Uma descoberta em Bornéu mostra que até fungos zumbis podem ser atacados por organismos ainda mais estranhos
O novo fungo parasita o fungo que já infectava formigas
Cientistas da Malásia encontraram nas florestas de Bornéu uma nova espécie de fungo com um comportamento digno de filme, mas real. Chamado Pleurocordyceps cornusynnemata, ele é considerado um hiperparasita porque não ataca apenas um inseto: ele parasita outro fungo que já havia infectado a formiga. A descoberta chama atenção por revelar uma camada ainda mais complexa da natureza, em que até o famoso fungo zumbi pode virar alvo de outro organismo.
Por que o fungo descoberto em Bornéu é tão incomum?
O novo fungo foi encontrado em uma formiga morta coletada no Vale de Danum, uma área de floresta em Sabah, na parte malaia de Bornéu. O detalhe que surpreendeu os pesquisadores é que a formiga já estava ligada a um fungo do grupo Ophiocordyceps.
Esse grupo é conhecido por infectar insetos e alterar seu comportamento antes de matá-los. Mas, nesse caso, o novo fungo não manipula diretamente a formiga: ele invade e se alimenta do tecido do fungo que já estava crescendo dentro do inseto.

O que significa ser um hiperparasita?
Um hiperparasita é um parasita de outro parasita. Em vez de atacar o hospedeiro principal de forma direta, ele usa como alvo o organismo que já estava explorando esse hospedeiro.
No caso da espécie descoberta, o alvo é o fungo que infecta a formiga. Por isso, a descoberta mostra uma relação ecológica em camadas, com inseto, parasita e outro parasita disputando espaço no mesmo sistema.
Como esse fungo se relaciona com as formigas zumbis?
As chamadas formigas zumbis ficam famosas porque certos fungos conseguem afetar seu comportamento antes da morte. Após o inseto morrer, o fungo cresce a partir do corpo e libera esporos no ambiente.
- O Ophiocordyceps infecta a formiga e usa o corpo do inseto para se desenvolver.
- O novo Pleurocordyceps entra nesse sistema e parasita o fungo já instalado.
- A espécie recebeu nome ligado à sua estrutura em forma de chifre.
- Ela foi descrita a partir de material coletado em floresta tropical de Bornéu.
- A descoberta reforça a enorme diversidade de fungos ainda pouco conhecida.
Esse tipo de relação mostra que a natureza pode ser mais intricada do que parece. Mesmo organismos especializados em parasitar insetos podem ter seus próprios inimigos naturais.

Por que essa descoberta importa para a ciência?
Além da curiosidade biológica, fungos desse tipo podem ajudar pesquisadores a entender melhor controle natural de populações, interações entre espécies e substâncias com possível uso futuro.
Os pesquisadores também registraram outros fungos associados a insetos, incluindo uma espécie capaz de infectar aranhas. Essas descobertas reforçam o papel das florestas tropicais como reservatórios de organismos ainda pouco estudados.
Esse fungo representa perigo para pessoas?
Não há indicação de que a nova espécie represente ameaça direta para humanos. O interesse científico está principalmente em entender como fungos, insetos e outros microrganismos interagem em ambientes naturais.
A descoberta mostra que a biodiversidade escondida nas florestas ainda guarda relações surpreendentes. Em Bornéu, até um fungo capaz de transformar insetos em hospedeiros pode ser atacado por outro fungo ainda mais especializado.
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