Uma lagoa conhecida pela cor avermelhada perdeu o tom depois que a faixa de areia se rompeu e abriu passagem para o mar
Rompimento na Praia do Foguete reduziu o volume da lagoa e alterou sua aparência, enquanto autoridades investigam as causas da abertura
A Lagoa Vermelha, também chamada de Lagoa da Barra Nova, perdeu parte de sua água e da coloração característica após o rompimento da faixa de areia que a separava do Oceano Atlântico. O episódio aconteceu entre 18 e 19 de outubro de 2026, na divisa de Cabo Frio com Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, e passou a ser investigado pelas autoridades ambientais.
Como a Lagoa Vermelha perdeu parte de sua água após o rompimento da areia?
A transformação aconteceu na Praia do Foguete, onde uma barreira arenosa mantinha a lagoa separada do mar. Quando surgiu uma abertura, a diferença de nível permitiu que a água acumulada escoasse em direção ao oceano. A passagem aumentou o fluxo e deixou extensas áreas anteriormente inundadas expostas.
Imagens registradas por moradores mostraram a mudança na paisagem, incluindo a redução do espelho d’água e o aparecimento de trechos lamacentos. O fenômeno também afetou passeios turísticos, pois a lagoa era utilizada como ponto de parada para visitantes que percorrem a região em veículos de passeio.
Por que a Lagoa Vermelha deixou de apresentar sua coloração característica?
A aparência avermelhada de ambientes lagunares pode estar relacionada à presença de microrganismos pigmentados, sedimentos e condições químicas específicas. Mudanças no volume, na salinidade e na concentração dessas partículas modificam a maneira como a luz interage com a água, alterando sua coloração.
No episódio de outubro, diferentes processos podem ter contribuído para a transformação observada. Entre os principais fatores estão:
- Escoamento de grande quantidade de água em direção ao oceano;
- Exposição de sedimentos anteriormente submersos;
- Possíveis mudanças na salinidade após a conexão;
- Alterações na concentração de microrganismos e partículas;
- Redistribuição de sedimentos provocada pela circulação da água.
Um vídeo publicado em junho de 2022 pelo canal Casal Viking apresenta a Lagoa Vermelha, sua aparência anterior ao rompimento de 2026 e a proximidade com o mar.
Como a salinidade e os microrganismos podem modificar a cor de uma lagoa?
Em lagoas salinas, determinados microrganismos produzem pigmentos que podem conferir tonalidades rosadas, alaranjadas ou avermelhadas à água e aos sedimentos. A intensidade depende de fatores como concentração de sais, luminosidade, temperatura, nutrientes e composição das comunidades microscópicas.
Quando ocorre uma conexão inesperada com o mar, essas condições podem mudar rapidamente. Entretanto, a perda de cor não comprova, isoladamente, a morte de microrganismos. Para identificar a causa exata, seria necessário comparar amostras anteriores e posteriores, medindo salinidade, pigmentos, turbidez e abundância microbiana.
O que o Inea está investigando sobre a abertura da Lagoa Vermelha?
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em conjunto com as prefeituras de Cabo Frio e Arraial do Cabo, iniciou uma investigação para determinar a origem do rompimento. Conforme a reportagem da CNN Brasil sobre a apuração ambiental, existem suspeitas de intervenção humana, mas a responsabilidade não havia sido comprovada.
Vídeos mostraram banhistas cavando areia na região, porém um dos participantes afirmou que a atividade não tinha relação com a abertura. As autoridades também consideram a possibilidade de rompimento natural após chuvas intensas. Em 23 de outubro, o Inea informou que a barreira havia se recomposto naturalmente pela ação do vento.

Quais números ajudam a explicar a transformação da Lagoa Vermelha?
As chuvas anteriores ao rompimento chamaram a atenção dos órgãos municipais. Segundo a Defesa Civil de Cabo Frio, setembro de 2026 acumulou quase 300 milímetros de precipitação, diante de uma média climatológica próxima de 50 milímetros. Esse excesso pode ter aumentado a pressão da água sobre a barreira arenosa.
A faixa que separava os ambientes possuía aproximadamente 30 metros de largura no trecho afetado. Apesar da recomposição em 23 de outubro, a lagoa não recuperou imediatamente o volume anterior. Os registros mostram a sequência do acontecimento, mas não permitem quantificar precisamente a água perdida.
| Indicador | Registro |
|---|---|
| Chuva em setembro | Quase 300 mm |
| Média de setembro | Cerca de 50 mm |
| Rompimento | 18 a 19/10/2026 |
| Largura da barreira | Aproximadamente 30 m |
| Recomposição natural | 23/10/2026 |
A Lagoa Vermelha poderá recuperar sua cor e seu equilíbrio ambiental?
A recuperação depende das chuvas, da evaporação, da circulação subterrânea e da reorganização dos sedimentos. Com a passagem novamente fechada, o nível pode subir gradualmente, mas o restabelecimento da coloração exige condições ambientais favoráveis. Não existe prazo cientificamente confirmado para que isso aconteça.
O episódio também demonstra os riscos de modificar artificialmente sistemas costeiros. Uma abertura aparentemente pequena pode alterar rapidamente o volume de água e as condições de sobrevivência de organismos aquáticos. Por isso, intervenções precisam de avaliação técnica, especialmente em áreas protegidas como o Parque Estadual da Costa do Sol.
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