não quer a retomada dos combates antes das eleições legislativas americanas de 3 de novembro. A guerra tem baixa aprovação entre os eleitores e contribuiu para a alta do custo de vida no país.
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, viajou a Israel na segunda-feira, 19, e se reuniu com Netanyahu. O Pentágono não havia anunciado a visita. Os israelenses também vão às urnas, para eleger o Parlamento, em 27 de outubro.
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