O avião de 16 metros construído ao redor de um canhão de 6 metros que dispara 3,9 mil tiros por minuto e desacelera com o próprio recuo
O enorme GAU-8 Avenger ocupa grande parte da fuselagem, deslocou o trem de pouso para o lado e produz um recuo superior ao empuxo de um dos motores
O nariz largo, as asas retas e os motores instalados perto da cauda fazem o A-10 Thunderbolt II parecer estranho ao lado de caças modernos. Seu formato, porém, não nasceu para vencer concursos de aerodinâmica. Cada parte importante do avião foi organizada para acomodar um canhão tão grande que até o trem de pouso precisou ser deslocado para o lado.
Por que o A-10 foi desenhado de trás para frente?
No fim da década de 1960, a Força Aérea dos Estados Unidos procurava uma aeronave especializada no apoio às tropas terrestres. Ela deveria voar em baixa altitude, permanecer por bastante tempo sobre uma região e resistir a danos que poderiam derrubar aviões mais rápidos e delicados. O projeto também precisava transportar uma arma capaz de atingir veículos blindados.
A solução escolhida foi o A-10 Thunderbolt II, produzido pela Fairchild Republic e levado ao primeiro voo em 1972. Em vez de adaptar um caça existente, os engenheiros começaram pelas exigências da missão e pela enorme arma que ocuparia seu nariz. Por isso, costuma-se dizer que o A-10 não recebeu um canhão: o restante do avião foi construído ao redor dele.
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Como o canhão do A-10 domina toda a parte dianteira?
O GAU-8/A Avenger possui sete canos rotativos de 30 milímetros e faz parte de um sistema que inclui tambor de munição, mecanismos de alimentação e estruturas de suporte. O conjunto completo chega perto de seis metros de comprimento e, quando carregado, aproxima-se de duas toneladas. Essa dimensão é comparada popularmente à de um Volkswagen Fusca.
- Quantidade de canos: Sete
- Calibre: 30 milímetros
- Cadência máxima utilizada: 3.900 disparos por minuto
- Capacidade do sistema: Até 1.350 projéteis
- Comprimento aproximado do conjunto: Seis metros
- Peso carregado: Perto de duas toneladas
O tambor fica atrás da arma e ocupa grande parte do espaço inferior da fuselagem. Como o cano que realiza o disparo precisava permanecer alinhado ao centro do avião, o trem de pouso dianteiro foi instalado ligeiramente para o lado. Até a distribuição do peso foi calculada em torno do GAU-8: durante determinadas manutenções, a cauda precisa ser apoiada para impedir que a aeronave se incline quando o conjunto é retirado.
O sistema realmente possui o tamanho de um Fusca?
A comparação exige uma explicação. Somente a parte formada pelos canos e pelo mecanismo principal é menor do que um carro. O que se aproxima das dimensões de um Fusca é o sistema completo, incluindo a arma, o grande tambor circular, a alimentação da munição e os componentes que conectam tudo à estrutura do avião.
O A-10 mede aproximadamente 16 metros de comprimento, o que significa que o sistema ocupa uma parcela considerável da fuselagem. Visto fora da aeronave, o GAU-8 revela por que o nariz possui aquele formato tão característico: não havia como esconder uma estrutura desse tamanho dentro do desenho estreito de um caça convencional.
Quais números explicam a força do canhão do A-10?
A ficha técnica da Força Aérea norte-americana informa uma cadência de até 3.900 disparos por minuto, equivalente a aproximadamente 65 projéteis por segundo depois que os canos alcançam a rotação necessária. Na prática, os disparos são realizados em rajadas curtas, e não durante um minuto inteiro sem interrupção.
Entre os tipos desenvolvidos para a aeronave está a munição perfurante com núcleo de urânio empobrecido, material escolhido por sua elevada densidade. O carregamento também pode incluir projéteis de efeito incendiário e explosivo. A presença de mais de um tipo explica por que não é correto afirmar que todos os 3.900 disparos possíveis seriam necessariamente de urânio empobrecido.
O recuo realmente consegue parar o avião no ar?
O disparo produz uma força média de recuo estimada em aproximadamente 44,5 quilonewtons, valor ligeiramente superior ao empuxo produzido por apenas um dos dois motores TF34 do A-10. Essa comparação ajudou a criar o mito de que uma rajada longa poderia fazer o avião parar no céu ou começar a voar para trás.
Isso não acontece. Os dois motores funcionando juntos produzem mais empuxo do que a força média do recuo, e a aeronave já está avançando em alta velocidade quando o disparo começa. O efeito real é uma pequena redução de velocidade durante a rajada. Para evitar que a força desvie o nariz, o cano ativo foi posicionado no eixo longitudinal do avião, transmitindo o recuo de maneira equilibrada pela estrutura.

Por que o canhão do A-10 se tornou mais famoso que o próprio avião?
A cadência elevada faz com que dezenas de disparos separados cheguem aos ouvidos como um único som grave e prolongado, popularmente reproduzido como “brrrt”. Como os projéteis viajam muito mais rápido do que o som, um observador distante pode perceber primeiro os impactos e somente depois escutar o ruído produzido pela arma.
A fama também nasceu da aparência incomum da aeronave e de sua capacidade de permanecer voando mesmo após sofrer danos. O piloto fica protegido por uma estrutura de titânio, os motores foram separados e posicionados na parte superior da fuselagem, e diferentes sistemas receberam redundância. O resultado foi uma máquina na qual arma, blindagem, asas e motores fazem parte da mesma ideia: sobreviver perto do solo enquanto oferece apoio às forças terrestres.
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