Hamas dissolve governo e cede Gaza a comitê da ONU
Grupo armado transfere administração do território a órgão técnico, mas desarmamento segue incerto
O Hamas encerrou nesta segunda-feira, 6, quase duas décadas de controle administrativo sobre a Faixa de Gaza. A decisão prevê a entrega da gestão do território a um comitê técnico apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), embora membros do grupo terrorista devam permanecer em suas funções e a questão do desarmamento continue sem definição.
Estrutura técnica assume rotina administrativa
O órgão que assumirá a condução dos assuntos civis é o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, com sede no Cairo e presidido por Ali Shaath, engenheiro nascido no território e ex-integrante da Autoridade Palestina.
O comitê tem a missão de restabelecer serviços básicos e coordenar a rotina civil sob supervisão da ONU e do Conselho de Paz, instância chefiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsável pelo processo de reconstrução do enclave.
De acordo com o DW Brasil, Ismail al-Thawabta, à frente do escritório de mídia do governo hoje dirigido pelo Hamas, declarou que somente quadros técnicos e profissionais seguirão em suas posições para tocar o dia a dia do território.
Segundo ele, todos os servidores responsáveis pela prestação de serviços são “funcionários do Estado” e “estão totalmente preparados para trabalhar sob o Comitê Nacional para a Administração de Gaza”.
Já o porta-voz do grupo, Hazem Qassem, definiu a iniciativa como “um passo positivo adiante no caminho para implementar o acordo de cessar-fogo”.
Israel e Conselho de Paz veem gesto com desconfiança
A permanência de integrantes do Hamas nos cargos alimentou reações céticas. Uma autoridade israelense, sob anonimato, classificou o movimento como “manobra de imagem sem qualquer significado”, já que o quadro de pessoal segue praticamente inalterado.
O Conselho de Paz, por sua vez, afirmou que vai medir os efeitos do anúncio “com base em ações, não promessas”, reforçando que o comitê tecnocrático precisa concentrar todo o controle armado do enclave, sob a premissa de “uma só autoridade, uma só lei e um só arsenal”.
Passados nove meses da assinatura do cessar-fogo, entraves na segunda fase do acordo — que trata do desarmamento do Hamas e da reconstrução de Gaza — seguem sem solução. O grupo vincula qualquer avanço sobre entrega de armas à conclusão prévia da primeira etapa do pacto.
Apesar da trégua vigente desde 10 de outubro, ataques israelenses no território seguem ocorrendo quase diariamente, segundo as Forças Armadas de Israel, que afirmam mirar o Hamas e outros grupos armados.
Nesta segunda-feira, bombardeios deixaram ao menos cinco mortos em Gaza, três deles em Khan Younis e dois em um apartamento na Cidade de Gaza, conforme autoridades locais. Desde o início do cessar-fogo, cinco soldados israelenses morreram em combates com o grupo palestino.
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