Animal desaparecido de uma costa por quase 60 anos volta com apenas 59 indivíduos, chega perto de 2.800 e emociona conservacionistas
Reintrodução iniciada com poucas dezenas de animais reconstruiu uma população costeira e recuperou funções ecológicas ausentes por décadas.
Um animal desaparecido da costa de Washington desde o início do século XX voltou a ocupar águas que permaneceram vazias por quase 60 anos. A recuperação começou com apenas 59 indivíduos levados do Alasca e alcançou uma contagem mínima de 2.785 lontras em 2019.
Qual animal desaparecido voltou à costa de Washington?
O animal é a lontra-marinha-do-norte, identificada cientificamente como Enhydra lutris kenyoni. Diferentemente das lontras de rio, ela passa quase toda a vida no oceano, onde descansa em grupos, procura alimento e cuida dos filhotes.
A espécie possui a pelagem mais densa entre os mamíferos, essencial para conservar calor em águas frias. Como não depende de uma camada espessa de gordura, precisa limpar constantemente os pelos e consumir grande quantidade de alimento.

Por que as lontras sumiram por quase 60 anos?
A caça comercial pela pele eliminou a população original de Washington no começo dos anos 1900. A espécie permaneceu ausente do estado aproximadamente entre 1911 e 1969, apesar de ter ocupado historicamente uma ampla faixa do litoral do Pacífico Norte.
A exploração também reduziu as lontras a pequenos grupos isolados em outras regiões. Quando a proteção chegou, recuperar o antigo território exigia mais que interromper a caça: era necessário transportar animais sobreviventes para áreas onde nenhum núcleo reprodutivo havia restado.
Como aconteceu a reintrodução dos 59 indivíduos?
As lontras foram capturadas na Ilha Amchitka, no Alasca, e levadas à costa externa da Península Olímpica. Em 1969, 29 animais foram libertados perto de Point Grenville; no ano seguinte, outros 30 chegaram à região de La Push.
Muitos dos indivíduos transferidos não sobreviveram ou desapareceram. Ainda assim, um pequeno grupo permaneceu, reproduziu-se e formou a base da população atual, demonstrando como poucas dezenas de fundadores podem iniciar uma recuperação duradoura quando encontram proteção e habitat adequado.
Os principais marcos mostram a dimensão da mudança:
Como a população chegou perto de 2.800 animais?
Depois de uma fase inicial pequena, o número de lontras começou a crescer continuamente. A população expandiu-se principalmente pela costa rochosa da Península Olímpica, encontrando águas produtivas, florestas de algas e abundância de invertebrados marinhos.
O levantamento oficial de 2019 contou 2.785 lontras em 25 de junho, incluindo cerca de 150 filhotes. O resultado representava o número mínimo observado, não uma estimativa de todos os indivíduos presentes.
Três números resumem a reconstrução:
Por que as contagens posteriores oscilaram?
O censo de 2022 observou 2.916 lontras, enquanto o de 2023 registrou 1.343. Os pesquisadores alertaram que essa diferença não comprova uma queda populacional, pois neblina e limitações de voo dificultaram a cobertura.
Grandes grupos também passaram a utilizar áreas mais afastadas da costa, fora da rota tradicional dos aviões. Por isso, o Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Washington mantém como referência pública o crescimento até quase 2.800 animais em 2019.
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O que o retorno muda no ecossistema costeiro?
Lontras alimentam-se de ouriços, caranguejos, moluscos e outros invertebrados. Ao controlar ouriços que consomem algas, podem favorecer florestas submarinas usadas como abrigo por peixes e ajudar a recuperar processos ecológicos ausentes durante décadas.
A recuperação ainda exige monitoramento de derramamentos de óleo, doenças, emalhamento e conflitos relacionados ao consumo de mariscos. Mesmo assim, a passagem de 59 animais transferidos para milhares de descendentes permanece como um dos retornos mais marcantes da costa do Pacífico.
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