Cidade imperial a apenas 65 km do Rio fica a 809 metros de altitude e troca o calor da capital por montanhas, palácios, casarões e clima ameno
A altitude ajuda a manter temperaturas mais agradáveis ao longo do ano
Subir a serra saindo do Rio é quase como trocar de estação em pouco mais de uma hora de estrada. Em Petrópolis, Rio de Janeiro, o centro histórico fica a 809 metros de altitude, e foi esse ar mais fresco que levou Dom Pedro II a transformar uma antiga fazenda na cidade de verão do Império. Hoje, palácios, casarões e rios correndo pelas avenidas mantêm esse cenário vivo.
Por que a família imperial escolheu a serra para fugir do calor?
A família imperial buscava um verão mais fresco do que o do Rio. Segundo a Prefeitura de Petrópolis, desde Dom João VI a corte passava a estação no antigo convento de Santa Cruz, tentando, sem muito sucesso, escapar do calor. A solução apareceu na Fazenda do Córrego Seco, no alto da Serra da Estrela, onde o engenheiro alemão Júlio Frederico Koeler já havia aberto uma estrada para carruagens.
Em 16 de março de 1843, o imperador, então com apenas 18 anos, assinou o Decreto Imperial nº 155, que entregou as terras a Koeler para erguer um palácio, uma vila e seus quarteirões, conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O hábito de subir a serra continuou depois do Império: presidentes da República passavam os verões no Palácio Rio Negro quando o Rio ainda era a capital do país, de acordo com o portal Turispetro.
O palácio de verão em números
Fontes: Museu Imperial, Secretaria Especial da Cultura e Melhores Destinos.

O que o antigo palácio de Dom Pedro II guarda hoje?
O antigo palácio abriga o Museu Imperial, com a coroa, o cetro e o traje usados nas cerimônias do Império. O prédio em estilo neoclássico começou a ser erguido em 1845 e só ficou pronto em 1862, de acordo com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Entre as peças mais procuradas está a pena usada para assinar a Lei Áurea.
Um detalhe costuma surpreender quem entra pela primeira vez: para proteger o piso original, o visitante calça uma espécie de pantufa grande por cima dos sapatos. A caminhada pelos dois andares passa pela sala de música, pelo gabinete de estudos com o telescópio do imperador e pelo quarto do casal imperial, em ambientes que mostram a rotina da corte na serra.

O que visitar na Cidade Imperial além do museu?
Além do museu, o centro histórico concentra outros palácios, uma cervejaria centenária e a casa de um inventor famoso. Estes são alguns endereços que ajudam a montar o roteiro:
- Palácio de Cristal: estrutura de ferro e vidro cercada por jardim, usada para feiras e eventos no centro.
- Palácio Quitandinha: inaugurado em 1944 para ser um grande hotel-cassino, hoje abriga um centro cultural do Sesc e tem um lago em frente à fachada.
- Cervejaria Bohemia: a cronologia oficial da cidade aponta a fábrica como a mais antiga do Brasil; hoje funciona com visitas guiadas.
- Casa de Santos Dumont: pequena casa de montanha projetada pelo próprio inventor, conhecida como A Encantada.
- Avenida Koeler: rua arborizada com casarões do século XIX ao longo do rio, uma das imagens mais conhecidas da cidade.
- Palácio Rio Negro: antiga residência de verão dos presidentes, com fachada voltada para a mesma avenida.
Quem sonha em viajar pela história do Rio de Janeiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 90 mil visualizações, onde Bruno e Paula mostram os encantos de Petrópolis:
Um centro histórico para percorrer a pé
Boa parte desses endereços fica a poucas quadras uns dos outros. O traçado desenhado por Koeler, com ruas acompanhando os rios, permite ir do museu às avenidas históricas caminhando, sem depender de carro no centro.
Como chegar a Petrópolis saindo do Rio?
O caminho principal é a Rodovia Washington Luís (BR-040), que sobe a serra a partir da capital fluminense. Segundo a página oficial de acesso da Prefeitura, a cidade fica a 53 km do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim e a 63 km do Aeroporto Santos Dumont.
Quem prefere ônibus encontra saídas frequentes na Rodoviária Novo Rio, com intervalos de cerca de 15 minutos durante o dia. O município tem área de 791 km² e é dividido em cinco distritos, como informa o portal Turispetro Localização, que usa o Obelisco da Rua do Imperador como referência para medir a altitude da cidade.
Como é o clima de Petrópolis ao longo do ano?
Petrópolis tem verão chuvoso e inverno seco, com noites frescas na maior parte do ano. Na média de julho, a mínima fica perto de 14°C, e o mês acumula cerca de 43 mm de chuva, enquanto janeiro passa de 300 mm, segundo a climatologia do Climatempo.
A diferença entre as estações muda o ritmo da cidade. Os meses de calor trazem pancadas frequentes, e o período frio deixa o céu mais limpo e as manhãs mais geladas.
Petrópolis em cada estação
Médias aproximadas da climatologia de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña. Consulte a previsão atual do Climatempo.
A serra que o Império escolheu para morar
Petrópolis nasceu de um pedido simples, fugir do calor, e acabou virando uma cidade inteira desenhada em torno de um palácio. Quase dois séculos depois, o ar da serra, os casarões e as avenidas ao longo dos rios continuam contando essa história.
Você precisa subir a BR-040, calçar as pantufas do Museu Imperial e sentir o frio da tarde na Avenida Koeler para entender por que a corte trocou o Rio pela montanha.
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