Cientistas encontram 6 mil polvos reunidos a 3.200 metros de profundidade em uma área de apenas 2,5 hectares
Milhares de animais ocupam uma pequena área abissal, onde uma condição invisível muda o ritmo da reprodução e a sobrevivência dos filhotes.
Em uma encosta submarina, o Jardim dos Polvos concentra 5.718 animais documentados em apenas 2,5 hectares, a 3.200 metros de profundidade. O agrupamento funciona como berçário, onde o calor liberado pelo fundo altera drasticamente o tempo de incubação.
O que é o Jardim dos Polvos encontrado no fundo do oceano?
O Jardim dos Polvos é uma área de reprodução de Muusoctopus robustus, espécie apelidada de polvo-pérola. Ele fica próximo à base do Monte Submarino Davidson, um vulcão extinto situado a cerca de 130 quilômetros da costa central da Califórnia.
O local foi identificado em 2018 por pesquisadores ligados à NOAA e ao Ocean Exploration Trust. Ao contrário do comportamento geralmente solitário associado aos polvos, milhares de indivíduos ocupam fendas próximas durante uma etapa específica do ciclo de vida.

Por que milhares de polvos se reúnem no mesmo ponto?
Os animais migram para o local exclusivamente para acasalar, depositar ovos e protegê-los até a eclosão. As observações registraram machos, fêmeas adultas, embriões e filhotes, mas não encontraram indivíduos de tamanho intermediário nem sinais de alimentação.
As fêmeas escolhem fendas banhadas por água aquecida e produzem ninhadas de aproximadamente 60 ovos alongados. Durante a incubação, permanecem sobre eles, afastam predadores e consomem as próprias reservas corporais, comportamento que termina com a morte após a reprodução.
Quais números mostram a dimensão dessa concentração submarina?
O levantamento de alta resolução contabilizou exatamente 5.718 polvos em 2,5 hectares na parte central do berçário. O número foi arredondado para 6 mil, enquanto a estimativa para toda a elevação submarina de 333 hectares supera 20 mil indivíduos.
A pesquisa reuniu três anos de monitoramento e 14 mergulhos do veículo operado remotamente Doc Ricketts. Fotografias sobrepostas permitiram localizar ninhos individualmente, evitando estimativas baseadas apenas em trechos de vídeo ou observações rápidas do fundo.
As medidas centrais revelam a escala do ambiente estudado.
Como as fontes hidrotermais aceleram o desenvolvimento dos ovos?
A água ao redor permanece próxima de 1,6 °C, mas as fendas escolhidas para os ninhos chegam a quase 11 °C. Esse aumento eleva o metabolismo das fêmeas e dos embriões, reduzindo a incubação observada para aproximadamente 1,8 ano.
Nas águas abissais geladas, os pesquisadores esperavam um desenvolvimento de cinco a oito anos, possivelmente mais. O período menor reduz o tempo durante o qual mães e ovos ficam expostos a infecções, falta de energia, caracóis, camarões e outros predadores.
A comparação térmica explica a função de incubadora natural.
Quais tecnologias permitiram estudar o berçário sem perturbá-lo?
O ambiente foi acompanhado por robôs, sensores de temperatura e oxigênio, câmeras estereoscópicas e levantamentos fotográficos em baixa altitude. Uma câmera de longa duração registrou uma imagem a cada 20 minutos durante mais de seis meses, somando 12.200 fotografias.
O conjunto permitiu observar eclosões, mortes, predadores e mudanças na comunidade entre as expedições. O Monterey Bay Aquarium Research Institute também produziu modelos do relevo em escala centimétrica para mapear as fendas ocupadas.
O trabalho combinou quatro recursos principais:
- Veículo remoto para filmagem e instalação de instrumentos.
- Sensores para medir temperatura e oxigênio nos ninhos.
- Fotomosaicos para contar indivíduos em grande área.
- Câmera temporal para acompanhar meses de atividade.
Leia também: Motorista apresentou CNH digital na blitz e acabou precisando da física antes de ser liberado
Por que o Jardim dos Polvos é importante para a ciência oceânica?
A descoberta demonstra que fontes discretas nas laterais de antigos vulcões podem formar pontos de reprodução decisivos no oceano profundo. Diferentemente das chaminés hidrotermais visíveis, essas saídas mornas se dissipam poucos metros acima do fundo e são difíceis de localizar.
Berçários semelhantes encontrados perto de fontes hidrotermais em outras regiões indicam que o fenômeno pode ser mais frequente do que se imaginava. Proteger essas áreas preserva não apenas os polvos, mas também necrófagos e predadores sustentados por ovos, filhotes e carcaças.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)