“Com a IA, os melhores vão disparar. E os outros vão ficar para trás”, diz The Economist
A The Economist analisa como a inteligência artificial está ampliando as diferenças no mercado de trabalho, impulsionando os mais talentosos e tornando os menos qualificados ainda mais vulneráveis
Sundar Pichai, CEO da Alphabet, descreveu a inteligência artificial como “a mudança mais profunda de nossas vidas”. Dario Amodei, da Anthropic, afirmou que ela causará “a maior transformação do mercado de trabalho da história”. Sam Altman, da OpenAI, foi além: “Talvez em uma década, qualquer pessoa no planeta será capaz de fazer mais do que os indivíduos mais impactantes conseguem hoje”.
A ideia de que a IA poderia democratizar oportunidades no mercado de trabalho parecia promissora, mas novas pesquisas indicam o contrário: a tecnologia está ampliando a distância entre os melhores e o restante, diz a tradicional revista The Economist.
Estudos iniciais sugeriam que a IA beneficiaria mais os trabalhadores menos experientes. Um estudo de 2023 do MIT e da Universidade Stanford mostrou que ferramentas de IA aumentavam em 34% a produtividade de atendentes de suporte novatos, enquanto os mais experientes quase não percebiam diferença.
Outro estudo do MIT concluiu que escritores com menos habilidade melhoravam significativamente seus textos ao usar o ChatGPT. No setor jurídico, estudantes de pior desempenho elevaram a qualidade de seus trabalhos ao utilizar IA para redigir contratos.
Só que esse efeito não se sustenta diante de outra realidade.
Um estudo do MIT revelou que a IA quase dobrou a produtividade dos pesquisadores mais brilhantes, mas não trouxe nenhum ganho para os menos qualificados.
Em um experimento com empreendedores no Quênia, os mais bem-sucedidos aumentaram seus lucros em 15% com a ajuda da IA, enquanto os menos preparados tiveram prejuízo.
No setor financeiro, investidores experientes que usaram IA para analisar transcrições de balanços empresariais tiveram um aumento de quase 10% nos retornos, enquanto os menos sofisticados mal notaram diferença.
O impacto da IA varia conforme a profissão. Para controladores de tráfego aéreo, a tecnologia funciona como um assistente. Para caixas de supermercado, os sistemas de autoatendimento simplificaram a função e fizeram os salários estacionarem.
No setor jurídico, escritórios como A&O Shearman já usam IA para revisar contratos em segundos, reduzindo a necessidade de advogados juniores.
Como resumiu um executivo do setor financeiro: “O talento que será mais valorizado no curto prazo é a criatividade para explorar a IA de forma inovadora”.
A IA, segundo a matéria, amplia o alcance de quem já tem conhecimento e julgamento apurados.
Se no futuro a tecnologia realmente permitir que todos sejam “CEOs de seus próprios agentes de IA”, como prevê Jensen Huang, da Nvidia, a distância entre os melhores e piores persistirá. Apenas os mais talentosos saberão como usar.
Quem é The Economist
Fundado em 1843 no Reino Unido, The Economist é um dos veículos de imprensa mais respeitados do mundo, com análises aprofundadas sobre economia, política e tecnologia. Sua cobertura é conhecida pela abordagem global e pelo viés liberal clássico.
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