O maior município de Santa Catarina inventou o turismo rural brasileiro com o primeiro hotel-fazenda do país
A rotina das fazendas virou experiência turística e abriu uma nova fonte de renda
O turismo rural que hoje move fazendas centenárias em todo o país nasceu de uma pergunta feita em uma cidade quase falida. Lages, no Planalto Serrano de Santa Catarina, perdeu boa parte da arrecadação quando dois distritos se emanciparam e respondeu abrindo suas porteiras aos visitantes, décadas antes de o setor ganhar nome no Brasil.
Como uma crise de caixa criou o turismo rural no Brasil?
Nos anos 1980, a administração municipal reuniu empresários e hoteleiros para descobrir o que a cidade tinha a oferecer. A resposta veio da própria paisagem: o frio, as araucárias, a culinária campeira e as fazendas cercadas por taipas, muros de pedra empilhada sem argamassa que ainda demarcam os campos serranos.
O primeiro hotel-fazenda do país abriu na sequência, na Fazenda Pedras Brancas, e o modelo se espalhou. A Prefeitura de Lages registra que o segmento completou 40 anos no município, que carrega desde então o título de Capital Nacional do Turismo Rural. Hoje, segundo a Secretaria de Turismo de Lages, mais de 900 mil turistas passam pela cidade por ano.

Por que a cidade é a maior de Santa Catarina em território?
Porque nasceu antes das divisões. Fundada no século XVIII como ponto de descanso dos tropeiros que levavam gado do Rio Grande do Sul a São Paulo, a antiga vila foi cedendo terras a municípios que se emanciparam ao longo do tempo e ainda assim manteve 2.631 km², a maior extensão do estado, conforme o Governo do Estado de Santa Catarina.
A altitude é o outro traço decisivo. A 916 metros acima do nível do mar, a cidade tem temperatura média anual em torno de 14 °C, patamar que explica as geadas frequentes e a neve ocasional. A economia acompanha o relevo: pecuária, processamento de madeira, metal-mecânico e produção de alimentos sustentam a região, que também funciona como referência de saúde e educação para todo o planalto.

O que ver na Princesa da Serra além das fazendas?
A cidade é chamada de Princesa da Serra e concentra o calendário de eventos mais forte do interior catarinense. O principal deles é a Festa Nacional do Pinhão, realizada no período frio e apontada pelo governo estadual como o traço que rendeu a Lages o apelido de terra do pinhão.
Confira abaixo o que estrutura a visita ao planalto:
- Hotéis-fazenda centenários: propriedades que mantêm cavalgadas, fogo de chão e a rotina de trabalho no campo aberta ao visitante.
- Salto Caveiras: queda d’água larga a poucos quilômetros do centro, cercada por mata nativa e área de pesca.
- Parque Jonas Ramos: o Tanque, principal área verde urbana, formado por fontes naturais no meio da cidade.
- Museu Histórico Thiago de Castro: acervo dedicado à memória tropeira e à colonização do planalto serrano.
Esse tipo de destino frio e ligado à tradição campeira tem parentesco direto com a cidade batizada por tropeiros que virou uma das 7 Maravilhas do Brasil, do outro lado da divisa.
Quem quer descobrir a terra que ajudou a criar o turismo rural brasileiro vai curtir este vídeo do canal Sincero SC, com mais de 190 mil visualizações, que percorre Lages e a Serra Catarinense.
Como é o clima de Lages ao longo do ano?
Poucas cidades brasileiras têm inverno tão marcado. As mínimas de julho ficam em torno de 7 °C e a chuva se distribui pelos doze meses, sem estação seca definida. Veja abaixo o comportamento médio ao longo do ano:
Médias aproximadas de Lages com base no Climatempo. As condições variam a cada ano por influência de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada no próprio Climatempo antes de subir a serra.
O planalto que transformou frio e fazenda em economia
Lages resolveu uma crise olhando para o que já tinha em volta: campos abertos, muros de pedra, araucárias e um inverno que assusta o resto do país. Dessa leitura nasceu um segmento inteiro do turismo brasileiro, hoje replicado de Minas ao Rio Grande do Sul.
Você precisa conhecer Lages no auge do inverno, quando a geada cobre os campos e o fogo de chão vira o melhor lugar da casa.
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