O engolfamento planetário pode redesenhar o destino da Terra
No futuro distante, o Sol deixará de ser uma estrela estável e entrará em uma fase de expansão extrema
No futuro distante, o Sol deixará de ser uma estrela estável e entrará em uma fase de expansão extrema.
Nesse cenário, previsto para cerca de 5 bilhões de anos no futuro, poderá ocorrer o chamado engolfamento planetário, quando planetas muito próximos passam a atravessar a atmosfera dilatada da estrela.
O que é engolfamento planetário na prática?
Na astronomia, engolfamento planetário é a fase em que um planeta deixa de orbitar fora da estrela e passa a se mover dentro de seu invólucro gasoso expandido. Não é uma colisão súbita, mas um contato prolongado com gás quente e denso, que altera a órbita e a estrutura do planeta.
Nesse ambiente extremo, o planeta sofre atrito com o gás, aquecimento intenso e perda de material. Em muitos casos, o corpo é fragmentado ou totalmente incorporado à estrela, podendo ainda modificar temporariamente o brilho e a rotação estelar.

Quais são os principais efeitos físicos durante o engolfamento?
Simulações indicam que o engolfamento combina hidrodinâmica, gravidade e transferência de energia. O gás estelar age como um “freio” orbital, enquanto o aquecimento pode vaporizar rochas e atmosferas, alterando também o interior do planeta e a química da estrela.
Os principais efeitos podem ser resumidos em fenômenos centrais estudados por modelos modernos de evolução estelar e planetária:
- Atrito com o gás estelar, que reduz a energia orbital do planeta;
- Aquecimento extremo, capaz de derreter e vaporizar materiais sólidos;
- Troca de momento angular, com impacto na rotação estelar;
- Alterações temporárias no brilho, detectáveis em outras estrelas.
Como o Sol se transforma em gigante vermelha?
Atualmente, o Sol se mantém estável pela fusão de hidrogênio em seu núcleo. Com o consumo gradual desse combustível, o núcleo se contrai e aquece, enquanto as camadas externas se expandem, dando origem à fase de gigante vermelha, mais inchada e com superfície mais fria.
Modelos indicam que o raio solar poderá alcançar ou ultrapassar as órbitas atuais de Mercúrio e Vênus, aproximando-se perigosamente da órbita terrestre. Essa expansão é acompanhada de forte perda de massa por ventos estelares, que também alteram as órbitas planetárias.
Qual é o destino provável de Mercúrio Vênus e Terra?
Mercúrio, por ser leve e muito próximo, é praticamente certo de ser engolido. Vênus também aparece como forte candidato à imersão nas camadas externas da gigante vermelha, sofrendo intensa erosão e possível destruição completa.
A Terra é um caso de fronteira: a perda de massa do Sol tende a empurrar sua órbita para fora, mas o atrito com o gás estelar durante a fase mais inflada pode arrastá-la de volta.

Mesmo que escape do engolfamento, o aumento de luminosidade destruiria oceanos e alteraria profundamente atmosfera e superfície muito antes disso.
Como as simulações ajudam a entender a evolução de sistemas planetários?
Pesquisas utilizam simulações hidrodinâmicas tridimensionais para inserir planetas em modelos de estrelas em expansão e calcular fluxos de gás, troca de energia e tempo de engolfamento.
Testam-se diferentes massas planetárias e estágios estelares para prever resultados prováveis. Esses estudos revelam que sistemas planetários são dinâmicos: planetas podem migrar, ser destruídos ou absorvidos pela própria estrela.
O engolfamento planetário se torna, assim, uma peça-chave para entender o ciclo de vida de mundos como a Terra e de inúmeros exoplanetas na galáxia.
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