O município paranaense que abriga o primeiro parque estadual e o primeiro bem tombado do Paraná, com rochas de 400 milhões de anos
As rochas revelam uma paisagem formada muito antes da presença humana
Existe um pedaço do Paraná onde o chão conta uma história muito mais antiga que a do continente sul-americano. Ponta Grossa, nos Campos Gerais, se ergueu sobre camadas de arenito depositadas quando a região ainda era fundo de mar, e o que sobrou disso virou o primeiro parque estadual criado no Paraná e o primeiro bem que o estado decidiu tombar.
Como se formaram os arenitos que viraram símbolo dos Campos Gerais?
Por erosão lenta sobre um antigo depósito marinho. Conforme o Governo do Paraná, as formações rochosas do Parque Estadual de Vila Velha foram esculpidas ao longo de 300 milhões de anos pela ação do vento e da água, e o conjunto apresenta datações que chegam a aproximadamente 400 milhões de anos.
O resultado são blocos com silhuetas reconhecíveis, batizados pelos moradores de Taça, Camelo e Proa do Navio. Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), o parque foi criado pelo Decreto 1.292, de 12 de outubro de 1953, o primeiro do estado, e protege 3.122,11 hectares de arenitos e campos nativos. Em 1966, virou o primeiro bem tombado pelo Paraná, inscrito no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.

O que são as furnas e por que elas chegam a 100 metros?
São cavernas verticais abertas por desabamento. Também chamadas de dolinas, elas se formam quando o teto de uma cavidade subterrânea cede sobre falhas do arenito, deixando um poço aberto para o céu, com vegetação lá no fundo e água do lençol subterrâneo acumulada na base.
Dentro do parque existem doze dessas estruturas, entre secas, rasas, estreitas e extensas, e duas delas passam dos 100 metros de profundidade. Uma tem passarelas de observação e uma tirolesa de 200 metros cruzando o vazio. A poucos minutos dali fica a Lagoa Dourada, cuja transparência deixa os cardumes visíveis a olho nu e cujo nome vem da cor que a água assume quando reflete o sol.

Onde fica a cachoeira que cai dentro de um anfiteatro de pedra em Ponta Grossa?
No distrito de Itaiacoca, a cerca de 26 km do centro. O Buraco do Padre é uma furna formada no cruzamento de falhas geológicas, onde o rio Quebra-Perna despenca de 30 metros de altura e forma um pequeno lago de fundo arenoso dentro de um anfiteatro rochoso.
O nome remonta ao período em que padres jesuítas usavam a cavidade como refúgio de meditação, ainda no tempo das sesmarias do Pitangui e do antigo caminho das tropas. De acordo com o portal Campos Gerais do Paraná, o acesso é feito por uma trilha de 880 metros com passarelas de madeira, o que permite a visita de pessoas com mobilidade reduzida. A área integra o Parque Nacional dos Campos Gerais.

Quais outros passeios cabem no roteiro?
A cidade combina natureza no entorno com um centro histórico e uma agenda cultural antiga. Confira abaixo o que vale entrar na lista:
- Alagados: lago artificial criado nos anos 1940 com o represamento do rio Pitangui, a 20 km do centro, usado para remo, windsurfe e pesca. Vale comparar com outras obras de água feitas pela mão do homem que impressionaram engenheiros.
- Museu Campos Gerais: fundado em 1983 no antigo prédio do Fórum e administrado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), guarda mais de 13 mil itens em reserva técnica.
- Furnas do Passo do Pupo: duas dolinas lado a lado, com araucária crescendo lá dentro, dentro do Refúgio das Curucacas.
- Mosteiro da Ressurreição: espaço monástico onde é possível ouvir canto gregoriano e comprar pães, vinhos e velas feitos pelos monges.
- Fenata: festival de teatro amador realizado desde 1973, um dos mais antigos do país, com mais de 1.500 grupos participantes ao longo da história.
- MunchenFest: principal festa gastronômica do município, promovida há cerca de três décadas com apoio do consulado alemão no sul do Brasil.
Quem gosta de natureza e cidades com boa estrutura vai curtir esse vídeo do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, com mais de 880 mil inscritos, sobre Ponta Grossa:
Como é o clima de Ponta Grossa ao longo do ano?
A cidade fica em um planalto alto e frio para os padrões brasileiros, com nevoeiro frequente ao amanhecer e geadas no inverno. A chuva se concentra no verão e recua bastante entre junho e agosto. Veja abaixo o que esperar de cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade onde o chão é mais antigo que os continentes
Ponta Grossa oferece uma coisa rara no turismo brasileiro: paisagem que se explica por geologia, não por marketing. Arenitos que já foram fundo de mar, poços de 100 metros abertos por desabamento e uma cachoeira que cai dentro da rocha estão todos a menos de meia hora do centro, na rota entre Curitiba e o interior do estado.
Você precisa reservar dois dias na Princesa dos Campos e olhar de perto para um chão que começou a se formar antes dos dinossauros.
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