Rodolfo Borges na Crusoé: Uma conspiração para Messi
A Seleção argentina se impôs mais uma vez, e de uma forma tão caótica que só pode ser explicada por meio de uma teoria conspiratória
Especulou-se ao longo desta Copa do Mundo, por causa de uma série de decisões de arbitragem, que a Argentina de Lionel Messi estava sendo beneficiada por uma conspiração da arbitragem.
O próprio Messi poderia ter sido expulso contra a Argélia, ainda na fase de grupos. Sua seleção só passou pela Suíça, nas quartas de final, porque um adversário foi expulso após simular uma falta, e os egípcios reclamam até hoje de um gol anulado por intervenção implicante do VAR, nas oitavas.
Os ingleses se prepararam para a partida da semifinal, levantando dúvidas sobre o árbitro selecionado para apitar o jogo.
Ismail Elfath seria o favorito de Messi, pois era o quarto árbitro da final de 2022, quando a Argentina se tornou campeã mundial pela terceira vez, e as quatro partidas que arbitrou do argentino nos EUA foram vencidas pelo Inter Miami, time do sucessor de Maradona.
Os ingleses reclamaram da arbitragem após o jogo, mas o fato é que a Argentina se impôs mais uma vez, como fez ao longo de toda esta Copa, e de uma forma tão caótica que só pode ser entendida ou explicada por meio de uma teoria conspiratória.
Os deuses foram abandonados
“A crença nos deuses homéricos, cujas conspirações explicam a história da Guerra de Troia, desapareceu. Os deuses foram abandonados. Mas seu lugar foi ocupado por homens ou grupos poderosos — grupos de pressão sinistros cuja maldade é responsável por todos os males que sofremos —, como os Sábios de Sião, os monopolistas, os capitalistas ou os imperialistas”, diz Karl Popper em The Open Society and Its Enemies.
O filósofo pondera que não duvida de que as conspirações ocorram, mas destaca que “as pessoas que acreditam sinceramente saber como criar o paraíso na Terra são as mais propensas a adotar a teoria conspiratória e a se envolver em uma contraconspiração contra conspiradores inexistentes”.
“Pois a única explicação para o fracasso em produzir esse paraíso é a intenção maligna do Diabo, que tem um interesse direto na manutenção do inferno”, segue Popper, chamando a atenção para o fato de que “poucas dessas conspirações são, no final das contas, bem-sucedidas”.
“Os conspiradores raramente concretizam sua conspiração”, constata o filósofo austríaco-britânico, “porque…
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