Área de lazer ou ringue de UFC? Mediando conflitos de crianças

29.09.2026

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Área de lazer ou ringue de UFC? Mediando conflitos de crianças
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4 minutos de leitura 01.06.2025 09:25 comentários
Imóveis | Condomínios

Área de lazer ou ringue de UFC? Mediando conflitos de crianças

Segundo AABIC, 43% das reclamações registradas nos condomínios estão relacionadas ao barulho causado por crianças nas áreas comuns

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Área de lazer ou ringue de UFC? Mediando conflitos de crianças
Foto: IA por Rodolfo Borges

Por mais que a infância seja sinônimo de energia, brincadeira e barulho, nem todo vizinho está preparado para viver esse espetáculo diário de correria, gritos e risadas nos espaços comuns do condomínio.

A área de lazer, pensada justamente para ser um ambiente seguro para crianças gastarem energia, muitas vezes vira cenário de discussões acaloradas entre pais, moradores e até mesmo o síndico. Afinal, quando a diversão extrapola os limites do bom senso, o condomínio vira palco — e às vezes até um “ringue” — de conflitos.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), 43% das reclamações registradas nos condomínios estão relacionadas ao barulho causado por crianças nas áreas comuns, especialmente em horários de descanso ou em locais indevidos.

Além disso, um levantamento do aplicativo CondoConta apontou que em 7 a cada 10 condomínios brasileiros houve, ao menos, uma ocorrência de desentendimento entre vizinhos envolvendo crianças nos últimos 12 meses.

Leia também: Pela paz nos condomínios 

O papel das regras: quem pode o quê?

Para o advogado especialista em direito condominial Felipe Faustino, o segredo está na prevenção e na clareza das regras.

“O problema não está nas crianças em si, mas na ausência de normas bem definidas e na falta de diálogo entre os adultos. Sem regras claras, cada um acha que está certo — e é aí que o condomínio perde o controle”, explica.

Cada condomínio deve contar com um regimento interno que determine horários, limites de uso e até a faixa etária indicada para cada espaço da área de lazer. Não é raro vermos crianças pequenas brincando em academias ou adolescentes ocupando brinquedos de playground, o que pode gerar desde acidentes até reclamações por uso indevido.

“Não basta ter uma piscina ou playground. É preciso saber quem pode usar, em que horário e com quais responsabilidades. E isso deve ser comunicado com clareza para todos os moradores”, reforça o Faustino.

Pais e responsáveis têm papel fundamental

Outro ponto sensível é a supervisão das crianças. Deixar menores sozinhos nas áreas comuns representa riscos à segurança e também alimenta conflitos.

“A responsabilidade é dos pais. O condomínio pode — e deve — determinar que menores de certa idade só utilizem os espaços acompanhados”, destaca o especialista.

Um estudo da administradora Lello Condomínios apontou que 65% dos síndicos entrevistados disseram ter enfrentado situações em que crianças desacompanhadas causaram acidentes ou atritos com outros moradores.

E quando o clima esquenta?

Nem sempre os moradores resolvem com diálogo. Quando a gritaria das crianças vira gritaria entre adultos, o síndico precisa agir.

“O papel do síndico não é o de juiz, mas o de mediador. Ele pode promover reuniões, sugerir acordos e, em casos extremos, aplicar advertências e multas conforme o regimento”, orienta Faustino.

No entanto, o advogado alerta: bom senso é essencial.

“Não se multa uma criança por brincar, mas sim um adulto que ignora regras ou coloca os outros em risco.”

Soluções práticas e pacificadoras

Para evitar que a diversão vire problema, algumas medidas podem fazer toda a diferença:

  • Placas educativas e lúdicas: comunicados com linguagem acessível e divertida funcionam melhor que avisos ríspidos.
  • Horários bem definidos: limites de uso ajudam todos a se programarem, respeitando o direito ao descanso dos demais.
  • Atividades organizadas nas férias: oficinas, recreações e campeonatos promovidos pelo condomínio ajudam a canalizar a energia infantil e evitam a superlotação das áreas comuns.
  • Canais de comunicação abertos: grupos de WhatsApp bem moderados ou murais de recado podem prevenir mal-entendidos e facilitar o diálogo.

O que deveria ser um espaço de alegria pode sim se transformar em palco de conflitos — mas não precisa ser assim.

“Com regras claras, boa comunicação e empatia entre vizinhos, a área de lazer volta a cumprir seu papel: ser um lugar de convivência, e não de combate”, finaliza Faustino.

Por Felipe Faustino – Escritório Faustino & Teles e Sindicolab

Leia mais: Crianças em condomínio: até onde vai a diversão? 

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