China testa míssil e inicia exercícios militares com a Rússia
Lançamento de submarino nuclear chinês no Pacífico coincide com início de manobras navais conjuntas em Qingdao
Um submarino nuclear da Marinha chinesa disparou um míssil estratégico no Oceano Pacífico nesta segunda-feira, 6, no mesmo dia em que Pequim deu início, no porto de Qingdao, a exercícios navais conjuntos com a Rússia.
De acordo com a DW Brasil, a ação, batizada de Mar Conjunto 2026, gerou reações de governos vizinhos, entre eles o da Austrália, cuja chanceler classificou o episódio como parte de um avanço militar chinês sem transparência suficiente.
Lançamento em águas internacionais
O disparo partiu de um submarino da Marinha do Exército de Libertação Popular e teve como destino águas internacionais no Pacífico, de acordo com a agência estatal Xinhua. A ogiva carregada era de simulação, usada para fins de treinamento, e não uma carga real.
Autoridades chinesas classificaram o teste como parte do cronograma anual de instrução militar do país, sem relação com qualquer nação ou alvo específico. Um porta-voz do Ministério do Exterior chinês afirmou que a operação transcorreu “com segurança, de maneira padronizada e profissional do início ao fim”.
A imprensa estatal chinesa, citando um especialista militar, apontou o JL-3 como provável modelo utilizado — o míssil lançado por submarino considerado mais moderno do arsenal chinês, apresentado publicamente pela primeira vez no ano anterior.
Análises do Pentágono indicam que esse tipo de equipamento tem alcance suficiente para atingir o território continental americano a partir de águas próximas à costa da China.
Manobras navais em Qingdao
Paralelamente ao teste, as Marinhas chinesa e russa deram início às manobras Mar Conjunto 2026 no litoral leste da China. Segundo comunicado do Ministério da Defesa de Pequim, as duas forças montaram um comando único e realizaram treinamentos de coordenação tática, além de atividades voltadas a reconhecimento, defesa antiaérea, defesa antimísseis e tiro real.
Ao fim da etapa de exercícios, as frotas dos dois países devem seguir para uma patrulha conjunta em áreas ainda não especificadas do Pacífico. A prática de manobras compartilhadas entre Rússia e China ocorre desde 2012, e no ano anterior o mesmo formato incluiu atividades próximas ao porto russo de Vladivostok.
Reação de países vizinhos
Governos da região, entre eles Austrália, Nova Zelândia e Japão, foram avisados com pouca antecedência sobre o teste de míssil. A ministra australiana das Relações Exteriores, Penny Wong, disse que o episódio reflete um fortalecimento militar acelerado por parte da China, sem o nível de transparência esperado pelos países vizinhos.
O momento também coincidiu com a assinatura de um acordo de defesa mútua entre Austrália e Fiji, além de ocorrer cerca de dois meses após visita do ditador russo Vladimir Putin à China, quando os líderes dos dois países descreveram a relação bilateral em termos elogiosos quanto ao nível de cooperação estratégica atual.
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