Veja o megatelescópio de 39 metros com 798 espelhos que está sendo erguido no topo de uma montanha isolada
Gigantesco observatório no Atacama usará centenas de segmentos controlados com precisão nanométrica para formar um único espelho de 39 metros
A quase 3.000 metros de altitude, no deserto do Atacama, uma gigantesca estrutura metálica começa a assumir sua forma definitiva. O telescópio ELT terá um espelho principal de 39 metros formado por centenas de peças que precisarão funcionar como se fossem uma única superfície perfeita.
Por que o telescópio ELT precisa de um espelho de 39 metros?
O Extremely Large Telescope está sendo construído pelo Observatório Europeu do Sul, o ESO, no Cerro Armazones, no norte do Chile. Quando entrar em operação, será o maior telescópio óptico e infravermelho extremamente grande já construído, permitindo captar objetos muito mais fracos e distantes do que os instrumentos terrestres atuais.
O problema é que seria inviável fabricar, transportar e sustentar um único espelho de vidro com 39 metros. A solução foi dividir o componente principal, chamado M1, em 798 segmentos hexagonais de aproximadamente 1,4 metro, criando um mosaico gigantesco controlado eletronicamente.
Como 798 espelhos podem funcionar como uma única peça?
Cada segmento terá seu próprio sistema de suporte e posicionamento. Sensores instalados nas bordas medirão continuamente pequenas diferenças entre as peças, enquanto atuadores corrigirão suas posições para manter a curvatura necessária durante as observações. A precisão exigida não é apenas milimétrica, como às vezes aparece em conteúdos virais, mas chega à escala de poucos nanômetros.
- 798 segmentos permanecem instalados no espelho principal.
- Cada segmento mede cerca de 1,4 metro.
- Aproximadamente 9.000 sensores monitoram as bordas.
- Cerca de 2.500 atuadores ajudam a controlar o conjunto.
- Segmentos adicionais ficam disponíveis para manutenção e recoating.
O vídeo oficial do ESO publicado em 2026 entra na estrutura em construção e mostra tanto o interior da enorme cúpula quanto as instalações preparadas para receber e revestir os segmentos do espelho. É um registro recente e diretamente relacionado ao avanço real do ELT.
Como o telescópio ELT consegue alinhar centenas de segmentos com precisão nanométrica?
Os sensores de borda conseguem medir a posição relativa dos segmentos com precisão de poucos nanômetros. A informação é enviada ao sistema de controle, que comanda atuadores capazes de inclinar e deslocar cada peça. O objetivo é fazer todo o mosaico refletir a luz como uma superfície óptica praticamente contínua.
Essa precisão precisa ser mantida mesmo enquanto uma estrutura de milhares de toneladas muda de posição para acompanhar o céu. Temperatura, gravidade e pequenas deformações mecânicas alteram constantemente o conjunto, obrigando o telescópio a realizar correções durante seu funcionamento.
Qual é o tamanho da cúpula que protegerá essa máquina?
A cúpula do ELT terá cerca de 80 metros de altura e, completamente equipada, pesará aproximadamente 6.100 toneladas. Mesmo com essa massa, toda a cobertura deverá girar 360 graus sobre 36 conjuntos de apoio para acompanhar o movimento do telescópio durante as observações.
O próprio Cerro Armazones precisou ser preparado para receber a construção. Sua posição no deserto oferece céu extremamente seco e baixa interferência luminosa, condições fundamentais para um instrumento que pretende observar objetos muito fracos no Universo.
Em que estágio está a construção do telescópio ELT?
Em abril de 2026, o projeto já havia ultrapassado 70% de conclusão. A estrutura principal avançou dentro da cúpula e, em julho, o enorme conjunto que sustentará os espelhos realizou pela primeira vez uma rotação completa em torno do eixo vertical utilizando motores auxiliares.
Enquanto isso, centenas de segmentos do M1 já passam por processamento, polimento, integração e revestimento. O cronograma atual do ESO prevê a conclusão da cúpula em 2027, a instalação dos segmentos principais em 2028 e a primeira luz do telescópio em 2029.

O que esse gigantesco olho poderá enxergar no Universo?
O tamanho do espelho permitirá coletar uma quantidade extraordinária de luz e produzir observações detalhadas de galáxias distantes, buracos negros, formação de estrelas e planetas que orbitam outros sóis. Instrumentos avançados e óptica adaptativa também serão usados para compensar a turbulência da atmosfera terrestre.
É justamente essa combinação que torna o Extremely Large Telescope diferente de simplesmente construir um “telescópio maior”. Centenas de espelhos, milhares de sensores, uma cúpula móvel gigantesca e sistemas ópticos extremamente precisos precisarão trabalhar simultaneamente para transformar 798 superfícies independentes em um único olho de 39 metros voltado para o Universo.
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