Nossa Senhora, por enquanto, não intercedeu por Lula
Pesquisas revelam que impacto na campanha de Flávio Bolsonaro foi relativamente tímido apesar de avalanche de fake news
Sem ter o que mostrar, a campanha do presidente Lula apelou para uma velha arma da política brasileira: a religião. E da pior forma, por meio de uma deslavada fake news.
A notícia falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil circulou pelas redes, atingiu grupos católicos e obrigou a campanha do candidato do PL a entrar na defensiva. Houve reação judicial, vídeos de desmentido e uma ofensiva para tentar desmontar a narrativa.
Mas as pesquisa BTG/Nexus, Quaest e Atlas Intel divulgadas nesta segunda-feira dá um indicativo: o tiro pode ter saído pela culatra.
A pesquisa BTG mostra Lula com 42% e Flávio com 37% no primeiro turno. Na rodada anterior, divulgada em 21 de setembro, eram 40% e 37%, respectivamente. A Quaest apontou 39% a 34% ao presidente; a AtlasIntel projeta 45,3% contra 42,2%.
Em comum, as pesquisas apontam uma variação positiva de Lula e negativa de Flávio dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais. É uma alteração real, mas pequena o suficiente para exigir cautela antes de transformá-la em efeito eleitoral da fake news.
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Nesse mesmo período, Lula anunciou o aumento de 15% no valor do Bolsa Família e barrou as Bets. Ao menos a priori, essa oscilação positiva do presidente da República pode ter uma relação mais alinhada à políticas públicas desesperadas do petista do que a uma fake news de quinta categoria.
Há outro detalhe incômodo para quem apostou todas as fichas no episódio: a própria repercussão digital perdeu velocidade rapidamente. Segundo análise citada do jornal Folha de S. Paulo, as menções à fake news caíram mais de 50% no domingo em relação ao pico de sexta-feira. O assunto também teve alcance inferior ao episódio do áudio envolvendo Daniel Vorcaro e o caso Dark Horse.
Em resumo: o retrato oferecido pelas recentes pesquisas mostra que o cenário é menos cinematográfico do que as redes sociais sugeriram. A fake news produziu barulho, mobilizou militantes, ocupou o debate religioso e obrigou Flávio a gastar energia na defesa. Flávioa ainda parece perdido no episódio. Mas barulho não é necessariamente voto.
Por enquanto, a santa continua sendo um símbolo poderoso da disputa eleitoral. Milagre nas pesquisas, porém, ainda não aconteceu. Lula vai ter que apelar para outro santo. Ou para o diabo, como o PT costuma fazer.
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