Eduardo tenta explicar confusão bolsonarista no Ceará
Deputado reclama que aliança com Ciro Gomes foi tratada em público, mas comprou brigas públicas com praticamente toda a direita desde que foi para os EUA
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP, foto) tentou explicar a crise bolsonarista no Ceará, mas a história não é tão fácil assim de se explicar.
“No caso do Ceará, não houve uma negociação de princípios e valores. O que estava sobre a mesa não era ‘Ciro Gomes, ‘somos a favor do aborto, em troca você nos apoia para essa cadeira aqui na eleição do ano que vem’. Não é isso que foi acordado. Ocorre que o Ceará é um estado dominado pela esquerda. Sabe quantos prefeitos o PL tem nesse estado? Nenhum. Há uma dificuldade tremenda de você conseguir colocar adiante o nome numa eleição estadual, ainda mais se tratando de Ceará. que nós sabemos que é a prioridade não só do presidente [Jair] Bolsonaro, mas de toda direita, por razões óbvias, não preciso aqui explicar, mas essa vaga no Senado estava vindo numa troca de apoios, onde o PL apoiaria o Ciro Gomes para governador, inclusive com tempo de televisão, e o Ciro Gomes apoiaria o PL em uma das duas vagas ao Senado”, diz o filho 03 de Bolsonaro em vídeo.
Segundo o deputado, que está autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro, “assim estava se caminhando para termos boas chances de ter um senador que pode fazer muita falta para a política brasileira em 2027, vocês sabem do que eu estou falando”. Ele está falando da pretensão bolsonarista de conseguir o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Me senti humilhado”
“Então, o André Fernandes não estava fazendo nada pelas costas. Muito pelo contrário: ele pediu o sinal verde e o Bolsonaro deu o sinal verde, porque isso se trata de uma estratégia política. Nós seguimos tendo Deus no coração, sendo patriotas, a favor da legítima defesa, contra o aborto, pelo homeschooling e todas as demais pautas que vocês já conhecem, que a gente sempre expõe nas redes sociais. Ocorre que uma polêmica foi gerada porque um assunto — e talvez esse tenha sido o único equívoco — não foi tratado de uma maneira interna, foi tratado de uma maneira pública. E eu confesso que eu até me coloquei no lugar do André Fernandes e me senti humilhado. De certa maneira, eu tenho certeza que, se tivessem a portas fechadas cada um exposto os seus argumentos — até porque aí teria a chance do André Fernandes e o seu grupo exporem as suas razões, para assim proceder nesse acordo —, eu tenho certeza que as pessoas maduras sairiam dessa sala com um anúncio público e uníssono para onde caminhar”, disse Eduardo.
O filho 03 de Bolsonaro só não mencionou que a crise deflagrada pela pré-candidatura do irmão vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado por Santa Catarina foi tratada em público pelos dois, e que os bolsonaristas catarinenses também se sentiram desrespeitados.
Além disso, Eduardo comprou briga pública com praticamente toda a direita brasileira depois de encampar o tarifaço de Donald Trump, e tem mirado especialmente no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por ele ser encarado como alternativa mais branda a Bolsonaro.
“Lição”
O deputado federal termina o vídeo falando em lição, como já tinha feito o irmão senador, Flávio Bolsonaro (PL-RJ):
“Então, que esse episódio sirva de lição para todos nós, porque só comete erro também quem trabalha. E não houve um vitorioso ou um perdedor, neste caso, absolutamente nada disso. Houve uma prova de que assuntos devem ser tratados de maneira interna. E mais casos como estes vão se repetir e eu espero que não sejam mais tratados de maneira pública. Então, é isso que eu tinha a falar. Mais uma vez aqui lembrando que todos nós estamos com Deus no coração, caminhando pelo mesmo sentido, todos torcendo e trabalhando pela anistia para fazer justiça, para ter um Brasil melhor, porque a gente sabe que a gente pode muito mais do que com esse governo federal e também a margem para melhorar e colocar um Congresso mais à direita. Que Deus abençoe a todos nós e dê discernimento nesse momento difícil que abala a todo mundo, ainda mais com a prisão do nosso eterno presidente Jair Messias Bolsonaro.”
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Comentários (1)
Márcio Roberto Jorcovix
03.12.2025 11:39Resumindo. A política justifica tudo, inclusive fazer alianças com inimigos que o chamaram de bandido de uma forma bastante contundente. Por incrível que pareça para a Michele (nunca a achei uma pessoa coerente ) e estes Bozo filhos são lixo iguais ao pai.