Espécie que cientistas encontravam em apenas um refúgio reaparece em outro rio e nova população renova esperança de sobrevivência
Segundo grupo selvagem encontrado na Bolívia reúne adultos, jovens e girinos e amplia as chances de recuperação da espécie.
Uma nova população de uma das rãs mais ameaçadas da Bolívia foi confirmada em 2026 dentro do Parque Nacional Carrasco. Pesquisadores encontraram pelo menos 10 adultos, quatro jovens e diversos girinos da rã-d’água-de-Sehuencas em um rio diferente daquele onde a espécie já era conhecida.
Qual espécie reapareceu em um segundo rio da Bolívia?
A espécie é a rã-d’água-de-Sehuencas (Telmatobius yuracare), um anfíbio endêmico da Bolívia e classificado como criticamente ameaçado. Durante anos, os poucos exemplares conhecidos concentravam grande parte da esperança de impedir seu desaparecimento.
Em fevereiro de 2026, a Re:wild anunciou a segunda população selvagem conhecida. O grupo vive em outro curso d’água do Parque Nacional Carrasco, separado do local onde cinco indivíduos haviam sido encontrados em uma expedição de 2018.

Como os pesquisadores encontraram essa nova população?
A pista veio de um botânico que reconheceu a rã durante trabalho de campo e alertou especialistas. A equipe liderada pela herpetóloga Teresa Camacho Badani passou a visitar regularmente o novo riacho a partir de janeiro de 2024.
Os pesquisadores também perceberam que as rãs parecem ser mais ativas durante a noite. Elas foram ouvidas vocalizando com maior frequência nesse período, enquanto adultos se movimentavam mais e girinos também eram mais fáceis de detectar.
Quantos animais foram encontrados no segundo refúgio?
O levantamento confirmou pelo menos 10 adultos, incluindo machos e fêmeas, além de quatro jovens e vários girinos. A presença de diferentes fases da vida indica que a população não depende apenas de adultos remanescentes.
Os girinos e juvenis sugerem reprodução bem-sucedida no próprio ambiente. Para uma espécie conhecida anteriormente em apenas outro riacho, encontrar um núcleo com várias idades amplia as possibilidades de conservação e estudo.
Os principais sinais encontrados no novo local são:
Por que a nova população muda as perspectivas para a espécie?
A nova população reduz a dependência conhecida de um único núcleo selvagem e oferece aos cientistas outro grupo para estudar e proteger. Isso não elimina o risco de extinção, mas amplia o habitat onde a espécie comprovadamente consegue sobreviver e se reproduzir.
Os diferentes estágios de desenvolvimento são mais promissores do que um encontro isolado com poucos adultos. O grupo permite investigar reprodução, alimentação, saúde e genética, além de comparar as condições dos dois rios ocupados pela espécie.
Os dados ajudam a mostrar por que o achado tem peso:
Quais ameaças ainda colocam a rã-d’água-de-Sehuencas em risco?
A espécie continua criticamente ameaçada por várias pressões. Expansão agrícola, mudanças climáticas, poluição e doenças podem degradar os riachos, enquanto espécies invasoras alteram diretamente ambientes onde essas rãs vivem.
Um exemplo são as trutas introduzidas, que podem comer os ovos das rãs. A força-tarefa da IUCN para o gênero Telmatobius reúne especialistas para enfrentar ameaças semelhantes que atingem dezenas de rãs-d’água andinas.
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O que os cientistas precisam descobrir a partir de agora?
Os pesquisadores ainda querem entender a dieta, o período reprodutivo e a condição sanitária do novo grupo. Uma das perguntas é se esses animais tiveram contato com a quitridiomicose, doença fúngica associada ao declínio de anfíbios.
A prioridade também é proteger os dois riachos e continuar procurando outros núcleos. A segunda população não significa que a rã esteja segura, mas muda um cenário antes limitado a um único refúgio e mostra que outras áreas podem sustentar a espécie.
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