Ave de rapina extinta em uma ilha nos anos 1990 volta a cruzar os céus e renova a esperança de conservacionistas
Projeto iniciado em 2018 amplia solturas, protege estruturas perigosas e acompanha cada animal para reconstruir uma população reprodutiva.
Uma ave de rapina que deixou de existir na Sardenha entre o fim dos anos 1980 e o início dos 1990 voltou a cruzar o céu da ilha italiana. O programa iniciado em 2018 ganhou novo impulso em 2025, com 11 solturas bem planejadas e ações previstas até 2030.
Qual ave de rapina voltou à Sardenha?
É a águia-de-bonelli, cujo nome científico é Aquila fasciata. A espécie ocupa regiões montanhosas e mediterrâneas, constrói grandes ninhos em paredões ou árvores e caça principalmente coelhos, aves e outros vertebrados de pequeno e médio porte.
Embora ainda exista na Sicília e em partes da Península Ibérica, a população sarda desapareceu localmente. O retorno não ocorreu por migração espontânea: depende de aves transferidas, adaptação controlada e acompanhamento por GPS.

Por que a águia-de-bonelli desapareceu da ilha?
O desaparecimento ocorreu entre o fim dos anos 1980 e o começo dos 1990. Perseguição humana, retirada ilegal de filhotes, alteração do habitat e redução de presas contribuíram para eliminar os últimos exemplares reprodutores.
As linhas elétricas acrescentam um perigo persistente. Até março de 2022, pelo menos cinco águias libertadas haviam morrido eletrocutadas, segundo o ISPRA, tornando a eletrocussão a principal causa conhecida de mortalidade no programa naquele momento.
Como começou a reintrodução em 2018?
O projeto Aquila a-LIFE iniciou as solturas em 2018. Jovens criados em centros especializados eram levados à Sardenha, permaneciam em viveiros de aclimatação e depois recebiam transmissores para que deslocamentos, sobrevivência e escolha de território fossem acompanhados.
Até março de 2022, 25 águias haviam sido libertadas. Onze estavam comprovadamente vivas, quatro haviam perdido o sinal e as demais tinham morrido, um resultado que ajudou a orientar a fase seguinte do trabalho.
A cronologia reúne os principais marcos:
O que aconteceu nas solturas de 2025?
Em janeiro, o Parque Natural de Tepilora recebeu quatro aves: três jovens criados na França e um adulto vindo da Andaluzia. A libertação integrou o LIFE Abilas, projeto coordenado pelo ISPRA para estabelecer uma população reprodutiva viável.
Em 30 de junho, outras sete águias jovens foram soltas no mesmo parque, seis originárias da Espanha e uma da Sicília. Assim, o total de 2025 chegou a 11, superando as quatro inicialmente anunciadas.
Quais medidas protegem a ave de rapina?
Soltar animais não basta quando as ameaças continuam presentes. O plano europeu LIFE Abilas combina reforço populacional com adaptações em estruturas perigosas, recuperação de presas e vigilância contra crimes ambientais.
Entre as metas estão tornar seguros 300 postes elétricos e 70 reservatórios de irrigação, criar sete abrigos artificiais para coelhos e incentivar munição sem chumbo. Cada ação enfrenta um risco diferente.
As intervenções ligam ameaça, resposta e benefício:
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A população conseguirá se manter até 2030?
Ainda não há uma população autossustentável confirmada. Documentos do projeto preveem a soltura de aproximadamente seis a dez aves por ano, conforme a disponibilidade, enquanto equipes verificam sobrevivência, formação de casais e possíveis tentativas de reprodução.
O objetivo até 2030 é transformar presenças monitoradas em uma população capaz de gerar filhotes e persistir com menos intervenção. As 11 solturas de 2025 representam avanço concreto, mas o sucesso dependerá de reprodução, segurança e diversidade genética.
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