A Orlando Brasileira também é Capital Nacional do Folclore por lei: a cidade do interior paulista onde piscinas de até 38 °C dividem a fama com um festival de 62 edições
A descoberta de águas quentes transformou a economia de uma cidade que também preserva um dos maiores encontros de cultura popular do país.
Muito antes dos toboáguas, o professor José Sant’Anna decidiu reunir grupos de dança e música popular para que tradições brasileiras não se perdessem. A iniciativa virou festa nacional, e Olímpia passou a viver de duas vocações que raramente dividem o mesmo endereço: a cultura de raiz que chega todo mês de agosto e o lazer em águas quentes que movimenta hotéis o ano inteiro.
Por que a cidade ganhou o apelido de Orlando Brasileira?
O apelido vem da concentração de parques aquáticos, parques temáticos e opções de entretenimento, comparada à da cidade americana famosa pelos complexos de diversão. Segundo a Prefeitura de Olímpia, a economia local nasceu da agroindústria e do comércio, mas o turismo virou a principal força do município, que fica a 430 km da capital paulista, sobre o Aquífero Guarani, e registrou 4,37 milhões de visitantes em 2025.
A virada começou com uma busca que deu em outra coisa. Na inauguração de uma montanha-russa aquática de 370 metros, em 2017, o então prefeito lembrou que perfurações da Petrobras, cerca de 50 anos antes, não encontraram petróleo, mas revelaram as águas quentes do subsolo, segundo o registro oficial da cerimônia.

Desde então, a cidade agrícola do noroeste paulista aprendeu a receber multidões sem abandonar a festa que a definia antes dos parques. Os números ajudam a medir o tamanho dessas duas identidades:
Quem criou o festival que fez de Olímpia a Capital do Folclore?
O festival nasceu por iniciativa de José Sant’Anna, professor que dedicou a carreira ao estudo do folclore brasileiro e quis preservar as manifestações populares do país. O reconhecimento veio em 21 de dezembro de 2017, quando a Lei federal 13.566 conferiu ao município o título de Capital Nacional do Folclore.
A festa cresceu sem perder o formato de encontro. De acordo com a Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore, mais de 160 mil pessoas passaram pelo recinto em nove dias na edição de 2025, e a programação gratuita da 62ª edição foi marcada para 1º a 9 de agosto de 2026, com o Rio de Janeiro como estado homenageado. Até janeiro, 112 grupos de 21 estados haviam se inscrito, e a vice-presidente da comissão organizadora, a professora Cidinha Manzolli, atua no evento desde que ele foi idealizado.
O que fazer em Olímpia além das piscinas aquecidas?
Dá para alternar dias de parque com cultura, diversão temática e passeios fora da área dos resorts. O palco do festival, o Recinto do Folclore Professor José Sant’Anna, foi inaugurado em 1986 e ocupa uma área de 96.800 m², o equivalente a cerca de 13 campos de futebol no padrão de 105 m por 68 m.
Os endereços que mostram as duas faces da cidade
Entre toboáguas, dinossauros e acervos de cultura popular, alguns lugares concentram a experiência na Orlando Brasileira:
- Thermas dos Laranjais: mais de 60 atrações, a maioria com águas circulantes entre 26 °C e 38 °C, incluindo o toboágua Lendário, com quedas a 28 metros de altura.
- Hot Beach: segundo maior parque da cidade, com mais de 20 atrações para todas as idades e um resort dentro da área de lazer.
- Recinto do Folclore: além do festival de agosto, ganhou em 2025 murais do artista Ricki Duran; o museu do local está fechado para reestruturação.
- Exposição do folclore no Centro de Atendimento ao Turista: na Praça da Matriz de São João Batista, reúne parte do acervo enquanto o museu não reabre, com entrada gratuita e visitas diárias.
- Vale dos Dinossauros: 38 dinossauros animatrônicos em tamanho real, simuladores, cinema 3D e playground temático.
- Roteiros rurais: a Secretaria Municipal de Turismo mantém um guia de turismo rural para quem quer conhecer o campo fora da região dos parques.
Para ver a rotina de parques, restaurantes e hospedagens de perto, o canal Gabi Canti mostra a vida turística de Olímpia neste vídeo:
Como é viver em uma cidade que recebe milhões de visitantes?
É dividir as ruas com uma população flutuante muito maior que a fixa. A cidade tem cerca de 56,9 mil moradores e oferece mais de 34 mil leitos de hospedagem, o que equivale a seis camas de turista para cada dez habitantes, além de dois distritos, Baguaçu e Ribeiro dos Santos, espalhados por um território de 802 km².
A prefeitura tenta fazer com que quem mora ali também aproveite a vitrine. Pelo projeto Morador Também É Turista, residentes com comprovante têm 50% de desconto no Thermas dos Laranjais, acesso à modalidade Day Use no Hot Beach e valores especiais no Vale dos Dinossauros, com regras que podem mudar em períodos promocionais.

Como é o clima em Olímpia ao longo do ano?
Olímpia tem calor durante quase todo o ano, com máximas médias entre 26 °C e 31 °C, e uma divisão clara entre verões chuvosos e invernos secos. Janeiro concentra em média 260 mm de chuva, enquanto julho fica perto dos 15 mm.
Olímpia em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do Climatempo para Olímpia.
Água quente e cantigas na mesma cidade
Poucas cidades conseguem receber famílias para um dia inteiro de toboáguas e, no mesmo calendário, abrir espaço para danças e músicas trazidas de todo o país. A cidade construiu o turismo de massa em cima de um subsolo aquecido, mas manteve no centro da sua identidade a festa idealizada por um professor preocupado em preservar essas tradições.
Você precisa conhecer Olímpia e passar pelo menos um dia longe das piscinas, ouvindo a cultura popular que a cidade guarda há mais de seis décadas.
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