Por que algumas dunas de areia no deserto começam a emitir um canto grave que pode ser ouvido a quilômetros
O estranho ruído surge sem máquinas ou animais por perto e depende de uma combinação rara escondida na própria areia
O silêncio do deserto pode ser interrompido por um ruído grave que parece nascer sob os pés e se espalhar por toda a paisagem. O som lembra um motor distante, um enorme instrumento musical ou um coro escondido dentro da areia, embora não exista máquina, animal ou passagem subterrânea produzindo aquela vibração.
Por que algumas dunas parecem esconder um som subterrâneo?
Relatos sobre desertos “cantores” atravessam séculos. Viajantes que cruzaram regiões da Ásia, da África e das Américas descreveram estrondos, zumbidos e notas prolongadas surgindo sem uma fonte visível. Então, em lugares isolados, o fenômeno foi associado a espíritos, criaturas enterradas e vozes que tentavam desorientar quem atravessava o deserto.
Porém, nem toda duna produz esse efeito, mesmo quando recebe vento forte ou apresenta dimensões impressionantes. O som depende de uma combinação incomum entre inclinação, secura, estrutura interna e características dos grãos. Assim, duas montanhas de areia aparentemente idênticas podem reagir de maneira completamente diferente quando suas encostas começam a deslizar.
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O que faz as dunas cantoras emitirem aquele ruído grave?
As dunas cantoras produzem som quando uma grande quantidade de areia seca desliza de maneira organizada pela face mais inclinada da formação. Então, milhares ou milhões de grãos entram em movimento quase simultaneamente, chocando-se e escorregando uns sobre os outros. Essas vibrações se sincronizam e formam uma frequência dominante que pode ser ouvida a grande distância.
- A areia precisa estar bastante seca
- Os grãos devem apresentar características semelhantes
- Uma camada superficial precisa entrar em movimento
- O deslizamento deve alcançar velocidade suficiente
- A estrutura da duna precisa favorecer a propagação das vibrações
- A umidade pode enfraquecer ou impedir completamente o som
No vídeo “Singing Sand Phenomenon”, o canal Great Sand Dunes National Park and Preserve registra o som grave produzido durante uma pequena avalanche de areia e mostra como milhões de grãos em movimento conseguem fazer uma duna vibrar.
O vento realmente é responsável pelo canto da areia?
O vento participa do processo ao transportar os grãos, remodelar as encostas e levar a duna até seu limite natural de estabilidade. Então, quando a face inclinada fica íngreme demais, uma camada superficial pode ceder e descer como uma pequena avalanche. É esse movimento coletivo, e não simplesmente o ar soprando sobre a areia parada, que costuma produzir os sons mais profundos e prolongados.
Assim, pessoas também conseguem provocar o fenômeno ao deslizar pela encosta, empurrar areia para baixo ou caminhar em determinados pontos. Porém, mexer em uma pequena quantidade geralmente produz apenas um rangido curto. Para criar o famoso estrondo semelhante a um avião ou instrumento de cordas, uma massa muito maior precisa se mover de forma sincronizada.
Por que apenas algumas dunas cantoras conseguem amplificar o som?
Uma das explicações científicas propõe que a camada de areia seca e solta próxima à superfície funciona como um guia natural para as ondas. Então, as vibrações geradas pelos grãos em movimento ficam parcialmente confinadas entre camadas com propriedades diferentes. Isso permite que determinadas frequências se reforcem, em vez de desaparecerem rapidamente dentro da duna.
| Condição da duna | Efeito sobre os grãos | Som provável | Resultado observado |
|---|---|---|---|
| Areia muito seca | Os grãos deslizam com facilidade | Grave e prolongado | Maior possibilidade de ressonância |
| Areia úmida | Os grãos ficam mais unidos | Fraco ou inexistente | O movimento perde sincronização |
| Pequeno deslocamento | Poucos grãos entram em atrito | Chiado ou rangido curto | Vibração localizada |
| Avalanche ampla | Milhões de grãos se movem juntos | Estrondo entre 70 e 105 Hz | Som audível a longa distância |
Medições apresentadas em um estudo publicado na Geophysical Research Letters identificaram frequências dominantes entre aproximadamente 70 e 105 hertz. Porém, a física completa continua sendo debatida, pois diferentes modelos atribuem maior importância à sincronização dos grãos, à profundidade da camada móvel ou à estrutura interna que amplifica as ondas.
Por que a umidade consegue silenciar uma duna inteira?
Uma pequena quantidade de água modifica o contato entre os grãos e cria forças que dificultam seu deslizamento independente. Então, depois de chuva, neblina intensa ou aumento da umidade, a superfície pode deixar de se comportar como uma camada seca e solta. Sem o movimento coordenado, as vibrações perdem força antes de formar uma nota contínua.
Porém, a duna não perde essa capacidade para sempre. Quando o sol e o vento secam novamente a camada superficial, o som pode retornar. Assim, uma formação conhecida por produzir estrondos durante determinada estação pode permanecer silenciosa em outra, confundindo visitantes que chegam ao mesmo lugar e encontram condições diferentes das registradas anteriormente.

Onde é possível ouvir as dunas cantoras pelo mundo?
Dunas sonoras foram registradas em regiões como o deserto de Gobi, na Ásia, o Namibe, na África, o Atacama, na América do Sul, e diferentes áreas arenosas dos Estados Unidos. Então, embora o fenômeno seja raro, ele não pertence a um único tipo de deserto. Há também praias que produzem chiados ou assobios quando alguém caminha sobre a areia, embora o mecanismo e a escala sonora possam ser diferentes.
As dunas cantoras mostram que uma paisagem aparentemente imóvel guarda movimentos internos capazes de produzir ondas audíveis. Assim, o estranho coro do deserto não vem apenas do vento nem de cavidades misteriosas sob o solo. Ele nasce quando incontáveis grãos secos deslizam juntos e transformam uma encosta inteira em uma espécie de instrumento natural.
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