Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de fundo nos EUA
"Todos os investimentos foram feitos nos EUA porque a produção foi americana, com atores americanos", explicou o ex-deputado
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (foto) se manifestou na noite de quinta-feira, 14, sobre a suspeita da Polícia Federal de que Daniel Vorcaro pode ter ajudado a sustentá-lo nos Estados Unidos ao longo do último ano.
“A história [de] que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria. No meu processo migratório expliquei as autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, rebateu o filho 03 de Jair Bolsonaro em seu perfil no X.
O ex-deputado, que perdeu o mandato por faltas por estar morando nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado e alega estar em autoexílio, também afastou as suspeitas sobre o administrador do fundo para patrocinar o filme Dark Horse, que é seu advogado.
“Falam do advogado que cuidou de todos os detalhes como se ele fosse um mero escritório de migração, não é. O advogado tem mais de 40 anos de experiência, mestrado e doutorado. Seu escritório atua em gestão de patrimônio e fundo de investimento há mais de uma década. A parte de migração é apenas um departamento deles, devido a necessidade de clientes de alto nível migrar o capital e residência para o local de seus investimentos”, explicou Eduardo.
“Nós não somos donos do filme, mas sim os mais de uma dezena de investidores. O escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos. Apresentei ele ao Mário [Frias], que estava procurando investidores para o filme, por saber da sua competência. Gostariam que apresentassem advogados petistas e que não conheço?”, questionou o ex-deputado.
“Não é um produto inexistente”
O filho de Bolsonaro disse que “o filme não é um produto inexistente ou um serviço fake de advocacia, é um produto real com grandes estrelas”, comparando o investimento em Dark Horse ao contrato de 129 milhões de reais do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.
“Todos os investimentos foram feitos nos EUA porque a produção foi americana, com atores americanos. Além do mais, devido ao estado de exceção, ninguém se arriscaria investir num filme do Bolsonaro no Brasil, pois seria devidamente perseguido pelo regime e atrelado como financiador de golpe, como faziam. Investimento nos EUA garantem segurança jurídica em uma jurisdição séria”, defendeu Eduardo, que será julgado por coação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua atuação nos Estados Unidos, onde alegou atuar por sanções do governo Donald Trump.
A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu sua condenação por coação no curso do processo no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022z.
“Que tipo de vantagem nossa familia poderia dar na época além de perseguição da tirania? Meu pai preso, eu exilado e meu irmão sequer sonhava em ser candidato?”, questionou o ex-deputado, finalizando:
“Vocês tentam sugerir que havia interesse outro, qual interesse poderia existir em uma época em que todos nos consideravam liqüidados? Tudo não passa de uma tentativa tosca de assassinato de reputação, que tenta atrelar ilicitude em patrocínio para um filme.”
A família Bolsonaro tenta convencer a todos de que Vorcaro, que está preso por ter distribuído dinheiro em Brasília para conseguir vantagens indevidas, patrocinou o filme sobre Jair Bolsonaro apenas em nome da arte e como um investimento financeiro, e não político.
Não é uma missão fácil.
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