Vermes que parecem macarrão surgiram a centenas de metros de profundidade com estruturas de sucção nunca vistas no grupo
Novo gênero de “vermes espaguete” foi descrito a partir de exemplares do Índico, com estruturas ventrais cuja função ainda é hipótese.
Pesquisadores descreveram o novo gênero Terebellosuctoria a partir de vermes marinhos coletados perto da Ilha Christmas e das Ilhas Cocos (Keeling), no oceano Índico. Os animais pertencem ao grupo dos chamados “spaghetti worms”, por causa dos muitos tentáculos alongados, mas chamaram atenção por exibir estruturas ventrais semelhantes a ventosas. A função exata ainda não foi demonstrada.
O que torna o gênero Terebellosuctoria diferente?
O traço mais incomum é a presença de estruturas de sucção na face ventral do corpo, algo que motivou o nome do gênero. No estudo publicado em Records of the Australian Museum, os autores concluíram que esses exemplares não representavam apenas espécies novas, mas um gênero até então desconhecido dentro da família Terebellidae.
Como outros terebelídeos, esses vermes também possuem muitos tentáculos finos para coletar partículas de alimento e vivem associados a tubos protetores.

Que características os exemplares mostraram?
Os espécimes estudados reuniam um conjunto de traços que ajudou a separá-los de outros “vermes espaguete” conhecidos:
- Tentáculos numerosos e muito ramificados.
- Corpo segmentado com brânquias anteriores.
- Estruturas ventrais arredondadas, tipo ventosa.
- Vida associada a tubos extensos e protetores.
Como os pesquisadores interpretam essas estruturas ventrais?
O estudo descreve o que foi observado ao microscópio e separa isso da interpretação funcional. A presença das estruturas é um fato anatômico; sua utilidade ainda é uma hipótese.
Para que essas ventosas podem servir?
A hipótese apresentada pelos autores é que elas ajudem na fixação do animal dentro do tubo, sobretudo em encostas de montes submarinos onde há pouca disponibilidade de sedimento estável. Essa interpretação aparece também em material do Australian Museum, mas ainda não foi testada diretamente por observação do comportamento em vida.

Em outras palavras, os pesquisadores descrevem uma adaptação plausível, não uma função comprovada por experimento.
Onde os vermes foram encontrados e o que mais o estudo trouxe?
Os exemplares vieram de expedições do navio RV Investigator, em 2021 e 2022, ao redor de montes submarinos próximos das ilhas do território australiano no Índico. O trabalho também mostrou que a descoberta faz parte de um inventário maior:
- Duas espécies novas foram incluídas no gênero.
- Uma delas foi nomeada Terebellosuctoria jimii.
- A outra recebeu o nome T. keelingensis.
- O artigo descreveu sete espécies novas no total.
O novo gênero amplia o que se sabe sobre a vida profunda
A descrição de Terebellosuctoria mostra que a taxonomia do fundo do mar ainda reserva combinações anatômicas inesperadas. As ventosas ventrais foram reconhecidas como uma novidade relevante, mas sua função permanece como hipótese ligada ao modo de vida em tubos e ao ambiente profundo.
Esse tipo de estudo também revela como a descoberta científica continua após a coleta. Só com comparação morfológica, DNA e microscopia os pesquisadores puderam separar as espécies novas e justificar a criação de um gênero próprio.
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