Animal que ninguém encontrava havia 87 anos reaparece escondido sob a areia graças a uma técnica que rastreia seu DNA
O DNA deixado nos túneis de areia permitiu confirmar a sobrevivência de um mamífero subterrâneo que havia sumido dos registros científicos.
Animal que ninguém encontrava havia 87 anos deixou pistas invisíveis em túneis sob dunas da costa oeste da África do Sul. A espécie é a toupeira-dourada-de-De-Winton, cuja sobrevivência foi confirmada com DNA ambiental coletado diretamente no solo arenoso.
Qual animal reapareceu depois de 87 anos sem registros?
A espécie é a toupeira-dourada-de-De-Winton (Cryptochloris wintoni), pequeno mamífero subterrâneo da costa oeste da África do Sul. A Endangered Wildlife Trust participou da busca que levou à redescoberta anunciada em novembro de 2023.
Há uma pequena diferença entre referências históricas: o estudo científico cita o último registro em Port Nolloth em 1937, enquanto a Re:wild descreve a espécie como perdida para a ciência por 87 anos.

Como o DNA ambiental revelou que a espécie ainda estava viva?
Os pesquisadores usaram DNA ambiental, ou eDNA, material genético que os animais deixam no ambiente por células da pele, pelos e secreções. Em vez de depender apenas de capturar a toupeira, a equipe procurou esse material dentro dos túneis formados na areia.
As amostras foram processadas em laboratório e comparadas com sequências genéticas de referência. O estudo publicado em Biodiversity and Conservation concluiu que o DNA encontrado confirmava a presença de Cryptochloris wintoni na costa sul-africana.
Por que era tão difícil encontrar essa toupeira sob a areia?
As toupeiras-douradas passam quase toda a vida no subsolo, e as espécies adaptadas às dunas deixam sinais particularmente discretos. Os túneis rasos desabam rapidamente na areia fofa, apagando parte das evidências que normalmente ajudariam pesquisadores a localizar um animal subterrâneo.
A espécie também se parece com outras toupeiras-douradas da região. Por isso, aparência ou rastros não bastavam para uma identificação segura, tornando a confirmação genética especialmente importante.
Alguns números mostram como a busca foi conduzida:
Que outras técnicas ajudaram a procurar o animal nas dunas?
O projeto combinou eDNA com observação de túneis, câmera térmica e uma cadela treinada para detectar o cheiro de toupeiras-douradas. Jessie, uma border collie, ajudava a encontrar áreas com atividade e a diferenciar sinais associados a espécies mais comuns.
A equipe coletava solo do revestimento interno dos túneis, onde partículas genéticas poderiam permanecer. A combinação de diferentes métodos reduziu a dependência de capturar um animal extremamente difícil de observar diretamente.
Os recursos cumpriam funções diferentes na investigação:
O que a redescoberta revelou sobre a distribuição da espécie?
O resultado foi além de confirmar sobrevivência em Port Nolloth. O DNA associado à espécie apareceu em diferentes pontos da costa oeste, levando os autores a considerar que sua distribuição pode ser mais ampla do que se imaginava, embora a abundância pareça baixa.
Conhecer sua distribuição ajuda a definir áreas prioritárias para proteção. O eDNA também oferece uma forma de repetir levantamentos sem depender de capturas frequentes.
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Por que encontrar a espécie não elimina o risco para sua sobrevivência?
A redescoberta confirma que a espécie não desapareceu, mas não resolve as ameaças ao habitat. O estudo destaca transformação das dunas costeiras por mineração, agricultura e desenvolvimento urbano, fatores capazes de fragmentar os solos macios dos quais essas toupeiras dependem.
Por isso, o resultado muda a pergunta de “a espécie ainda existe?” para “onde ela sobrevive e como proteger essas populações?”. A técnica que encontrou DNA sob a areia pode agora ajudar a mapear áreas prioritárias e acompanhar um animal que continua extremamente difícil de observar.
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