A “Roliúde Nordestina” com clima de deserto que virou o maior cenário de cinema do Brasil
Roliúde Nordestina: maior cenário de cinema do Brasil em clima de deserto
Cabaceiras, no Cariri da Paraíba, tem o menor índice de chuvas do país e foi cenário de mais de 50 produções audiovisuais. A cidade de pouco mais de 5 mil habitantes ostenta um letreiro de 70 metros que imita o de Hollywood e atraiu desde Selton Mello até Isis Valverde para gravar no sertão.
Como uma cidade com 5 mil habitantes virou Hollywood
O apelido nasceu da pronúncia local de Hollywood e foi oficializado pelo escritor paraibano Wills Leal. Em 5 de maio de 2007, o município inaugurou o letreiro gigante na entrada da cidade, ao lado do Morro do Cruzeiro, e criou um Memorial Cinematográfico no centro histórico.
A vocação cinematográfica vem desde 1929, com o curta Sob o Céu Nordestino, mas ganhou peso nacional sete décadas depois. Quando Guel Arraes escolheu a cidade para gravar O Auto da Compadecida, baseado na obra de Ariano Suassuna, lançado primeiro como minissérie e depois como filme em 2000, a Roliúde virou rota turística.
Hoje, mais de 50 produções já passaram pela cidade, segundo o portal oficial de turismo de Cabaceiras. A explicação está no clima: a aridez do sertão garante céu limpo o ano inteiro e luz natural abundante, sem necessidade de remarcar diárias por causa da chuva.

O segredo está no clima mais seco do Brasil
Cabaceiras é considerada a cidade que menos chove no país, com longos períodos de estiagem que fizeram da paisagem uma raridade geográfica. A precipitação média anual fica abaixo de 350 mm, concentrada em apenas dois ou três meses.
Essa combinação de sol constante e cenário árido lembra as condições que tornaram a Califórnia o berço de Hollywood. Para os diretores, é dinheiro economizado: cada dia de filmagem perdido por chuva custa muito caro, e em Cabaceiras isso simplesmente não acontece.
A própria Secretaria de Turismo do município trata a aridez como vantagem competitiva. O slogan oficial da cidade é “Cabaceiras, sol pra você”. O que era visto como problema regional virou marca de origem.

O que visitar na Roliúde Nordestina
O roteiro da cidade combina formações geológicas únicas, patrimônio cinematográfico e cultura sertaneja. Os principais pontos ficam entre o centro histórico e a zona rural, a até 20 km de distância.
Entre as atrações imperdíveis, destacam se:
- Lajedo de Pai Mateus: formação de granito com cerca de 1,5 km² onde repousam aproximadamente 100 blocos de rocha arredondados que parecem flutuar. Reconhecido pelo Governo da Paraíba como tesouro natural da Caatinga.
- Pedra do Capacete: a mais fotografada do lajedo, especialmente no fim da tarde, quando o pôr do sol deixa o granito alaranjado.
- Saca de Lã: monumento geológico com blocos empilhados que lembram fardos de algodão. O Portal da Luz, fenda entre as rochas, rende fotografias impressionantes.
- Memorial Cinematográfico: acervo com figurinos, cartazes e equipamentos das produções gravadas na cidade, no centro histórico.
- Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: cenário central de O Auto da Compadecida. As fachadas ao redor são repintadas a cada filmagem.
- Letreiro Roliúde Nordestina: estrutura de 70 metros de comprimento na entrada da cidade, ponto obrigatório para fotos.
O bode é rei na cozinha de Cabaceiras
A cidade é considerada a capital paraibana do bode, animal que está no centro da economia local e da gastronomia. A Festa do Bode Rei, realizada todo junho desde 1999, é o maior festival de caprinos e ovinos do Brasil.
A última edição reuniu jornalistas, influenciadores e guias de turismo em uma ação promovida pela Empresa Paraibana de Turismo (PBTur) em parceria com a prefeitura. Entre os pratos que o visitante experimenta, destacam se:
- Bodeoca: tapioca recheada com carne de bode, criação local que virou prato-símbolo da cidade.
- Buchada de bode: prato tradicional do sertão, servido nos restaurantes do centro histórico.
- Queijos de cabra: produzidos pela cooperativa local, com versões frescais, curados e defumados.
- Cachaça Xixi de Cabrita: destilado artesanal que ganhou fama nacional pelo nome inusitado e pela qualidade.
- Artesanato em couro de bode: bolsas, sandálias e cintos produzidos pela cooperativa Arteza, no distrito de Ribeira.
Quem tem curiosidade em conhecer a famosa Roliúde Nordestina, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 21 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra o belíssimo Lajedo de Pai Mateus em Cabaceiras, Paraíba:
Quando ir a Cabaceiras e o que fazer em cada estação
O clima semiárido de Cabaceiras garante sol praticamente o ano inteiro. As chuvas raras se concentram entre fevereiro e abril, e mesmo nesse período não chegam a atrapalhar passeios.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Junho é a janela mais procurada, com clima ameno e a Festa do Bode Rei concentrando a maior agenda cultural do calendário local.
Como chegar a Cabaceiras
A cidade fica a cerca de 190 km de João Pessoa e 65 km de Campina Grande, no Cariri paraibano. O acesso é feito pela BR-230, conhecida como Transamazônica, e depois pela PB-148, rodovia estadual pavimentada.
Há tours de bate e volta saindo de João Pessoa com guias credenciados. Quem prefere autonomia pode alugar carro na capital paraibana e seguir pelo asfalto até a cidade, com trechos curtos de estrada de terra apenas para acessar o Lajedo de Pai Mateus.
Conheça a cidade onde o sertão virou cinema
Cabaceiras reúne uma combinação rara no turismo brasileiro: paisagem que parece outro planeta, história cinematográfica reconhecida e uma cultura sertaneja que se serve no prato e na cachaça. Poucos lugares oferecem tanta identidade em tão pouco espaço.
Você precisa conhecer Cabaceiras e entender por que diretores brasileiros voltam ao Cariri sempre que o roteiro pede sol, sertão e a luz mais cinematográfica do país.
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