Cresceu 48% e virou Capital do Jazz: a cidade que mais conquista novos moradores no litoral pela sua qualidade de vida e praias tranquilas
A cidade litorânea que mais atrai novos moradores
A 170 km do Rio de Janeiro, na região conhecida como Costa do Sol, há uma cidade que era vila de pescadores até virar polo cultural reconhecido fora do Brasil. Rio das Ostras abriga um festival de jazz proclamado o maior da América Latina, uma escultura de jubarte de 20 metros e um sambaqui de até 4 mil anos catalogado em pleno centro urbano.
A vila que se chamava Lugar de Ostra antes da metrópole carioca
O território aparece em registros oficiais já no século XVII. Conforme o site da prefeitura, a região se chamava Leripe, palavra de origem tupi-guarani que significa lugar de ostra, e fazia parte da Sesmaria doada aos jesuítas pelo capitão-mor Martins Corrêa de Sá em 20 de novembro de 1630. Os religiosos delimitaram a faixa com dois marcos de pedra batizados de Pitombas.
Os jesuítas ergueram a primeira igreja e o Poço de Pedras do Largo de Nossa Senhora da Conceição, construído no século XVIII por mão de obra escravizada para abastecer navegadores que aportavam na baía. Mas a história do território começa muito antes da Sesmaria, segundo as fontes oficiais da própria cidade.

O festival que começou na areia e virou Top 10 mundial
A virada cultural da cidade tem ano marcado: 2003. Naquele ano, o produtor Stênio Mattos convenceu a prefeitura a apostar em jazz e blues no lugar dos shows de axé que ocupavam a temporada. A primeira edição já trouxe nomes como o guitarrista Stanley Jordan e o percussionista Naná Vasconcelos, segundo registra o site oficial do festival.
Os números acumulados em duas décadas dimensionam o evento e sua relevância para a economia local:
- 1,2 milhão de espectadores nas mais de 20 edições já realizadas, segundo a prefeitura.
- Mais de 600 shows gratuitos em cinco palcos ao ar livre, todos sem cobrança de ingresso desde o início.
- 100 palestras e workshops ao longo da história do evento, com programação paralela voltada à formação musical.
- Capital Estadual do Jazz e Blues: título oficial concedido por lei estadual ao município fluminense.
- Top 10 mundial: o festival aparece entre os dez maiores do gênero no planeta, segundo a mídia especializada.
O palco principal fica na Cidade do Jazz, em Costazul, e os demais ocupam pontos turísticos como a Concha Acústica da Praça São Pedro, a Lagoa de Iriry e a Boca da Barra. O retorno econômico foi medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ) em estudos realizados ao longo de quatro anos.
A escultura de jubarte de 20 metros que virou cartão-postal
Em Costazul, uma jubarte de 20 metros em estrutura metálica recoberta com chapas de bronze e liga de latão domina a orla. A obra é dos artistas plásticos Roberto Sá e Clara Arthaud, casal que vive no município desde 2001 e mantém ateliê permanente na cidade, conforme o portal oficial da prefeitura.
A escolha do animal não foi aleatória. Vale lembrar que jubartes adultas atingem no máximo 16 metros de comprimento, segundo o verbete da Wikipédia sobre a Praça da Baleia, e a escultura supera o tamanho do próprio mamífero. A homenagem se justifica pela presença frequente da espécie no litoral fluminense durante o inverno e a primavera, quando jubartes seguem a costa brasileira em busca de águas mais quentes para acasalamento e amamentação.
A praça abriga ainda um detalhe curioso: um mergulhador de 1,85 metro esculpido tocando a cauda do animal, e mecanismos que simulam o esguicho da baleia. Roberto Sá assinou também os monumentos do jornalista Zózimo Barroso, no Leblon, e do aviador italiano Carlo Del Prete, em Laranjeiras.
Quer conhecer Rio das Ostras (RJ), perto de Macaé, Búzios e Cabo Frio? Vai curtir esse vídeo:
O salto populacional que virou caso de estudo no estado
O fenômeno mais visível dos últimos anos é demográfico. De acordo com a Secretaria Geral de Planejamento (SEGEP) da prefeitura, o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou 156.491 moradores, contra 105.676 em 2010. A cidade ganhou 50.815 habitantes em 12 anos.
O crescimento de 48,09% colocou o município em 2º lugar no ranking estadual, atrás apenas de Maricá, com 54,77%. Os fatores apontados pela prefeitura para explicar o salto incluem a duplicação da RJ-106, o reaquecimento da indústria petrolífera na Bacia de Campos e a reorganização da Zona Especial de Negócios. Os royalties do petróleo bancaram boa parte da modernização da orla, dos parques urbanos e do próprio festival de jazz.
Quando ir e o que esperar do clima
O litoral fluminense garante calor durante a maior parte do ano, com chuvas concentradas no verão. Confira a tabela com as principais variações sazonais para planejar a visita ao balneário:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O período entre maio e agosto concentra a estação mais seca e a alta temporada cultural, quando o Festival de Jazz e Blues toma a cidade por quatro dias. Já o verão tem mar mais quente em Rio das Ostras, mas chuvas frequentes à tarde podem encurtar os dias de praia.
Conheça a cidade que toca jazz de frente para o mar
O caso riostrense mostra como royalties bem aplicados, agenda cultural consistente e patrimônio arqueológico preservado podem reposicionar uma cidade no mapa. Em pouco mais de duas décadas, uma vila pesqueira virou polo cultural com reconhecimento internacional.
Você precisa percorrer os 170 km de estrada e conhecer Rio das Ostras, a cidade onde a história começou há 4 mil anos e o jazz acontece de frente para o oceano.
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