A cidade colonizada por 7 etnias diferentes que abriga a única mina de carvão visitável do Brasil e é a 2ª maior produtora de revestimentos cerâmicos do país
Diversidade cultural, a maior mina de carvão e força na cerâmica
No sul de Santa Catarina, uma cidade nascida do carvão e do encontro de sete povos virou polo industrial e cultural da região. Criciúma reúne uma mina subterrânea aberta a visitantes, parques urbanos premiados e uma festa que celebra cada onda migratória da sua história.
O início italiano que batizou a cidade do capim
A colonização começou em 6 de janeiro de 1880, quando 22 famílias vindas do Vêneto chegaram à região depois de uma travessia de 30 dias pelo Atlântico. Eram 141 pessoas, oriundas de Veneza, Belluno e Treviso, que se instalaram no que então se chamava Cresciúma, segundo a Câmara Municipal de Criciúma.
O nome veio do capim Kyruy-Syiuâ, abundante na região e nomeado pelos indígenas em tupi. Apenas na década de 1940 o município passou a se chamar Criciúma, com a Lei estadual 247 de 30 de dezembro de 1948. A emancipação de Araranguá já havia acontecido em 4 de novembro de 1925.

A descoberta que mudou tudo nos arredores
Em 1893, o agricultor Giácomo Sonego queimou uma coivara em sua propriedade e percebeu pedras que continuavam fumegando. As amostras foram enviadas ao laboratório no Rio de Janeiro e voltaram com a resposta que viraria a economia da região do avesso.
Era carvão mineral. A Primeira Guerra Mundial escassou o produto estrangeiro no Brasil, e o governo passou a incentivar a produção nacional. Entre as décadas de 1940 e 1970, a cidade ganhou o título oficial de Capital Brasileira do Carvão e atraiu mineiros de todo o país.
Por que Criciúma é chamada de cidade das sete etnias?
Depois dos italianos, chegaram alemães em 1890, poloneses nos anos seguintes, e portugueses vindos de Laguna. Espanhóis, africanos e árabes completaram o mosaico ao longo do século 20. Sete grupos que dividiram trabalho na lavoura, nas minas e depois nas indústrias cerâmicas.
O Monumento às Etnias, inaugurado em 1981 no Parque Centenário, materializou essa identidade. Projetado pelo arquiteto Manoel Coelho, abriga no subsolo o Memorial Dino Gorini, com painéis das primeiras culturas formadoras. A Festa das Etnias, criada em 1989, reúne gastronomia, dança e trajes típicos dos sete povos.

O cotidiano de uma cidade que rivaliza com capitais
Com cerca de 227 mil habitantes, segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025, Criciúma é a 8ª cidade mais populosa do estado e concentra mais de 48% da população da Região Carbonífera. O PIB per capita é de R$ 57.528,91, um dos mais altos do sul catarinense.
O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal de 2025, com ano-base 2023, classifica o município como 7ª melhor de Santa Catarina. A cidade ostenta também, desde 2023, o título de Capital Catarinense dos Parques Urbanos, com quatro grandes áreas verdes distribuídas pelo território.
Quais atrações revelam a identidade local?
O roteiro mistura mina subterrânea, parques urbanos e a memória dos imigrantes. A maior parte fica a menos de 15 minutos do centro.
- Mina de Visitação Octávio Fontana: única mina de carvão aberta ao público no Brasil. O passeio percorre 300 m de galeria real em uma mini locomotiva, com oito estações temáticas.
- Parque das Nações Cincinato Naspolini: 109 mil m² no bairro Próspera, com mini ferrovia Terezinha que percorre 800 m em sete minutos.
- Parque Centenário: abriga o Monumento às Etnias, o Centro Cultural Santos Guglielmi e o Teatro Municipal Elias Angeloni.
- Museu Augusto Casagrande: casarão típico italiano de 1920 que preserva mobília original da família e objetos da colonização.
- Parque Astronômico Albert Einstein: inaugurado em 2023 no topo do Morro Cechinel, com planetário e observação por telescópios.
Quem quer descobrir as atrações da maior cidade do sul catarinense, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Prefeitura de Criciúma, que conta com mais de 21 mil visualizações, onde mostra tudo o que a cidade tem de melhor em Criciúma, Santa Catarina:
Quando o clima favorece cada parte do roteiro?
O clima subtropical úmido marca quatro estações bem definidas. O outono e o inverno são os melhores períodos para a Mina e os museus, com manhãs frescas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital do carvão
Criciúma fica a 200 km ao sul de Florianópolis, com acesso pela BR-101. A cidade é atendida pelo Aeroporto Diomício Freitas, em Forquilhinha, e pelo Aeroporto Regional Humberto Ghizzo Bortoluzzi, em Jaguaruna, a cerca de 40 km do centro.
Conheça a cidade onde sete povos viraram um só
A capital do carvão guarda uma das histórias mais multicultural do Sul brasileiro. Aqui se desce ao subsolo para entender a economia, sobe-se ao mirante astronômico para olhar o futuro, e atravessa-se um parque para reconhecer a herança de sete povos.
Você precisa visitar Criciúma e descobrir a cidade que transformou cada onda migratória em pavilhão de festa, sem perder a identidade pelo caminho.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)