Depois de 30 anos vendendo jeans, rede com mais de 200 lojas entra em falência e começa a fechar unidades, porque dívida elevada, aluguel e semanas de lojas fechadas drenaram liquidez até fornecedores passarem a exigir pagamentos mais rápidos
Um grupo liderado por uma operadora de varejo ofereceu cerca de R$ 742 milhões em dinheiro pela rede

O que você vai ver
- Qual rede de jeans entrou em falência depois de 30 anos vendendo nos Estados Unidos.
- Por que fornecedores passaram a exigir pagamentos mais rápidos da empresa.
- Quanto de dívida financiada a empresa já carregava no momento do pedido.
- Quantas lojas a empresa fechou de imediato ao entrar com o pedido de falência.
- Quem apresentou proposta de compra pela empresa ainda durante a falência.
Depois de 30 anos vendendo jeans nos Estados Unidos, uma rede com mais de 200 lojas entrou em falência e começou a fechar unidades, desfecho que ocorreu porque dívida elevada, custos de aluguel e semanas inteiras de lojas fechadas drenaram a liquidez da empresa até o ponto em que fornecedores passaram a exigir pagamentos muito mais rápidos do que o habitual.
Qual rede de jeans entrou em falência depois de 30 anos vendendo nos Estados Unidos?
A empresa em questão é a Lucky Brand, rede de jeans sediada em Los Angeles, que pediu proteção via Chapter 11 em 3 de julho de 2020, na Justiça Federal de Delaware, operando mais de 200 lojas distribuídas majoritariamente dentro de shoppings americanos.
Diferente de outras falências do mesmo período que já chegavam à recuperação judicial depois de anos de declínio contínuo, a Lucky Brand entrava em crise relativamente rápida, impulsionada pela combinação entre uma estrutura de dívida já pesada e o choque abrupto causado pelo fechamento forçado de lojas durante a pandemia.
🇦🇷🇺🇸| 🔥🔥🔥 Llega a Argentina Lucky Brand, dueños de Reebok y Forever 21 con precios iguales a los de EEUU, planea abrir 30 locales, va a generar 150 puestos de trabajo. https://t.co/uP2UTTBkwu
— VIKING 🪓 (@WalhallaMann) May 28, 2026
Por que fornecedores passaram a exigir pagamentos mais rápidos da empresa?
Semanas seguidas de lojas fechadas, sem receita suficiente entrando no caixa, levaram fornecedores da Lucky Brand a perceberem um risco maior de calote e, por isso, passaram a exigir prazos de pagamento mais curtos ou até pagamento antecipado antes de despachar novas mercadorias, mudança que reduziu ainda mais a liquidez disponível da empresa num momento já crítico.
Esse tipo de reação de fornecedores, apertando condições de pagamento justamente quando uma empresa mais precisa de fôlego financeiro, tende a criar um ciclo que se retroalimenta: menos liquidez disponível aumenta o risco percebido pelos fornecedores, que por sua vez exigem pagamentos ainda mais rápidos, pressão que pode acelerar consideravelmente o caminho de uma empresa em dificuldade rumo à falência formal.
Quanto de dívida financiada a empresa já carregava no momento do pedido?
A Lucky Brand entrou no processo de Chapter 11 carregando aproximadamente 182 milhões de dólares em dívida financiada, equivalentes a cerca de R$ 965 milhões, montante que já pressionava significativamente o caixa da empresa antes mesmo de qualquer impacto relacionado ao fechamento temporário de lojas durante a pandemia.
Essa dívida pré-existente é o que diferencia o caso da Lucky Brand de uma simples crise de liquidez pontual: mesmo que a pandemia não tivesse ocorrido, o volume de dívida financiada já deixava a empresa vulnerável a qualquer choque adicional de receita, tornando o fechamento forçado de lojas o gatilho que precipitou, mas não criou sozinho, a necessidade do pedido de falência.
Quantas lojas a empresa fechou de imediato ao entrar com o pedido de falência?
Ao protocolar o pedido de Chapter 11, a Lucky Brand anunciou o fechamento imediato de 13 lojas, parcela inicial relativamente pequena diante do total de mais de 200 unidades então em operação, com a possibilidade explícita de fechar mais lojas ao longo do próprio processo de recuperação judicial, conforme a reestruturação avançasse.
Esse fechamento inicial contido, em vez de uma redução drástica logo de início, é uma estratégia comum em falências que ainda buscam viabilizar algum tipo de venda da operação como negócio em funcionamento, preservando o máximo possível da rede física até que um comprador interessado apresente uma proposta concreta pela empresa.

Quem apresentou proposta de compra pela empresa ainda durante a falência?
Um grupo de compradores liderado pela operadora de varejo de vestuário SPARC Group apresentou uma proposta pela Lucky Brand ainda durante o processo de falência, oferta estruturada em 140,1 milhões de dólares em dinheiro, equivalentes a cerca de R$ 742 milhões, somados a 51,5 milhões de dólares em crédito, por volta de R$ 273 milhões.
Esse tipo de proposta apresentada ainda dentro do processo de Chapter 11 é o que permite a uma marca como a Lucky Brand continuar existindo comercialmente sob novo controle, com parte da estrutura de lojas preservada, em vez de seguir diretamente para uma liquidação total que encerraria por completo a presença física da rede nos Estados Unidos.
Outras redes de varejo que também entraram em falência logo nos primeiros meses da pandemia, pressionadas pela combinação entre dívida pré-existente e fechamento forçado de lojas, aparecem no relato sobre a rede de moda jovem que liquidou todas as 54 lojas numa segunda falência em poucos anos.
Mais detalhes sobre a falência da Lucky Brand estão disponíveis na reportagem da Business Insider.
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