A Capital Brasileira da Uva e do Vinho tem 1,5 milhão de turistas: a cidade que abriga a única Denominação de Origem de vinhos do Brasil
1,5 milhão de turistas e a única Denominação de Origem de vinhos do Brasil
Quem cruza o pórtico em forma de pipa de 17 metros de altura entra em um pedaço de Itália plantado na Serra Gaúcha. Bento Gonçalves guarda o título de Capital Brasileira da Uva e do Vinho, recebe mais de um milhão de visitantes por ano e foi o primeiro lugar do Brasil a ter um terroir oficialmente reconhecido por lei.
A colônia italiana que virou a capital do vinho brasileiro
A história começou em 1875, quando famílias vindas das regiões italianas de Trento e Vêneto desembarcaram na recém-criada Colônia Dona Isabel, depois rebatizada em homenagem ao general Bento Gonçalves da Silva, líder da Revolução Farroupilha. Em 1881, com a abertura da primeira estrada de rodagem, o povoado começou a crescer ao redor dos parreirais.
Quase 150 anos depois, a vocação para a uva se transformou em um patrimônio reconhecido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho, com sede no município. A região concentra a maior parte da produção nacional de vinhos finos e espumantes e abriga vinícolas que se tornaram nomes globais, como Salton, Aurora, Miolo e Casa Valduga.

O Vale dos Vinhedos é mesmo único no Brasil?
Sim, e dois selos comprovam. O Vale dos Vinhedos foi a primeira região brasileira a receber a Indicação de Procedência, em 2002, e a primeira a conquistar a Denominação de Origem (DO) para vinhos, em 2012, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Até hoje, é a única DO de vinhos do país.
O reconhecimento internacional veio em 2007, quando a Comunidade Europeia incluiu o Vale na lista de terceiros países com Indicação Geográfica protegida, conforme o Regulamento CE 1.493/1999. Na prática, isso significa que cada garrafa carrega regras rígidas de origem, manejo e variedades, equiparando a região a denominações clássicas como Bordeaux e Toscana.

Vale a pena viver em Bento Gonçalves?
Vale, e o motivo não é só o vinho. A cidade combina indústria moveleira de exportação, vinícolas familiares centenárias e uma economia turística que se mantém forte o ano inteiro, com inverno cheio e verão de colheita.
Segundo a Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), o município se consolidou como principal destino enoturístico do Brasil desde 2008, o que mantém o setor de serviços aquecido e gera empregos qualificados. O clima ameno da serra, com invernos rigorosos e verões suaves, atrai famílias em busca de qualidade de vida sem grandes centros urbanos.
O que fazer em Bento Gonçalves?
O roteiro local vai muito além das vinícolas. A cidade tem cinco rotas turísticas oficiais, segundo o portal Bento Gonçalves Turismo, e cada uma revela um traço diferente da herança italiana.
- Vale dos Vinhedos: a principal rota, com dezenas de vinícolas como Casa Valduga, Miolo e Dom Cândido, além de hospedagens de luxo entre os parreirais.
- Caminhos de Pedra: o maior conjunto arquitetônico rural da imigração italiana no Brasil, com casas de pedra do século 19, ateliês, cantinas e moinhos.
- Maria Fumaça – Trem do Vinho: passeio de 23 km em locomotiva a vapor pelas cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, com degustação de vinhos e shows ítalo-gaúchos.
- Pipa Pórtico: monumento de 17 metros que dá boas-vindas aos visitantes e abriga o posto de informações turísticas.
- Parque Cultural Epopeia Italiana: museu cênico com encenações teatrais que contam a saga dos imigrantes que chegaram à serra a partir de 1875.
- Via del Vino: calçadão central com fonte de água tingida na cor do vinho e prédios históricos.
A gastronomia é tão protagonista quanto as taças. A culinária local nasce da mesa farta dos imigrantes, com massas frescas, polenta e embutidos artesanais que acompanham os vinhos da terra.
- Galeto al primo canto: frango assado lentamente no espeto, prato símbolo do almoço italiano da serra.
- Polenta com molho de fortaia: receita rural feita com ovos, queijo e ervas, herança direta das cantinas coloniais.
- Capeleti in brodo: massa recheada servida em caldo de galinha, tradição das famílias do Vêneto.
- Salame colonial e queijos artesanais: produzidos nas cantinas dos Caminhos de Pedra, harmonizados com tintos jovens da região.
Quando ir a Bento Gonçalves?
A serra gaúcha oferece quatro estações bem definidas, e cada uma muda o ritmo das vinícolas. O verão concentra a colheita das uvas, conhecida como vindima, enquanto o inverno traz vinhos quentes e festivais gastronômicos em Bento Gonçalves.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Bento Gonçalves?
A cidade fica a cerca de 120 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-470, e a 110 km de Gramado. O Aeroporto Internacional Salgado Filho, na capital gaúcha, é o ponto de chegada para quem vem de outros estados, com voos diários das principais cidades do país.
Brinde com a história do vinho brasileiro
Bento Gonçalves é onde o Brasil aprendeu a fazer vinho fino, e o resultado dessa lição está em cada taça servida no Vale dos Vinhedos. Entre parreirais, casas de pedra e cantinas centenárias, a cidade preservou um pedaço da Itália que poucos lugares do mundo conseguem reproduzir.
Você precisa subir a serra e conhecer Bento Gonçalves, a cidade que transformou a saudade dos imigrantes em um dos maiores destinos enoturísticos do hemisfério sul.
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