A capital mais antiga do Norte do Brasil tem 410 anos, 42 ilhas e abriga a maior procissão católica do mundo com 2,5 milhões de fiéis
História, natureza e fé na capital mais antiga do Norte
Em 12 de janeiro de 2026, Belém completou 410 anos de fundação. A capital paraense é a mais antiga da Região Norte e nasceu como ponto militar português sobre território indígena tupinambá, à beira da baía do Guajará.
A cidade que começou com um fortim de madeira
Em 12 de janeiro de 1616, o capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco ergueu na foz do igarapé do Piry o povoado colonial Feliz Lusitânia. A primeira construção foi o Forte do Presépio, hoje conhecido como Forte do Castelo, no atual bairro da Cidade Velha, segundo registros da Rádio Senado.
A missão portuguesa tinha objetivo claro, ou seja, blindar a foz do rio Amazonas contra invasões francesas, holandesas e inglesas. O povoado mudou de nome ao longo dos séculos, passando por Santa Maria do Grão Pará e Santa Maria de Belém do Grão Pará, até chegar à forma atual. A cidade foi erguida sobre terras já ocupadas pelos tupinambás, que organizavam a paisagem e os modos de vida da região muito antes da chegada dos europeus.

O mercado a céu aberto mais antigo da América Latina
O Mercado Ver-o-Peso nasceu em 1625, apenas nove anos depois da fundação da cidade. Funcionava como posto fiscal português para controlar o peso e a taxação dos produtos que chegavam à Amazônia, daí o nome curioso.
O complexo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1977 e hoje é reconhecido como o maior mercado a céu aberto da América Latina. As bancas reúnem peixes do Amazonas, frutas regionais, ervas medicinais, mandingas e remédios naturais que praticamente não existem fora do Pará. Próximo dali fica a Estação das Docas, complexo gastronômico inaugurado em 2000 sobre os antigos armazéns do porto.
A maior procissão católica do mundo acontece em Belém
Todo segundo domingo de outubro, a cidade se transforma em santuário a céu aberto. O Círio de Nazaré reuniu cerca de 2,5 milhões de fiéis em 2025, segundo o Ministério do Turismo, em uma manifestação que parte da Catedral Metropolitana até a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, num percurso de 3,6 km.
A história começou em 1700, quando o caboclo Plácido José de Souza encontrou uma pequena imagem da santa às margens de um igarapé. A primeira procissão oficial foi realizada em 1793 e a tradição nunca parou. Em 2014, o Círio foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, consolidando-se como uma das maiores celebrações religiosas do planeta.

Uma capital formada por 42 ilhas e cercada pelo verde
Pouca gente sabe que 65% do território de Belém é formado por ilhas. São 42 no total, banhadas pela baía do Guajará, pelo rio Guamá e pela baía do Marajó. A mais visitada pelos turistas é a Ilha do Combu, refúgio de mata fechada a poucos minutos de barco do centro, com restaurantes flutuantes e produção artesanal de chocolate de cacau nativo.
A cidade também é conhecida como Cidade das Mangueiras pela arborização densa instalada durante a Belle Époque, no fim do século 19, sob o intendente Antônio Lemos. Nessa época, o ciclo da borracha transformou Belém em uma das capitais mais ricas do Brasil, e os boulevards inspirados em Paris ainda marcam o centro histórico. Para o contato com a natureza amazônica dentro da cidade, o Parque Zoobotânico Mangal das Garças, com 40 mil m², reúne aves típicas como garças, guarás, tucanos e araras.
Da feijoada amazônica ao caldo que adormece a boca
A cozinha paraense tem identidade própria, com técnicas indígenas preservadas há séculos. Confira o que provar na capital:
- Tacacá: caldo quente servido em cuia, à base de tucupi, jambu, camarão seco e goma de tapioca. As tacacazeiras são Patrimônio Cultural Imaterial de Belém.
- Pato no tucupi: pato cozido em caldo extraído da mandioca brava com jambu, folha que provoca leve dormência na boca.
- Maniçoba: a feijoada paraense, feita com folhas de mandioca cozidas por cerca de sete dias para eliminar o ácido cianídrico.
- Açaí com peixe frito: a versão salgada e tradicional do fruto, servida com farinha de tapioca, muito diferente da tigela doce do resto do Brasil.
- Cupuaçu e bacuri: frutas amazônicas servidas em sorvetes, mousses e bombons espalhados pelas sorveterias da cidade.
Quem deseja experimentar comidas exóticas e visitar fazendas de búfalos, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 136 mil visualizações, onde mostram um roteiro completo por Belém e Ilha do Marajó:
Quando ir e o que esperar do clima em Belém
A capital paraense tem clima equatorial quente e úmido, com temperaturas que raramente caem abaixo dos 22°C. Veja como se planejar:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A melhor janela para passeios externos vai de setembro a novembro, quando as chuvas dão trégua. O Círio, no segundo domingo de outubro, transforma a cidade num cenário único, com quase nenhum hotel disponível e ruas tomadas por fiéis.
Como chegar à porta de entrada da Amazônia
Belém é servida pelo Aeroporto Internacional Val-de-Cans, com voos diretos de capitais como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Manaus. A cidade fica a 2.120 km da capital federal e é cortada pela BR-316, principal ligação terrestre com São Luís e o restante do Nordeste. Para visitar ilhas vizinhas, terminais hidroviários como o Ruy Barata oferecem travessias regulares.
Conheça a metrópole de quatro séculos no coração da Amazônia
Belém reúne mais história do que praticamente qualquer outra cidade do Norte e mantém viva uma cultura que mistura raízes indígenas, herança portuguesa e a força das águas amazônicas. Os 410 anos aparecem nas pedras das igrejas, nas cuias de tacacá, nos casarões da Cidade Velha e na fé que arrasta milhões nas ruas todo outubro.
Você precisa conhecer a capital paraense para entender por que Belém é considerada a porta de entrada da floresta e o coração da maior festa religiosa do planeta.
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