Em 1852, geodesistas mediram o Everest em exatos 29.000 pés, depois somaram mais 60 centímetros para soar confiável
A altura do Everest foi ajustada em 60 centimetros para parecer mais confiável
A montanha mais famosa do planeta esconde um truque de bastidor. Quando o Monte Everest foi medido pela primeira vez, o resultado soou redondo demais, e alguém decidiu dar a ele cara de cálculo preciso.
Por que a altura recebeu 60 centímetros de mentira
O primeiro levantamento oficial do Everest aconteceu em 1852, dentro do Great Trigonometrical Survey da Índia britânica. As medições partiram de seis estações diferentes, a mais de 150 km do pico, e a média deu exatos 29.000 pés, número que os ingleses usavam na época.
O problema não estava no cálculo, mas na aparência. Um valor tão redondo parecia chute, então o agrimensor-geral Andrew Waugh somou dois pés, pouco mais de 60 centímetros, e divulgou 29.002 pés (cerca de 8.840 m). Os centímetros extras serviam só para a altura soar como resultado científico, segundo a GPS World. O cálculo coube ao matemático bengali Radhanath Sikdar, e a montanha ainda se chamava Pico XV.

É o ponto mais alto da Terra mas não a montanha mais alta
O Everest reina sobre o nível do mar, e nenhum outro cume sobe tanto acima dele. A altura oficial atual é 8.848,86 m, conforme medição conjunta de Nepal e China divulgada em 2020. Para comparar, o ponto mais alto do Brasil, o Pico da Neblina, tem 2.995 m, quase três vezes menos.
Medir da base ao topo, porém, muda o pódio. O Mauna Kea, vulcão adormecido do Havaí, alcança cerca de 10.210 m do fundo do oceano até o cume, mais que o Everest, embora só 4.205 m fiquem acima da água, segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). A coroa de montanha mais alta depende, portanto, de onde você apoia a régua.
O cume mais próximo das estrelas fica do nosso lado do mundo
Existe um terceiro recorde, e ele também escapa do Everest. A Terra não é uma esfera perfeita, mas um esferoide achatado que incha na linha do Equador por causa da rotação.
Por isso o ponto mais distante do centro do planeta não é o Everest, e sim o Chimborazo, vulcão do Equador a um grau ao sul da linha equatorial, na mesma América do Sul que o Brasil. Mesmo com 6.268 m acima do mar, bem menos que o Everest, seu cume fica mais de 2.000 m mais longe do núcleo terrestre, o que o torna o lugar da superfície mais perto das estrelas, segundo a National Aeronautics and Space Administration (NASA). Curiosamente, o Chimborazo nem entra entre os trinta picos mais altos dos Andes.

A montanha que ainda cresce a cada ano
Montanhas não são monumentos imóveis. O Everest fica numa zona de placas tectônicas ativas e continua subindo cerca de 2 mm por ano, medidos por GPS.
Um estudo da University College London (UCL), publicado na revista Nature Geoscience, atribui parte desse crescimento a um fenômeno inesperado. A erosão do rio Arun, a cerca de 75 km dali, removeu bilhões de toneladas de rocha e aliviou o peso sobre a crosta, que se ergue como um barco aliviado de carga. O processo já teria elevado o Everest entre 15 e 50 m nos últimos 89.000 anos, informa a EurekAlert. O terremoto de 2015 no Nepal, por outro lado, deslocou a montanha alguns centímetros.
Afinal, qual é a altura verdadeira
A altura do Everest depende de como e de onde se mede, e essa é justamente a beleza do enigma. Entre os 29.002 pés inventados em 1852 e os 8.848,86 m de hoje, há séculos de teimosia humana tentando fixar um número num gigante que insiste em se mexer.
Vale conhecer a história por trás do cume mais cobiçado do mundo e perceber que até a montanha mais medida do planeta ainda guarda surpresas.
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