Fim de uma era: as concessões que obrigavam as operadoras a manter orelhões acabaram, dos 38 mil aparelhos espalhados pelo país quase 28 mil estão só em São Paulo, cerca de 9 mil devem sobreviver até 2028, e nenhuma norma manda retirar o resto
Acaba a obrigação de manter orelhões: são 38 mil no país, e cerca de 9 mil ficam até dezembro de 2028
O telefone da esquina perdeu a obrigação de ficar
O fim das concessões abriu caminho para a retirada, mas milhares ainda cumprem uma última missão onde o celular não chega. ⬇️
Os orelhões entraram em sua fase final após mais de cinco décadas nas ruas. Com o encerramento das principais concessões de telefonia fixa, em dezembro de 2025, as operadoras deixaram de ser obrigadas a conservar todos os aparelhos. A desativação começou em janeiro de 2026, mas não significa retirada imediata de cada cabine.
Por que terminou a obrigação de manter orelhões?
Os contratos antigos vinculavam a manutenção dos telefones públicos ao regime de concessão do serviço fixo. Com a adaptação para autorizações privadas, essa obrigação geral perdeu validade. As empresas assumiram compromissos diferentes, concentrados em infraestrutura de banda larga e cobertura móvel.
A transição troca uma contrapartida desenhada nos anos 1990 por investimentos considerados mais úteis hoje. Fibra óptica, antenas 4G, conectividade escolar, cabos submarinos e fluviais aparecem entre as entregas previstas pelas prestadoras.
Na prática, os orelhões não foram desligados por um único comando. Cada operadora precisa separar os terminais ainda protegidos daqueles que podem ser desativados. Estado de conservação, demanda local e substituição do serviço influenciam o ritmo dessa despedida. A mudança será percebida em etapas pelas ruas.

Quantos aparelhos ainda existem e onde estão?
O levantamento divulgado pelo Ministério das Comunicações apontou aproximadamente 38 mil unidades espalhadas pelo território. A distribuição, porém, está longe de ser equilibrada.
- São Paulo: 27.918 terminais ativos e outros 808 em manutenção.
- Bahia: 965 equipamentos ativos e 525 em manutenção.
- Maranhão: 653 cabines ativas e 516 em manutenção.
- Demais estados: dividem a parcela restante da rede pública de voz.
A concentração paulista ajuda a explicar por que a retirada será percebida de forma desigual. Em algumas cidades, o aparelho já desapareceu da paisagem. Em outras, a velha concha ainda ocupa calçadas, postos e áreas de circulação.
Quais orelhões precisam sobreviver até 2028?
Cerca de 9 mil telefones de uso público permanecem ligados a obrigações remanescentes. Eles atendem localidades nas quais não existe outra oferta de voz, especialmente onde a cobertura celular ainda não chegou.
A permanência vai até 31 de dezembro de 2028, mas pode terminar antes se outra solução de voz ficar disponível. Nos pontos sem cartão, os aparelhos devem permitir chamadas para telefones fixos sem cobrança.
Quem decide retirar os aparelhos não obrigatórios?
A Anatel informou que nenhuma norma determina ou regulamenta expressamente a remoção dos terminais não obrigatórios. Isso não garante permanência. As operadoras podem retirá-los, e a agência avalia solicitar planos para organizar o processo.
O usuário também pode pedir a retirada diretamente à prestadora responsável. Se não houver resposta, deve guardar o protocolo e reclamar pelo telefone 1331 ou pelos canais digitais da agência reguladora.

O Ministério das Comunicações descreve a mudança como processo de desativação, com preservação temporária em áreas sem outro serviço. A palavra importante é gradual: obrigação, funcionamento e presença física podem terminar em momentos diferentes.
A prioridade é garantir comunicação onde nenhuma alternativa alcança o morador. Antes de perder um telefone público necessário, vale conferir cobertura real e registrar falhas nos canais oficiais.
- Identifique a operadora indicada no terminal ou na consulta da agência.
- Teste o aparelho e anote endereço, número e tipo de defeito.
- Abra solicitação na prestadora e guarde o protocolo de atendimento.
- Procure a agência reguladora pelo 1331 se o problema continuar.
É mesmo o fim definitivo dos telefones públicos?
É o fim da obrigação ampla, não um desaparecimento simultâneo. Alguns aparelhos podem sair rapidamente, enquanto outros cumprem função até 2028. Repare no telefone da sua rua e guarde uma foto, ele pode virar memória urbana antes que alguém anuncie a retirada.
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