O poço de Washington que teria engolido 24 km de linha sem revelar o fundo e virou uma lenda nacional após uma ligação de rádio em 1997
Mel Waters afirmou ter usado 80 mil pés de linha de pesca, mas expedições, geólogos e registros públicos nunca comprovaram a existência da abertura
A história começou com a voz de um desconhecido atravessando os Estados Unidos durante um programa de rádio noturno. Ele dizia possuir um buraco que recebia eletrodomésticos, animais mortos e toneladas de lixo sem jamais ficar cheio. Quando o homem afirmou ter baixado mais de 24 quilômetros de linha sem alcançar o fundo, o relato local ganhou proporções nacionais e se transformou em um dos maiores mistérios modernos de Washington.
Como o Poço de Mel surgiu numa ligação de rádio em 1997?
Em 21 de fevereiro de 1997, um homem que se apresentou como Mel Waters entrou em contato com o programa Coast to Coast AM, apresentado por Art Bell. Ele afirmou viver em uma propriedade rural situada cerca de 14 quilômetros a oeste de Ellensburg, no estado de Washington, onde existiria um poço circular usado havia décadas como depósito pelos moradores da região.
Segundo Waters, as pessoas jogavam pneus, móveis, materiais de construção, eletrodomésticos e outros objetos no local, mas o nível do lixo nunca aparecia perto da abertura. O detalhe despertou sua curiosidade e o levou a tentar descobrir a profundidade da estrutura. A entrevista radiofônica virou a origem documentada da lenda, embora nenhuma imagem produzida por ele tenha comprovado a existência do buraco.
O que aconteceu quando tentaram medir o Poço de Mel com linha de pesca?
Waters contou que amarrou um peso a uma linha de pesca e começou a descê-la pelo poço. Depois dos primeiros rolos, teria comprado grandes quantidades de linha e unido os segmentos. O experimento terminou quando a extensão acumulada chegou a 80 mil pés, equivalentes a 24.384 metros, sem que ele percebesse qualquer contato com o fundo.
- Extensão alegada da linha: 80 mil pés
- Conversão aproximada: 24,4 quilômetros
- Local indicado: Oeste de Ellensburg
- Ano da primeira entrevista: 1997
- Resultado relatado: Nenhum fundo detectado
- Prova física apresentada: Nenhuma
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O vídeo “Mel’s Hole”, disponibilizado pela Universidade de Washington, reconstrói a origem da história e mostra como a narrativa se espalhou depois das participações de Mel Waters no rádio. O material apresenta o contexto folclórico do caso, a alegação dos 80 mil pés e a ausência de uma localização verificável, complementando o artigo sem tratar o buraco como uma descoberta geológica comprovada.
Por que objetos jogados no buraco supostamente nunca faziam barulho?
Durante as entrevistas, Mel afirmou que moradores haviam transformado o local em uma espécie de depósito comunitário. Um refrigerador teria sido empurrado pela abertura sem produzir qualquer som de impacto. Pedras e outros objetos também desapareceriam na escuridão sem oferecer uma indicação clara da profundidade. Essas informações, entretanto, vieram do próprio narrador e não foram registradas por pesquisadores independentes.
Não ouvir um objeto atingir o fundo não prova que um poço seja interminável. Paredes irregulares podem desviar o som, materiais podem ficar presos em saliências e a profundidade pode dificultar a chegada do ruído à superfície. No caso da linha de pesca, atrito, deformação, correntes de ar e pontos de contato com as paredes também impediriam que apenas a sensação de tensão fornecesse uma medição confiável.
Quais números tornam a história fisicamente tão difícil de aceitar?
Uma abertura vertical com 24 quilômetros de profundidade seria muito mais profunda que o Poço Superprofundo de Kola, perfuração científica realizada na antiga União Soviética que chegou a 12.262 metros. Kola levou anos de trabalho, utilizou equipamentos industriais e possuía apenas o diâmetro de uma perfuração, não uma abertura larga capaz de receber geladeiras ou grandes animais.
O geólogo Pat Pringle, do Departamento de Recursos Naturais de Washington, explicou que o terreno vulcânico da região torna improvável uma cavidade vertical com essa profundidade. Além do risco de desmoronamento, o aumento de pressão e temperatura faria uma linha comum sofrer danos muito antes de chegar aos 80 mil pés alegados.
O Poço de Mel foi encontrado por alguma expedição em Washington?
Em 2002, aproximadamente 30 pessoas participaram de uma busca na área de Manastash Ridge, levando mapas, aparelhos de GPS e detectores de metais. O grupo reuniu pesquisadores paranormais, curiosos, cineastas amadores e pelo menos um participante cético, mas terminou a expedição sem localizar a abertura descrita no programa de rádio.
A investigação também enfrentou um problema básico: a localização nunca foi apresentada de maneira verificável. Relatos posteriores indicaram que não havia registros públicos confirmando que uma pessoa chamada Mel Waters tivesse residido ou possuído a propriedade indicada no condado de Kittitas. Existem minas antigas, poços e cavidades na região, mas nenhum deles foi ligado de forma conclusiva ao relato dos 24 quilômetros.

Por que a lenda continua viva mesmo sem uma localização comprovada?
A história ganhou força porque misturava elementos familiares com afirmações impossíveis de verificar. Poços abandonados e antigas entradas de minas realmente fazem parte da paisagem rural, enquanto o rádio permitia que Mel contasse novos capítulos sem revelar seu rosto, documentos ou coordenadas. Nas entrevistas seguintes, a narrativa passou a incluir animais que evitavam a área, fenômenos estranhos e uma suposta intervenção governamental.
A Universidade de Washington classificou o caso dentro de uma produção sobre mitos e lendas dos Estados Unidos. O Poço de Mel permanece intrigante não porque alguém tenha demonstrado que ele é infinito, mas porque uma ligação feita em 1997 transformou uma história sem endereço, fotografias ou evidências físicas em um mistério repetido por gerações.
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