Alerta para exposição dos filhos nas redes sociais ganha dura e tocante campanha
O hábito de registrar cada momento da infância em fotos e vídeos públicos virou uma campanha de alerta aos pais.
A prática de expor a rotina de crianças nas redes sociais, conhecida como sharenting, vem recebendo cada vez mais atenção de autoridades e especialistas em privacidade digital.
O hábito de registrar cada momento da infância em fotos e vídeos públicos passou a ser discutido não apenas como um gesto de afeto, mas também como um comportamento que pode gerar riscos concretos para a segurança, para o futuro digital dos menores e para a formação de sua identidade online.
O que é sharenting e quais são as principais preocupações?
O termo sharenting resulta da combinação de “sharing” (compartilhar) com “parenting” (criar filhos) e descreve o ato de divulgar de forma constante imagens, vídeos e relatos sobre crianças em redes sociais.
Embora pareça inofensivo à primeira vista, esse comportamento cria uma biografia digital construída antes mesmo de a criança ter condições de consentir ou compreender o alcance dessas publicações.
Essa trilha de informações pode ser acessada por pessoas mal-intencionadas, por empresas interessadas em perfis comportamentais e por sistemas automatizados que coletam dados em grande escala.
Especialistas em proteção de dados apontam preocupações ligadas à segurança física, à privacidade e à reputação futura, incluindo riscos de perseguição, bullying e impactos em oportunidades acadêmicas e profissionais.
Como se forma a pegada digital das crianças?
A pegada digital infantil é composta por tudo aquilo que é registrado sobre a criança na internet: fotos, vídeos, legendas, comentários, marcações de localização e interações com perfis de familiares e amigos.
Cada postagem isolada pode parecer irrelevante, mas, somadas, essas informações permitem traçar um retrato detalhado da vida do menor e de seu contexto familiar.
Campanhas de conscientização demonstram que um pequeno conjunto de imagens já é capaz de alimentar sistemas de inteligência artificial para criação de deepfakes convincentes.
Esse acúmulo de dados também desperta o interesse de grupos criminosos e de anunciantes, que podem usar essas informações para fins ilícitos ou para segmentação comercial desde a infância.
Como funcionam as campanhas de conscientização sobre crianças nas redes sociais?
Campanhas de conscientização buscam mostrar de maneira concreta como cada publicação contribui para reforçar a exposição de crianças nas redes sociais.
Peças de comunicação costumam apresentar histórias fictícias ou situações simuladas em que a rotina de uma criança é reconstruída apenas com base em postagens públicas dos pais, evidenciando a facilidade de acesso a esses dados.
Essas iniciativas, promovidas por autoridades de proteção de dados, organizações de segurança digital e agências especializadas, enfatizam que o objetivo não é proibir o compartilhamento de momentos familiares, mas incentivar uma postura mais crítica e responsável.
A mensagem central propõe fazer uma pausa antes de postar, revisar o público que terá acesso ao conteúdo e avaliar se aquela imagem realmente precisa estar em um ambiente público.
Leia também: O que significa quando uma pessoa não faz publicação nas redes sociais, segundo a psicologia

Quais são os principais riscos envolvidos nas publicações de crianças nas redes sociais?
Os riscos associados ao sharenting abrangem desde problemas de segurança até danos emocionais e reputacionais.
No campo digital, destaca-se o uso indevido das imagens para fraudes, engenharia social, criação de perfis falsos e manipulação de conteúdo em deepfakes, o que amplia a possibilidade de chantagem e cyberbullying.
Além disso, em ambientes escolares e sociais, colegas podem resgatar publicações antigas para zombar de características físicas, dificuldades de aprendizagem ou situações íntimas expostas pelos próprios familiares. Entre as principais consequências, destacam-se:
- Exposição excessiva de dados pessoais (nome, escola, rotinas, locais frequentados);
- Vulnerabilidade a crimes virtuais, como perseguição, grooming e usos não autorizados da imagem;
- Bullying e danos emocionais, alimentados por registros de situações constrangedoras;
- Impactos na reputação digital, que podem persistir na vida adulta;
- Perda de controle sobre a própria história online, sem participação da criança nas decisões.
O Governo da Irlanda, por meio da Autoridade de Proteção de Dados (DPC), acende um farol de alerta global com a campanha “Pause Before You Post” (Pause Antes de Postar). O foco? Os perigos do sharenting: o excessivo compartilhamento de fotos, vídeos e informações de crianças nas… pic.twitter.com/zKDbskUQnw
— Ricardo Amorim (@Ricamconsult) November 28, 2025
Como reduzir a exposição de crianças nas redes sociais?
Especialistas em segurança da informação e proteção de dados defendem que a redução dos riscos passa por mudanças simples de hábito.
Em vez de registrar tudo, recomenda-se selecionar momentos específicos, evitar detalhes que identifiquem diretamente a rotina e priorizar ambientes fechados, como aplicativos de mensagens criptografadas ou álbuns compartilhados com amigos próximos.
Entre as orientações mais citadas, estão a revisão periódica das configurações de privacidade, o cuidado com informações sensíveis e o diálogo com a criança sobre seu direito à imagem.
Também é importante revisar conteúdos antigos e refletir se eles ainda fazem sentido, considerando o desenvolvimento e os sentimentos do menor.
- Revisar configurações de privacidade nas redes sociais, limitando o acesso a pessoas conhecidas;
- Evitar informações sensíveis, como uniformes, placas de carro, endereços e geolocalização em tempo real;
- Questionar a necessidade da postagem: a imagem é realmente indispensável ou pode ficar em um álbum privado?
- Dialogar com a criança, sempre que possível, perguntando se ela concorda com a divulgação;
- Remover conteúdos antigos que revelem momentos íntimos, de tristeza, exposição do corpo ou situações médicas.
Qual é o papel dos adultos na educação digital das crianças?
O debate sobre sharenting conecta-se diretamente à educação para a cidadania digital. Crianças observam o comportamento dos adultos e aprendem, na prática, quais são os limites de exposição da própria vida, internalizando valores sobre privacidade, respeito e responsabilidade no ambiente online.
Campanhas públicas e iniciativas de órgãos de proteção de dados reforçam que os adultos funcionam como guardiões da privacidade infantil.
Ao incorporar o hábito de “pausar antes de postar”, refletir sobre o impacto cumulativo das publicações e respeitar o direito da criança de não ser exposta, famílias contribuem para um ambiente digital mais seguro e compatível com os direitos de proteção de dados e de desenvolvimento saudável na era conectada.
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