Clarita Maia na Crusoé: Argentina destitui juiz por antissemitismo
Judiciário afasta Alfredo Eugenio López, que reproduziu quatro registros de narrativas contra judeus
Pela primeira vez na história do Poder Judicial argentino, um juiz federal foi destituído do cargo por manifestações antissemitas.
Em 14 de agosto de 2026, o Júri de Julgamento de Magistrados da Nação decidiu, por unanimidade, remover o doutor Alfredo Eugenio López, titular do Juizado Federal Nº 4 de Mar del Plata, por mau desempenho no exercício da função.
O caso não julgou opiniões políticas sobre Israel ou o Oriente Médio, mas sim uma sucessão reiterada de mensagens publicadas em rede social, nas quais o magistrado se referia aos judeus como “raça de víboras“, empregava o termo nazista “juden“, reproduzia a acusação medieval de deicídio (morte de Jesus Cristo) e questionava publicamente a lealdade nacional dos cidadãos judeus argentinos.
A decisão é, em si, um marco que ultrapassa as fronteiras do direito processual. É o reconhecimento institucional de que a magistratura não é um espaço imune ao escrutínio ético quando o próprio magistrado, valendo-se da autoridade do cargo, alimenta publicamente o ódio contra uma minoria.
Como destacou o testemunho técnico incorporado ao processo, as expressões atribuídas ao ex-juiz reproduziam ao menos quatro registros históricos sobrepostos do antissemitismo: a acusação religiosa de deicídio, a desumanização por comparação animal, a terminologia nazista e o mito da dupla lealdade, este último com raiz direta nas Leis de Nuremberg…
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