O animal que consegue ficar vários minutos submerso e possui adaptações para economizar oxigênio durante o mergulho
Alterações cardiovasculares e uso controlado das reservas de oxigênio ajudam o castor a permanecer debaixo d'água
Sem possuir as reservas extraordinárias de oxigênio de focas ou baleias, o castor-europeu (Castor fiber) consegue permanecer submerso por vários minutos quando necessário. Estudos com animais livres mostram, porém, que seus mergulhos cotidianos costumam ser muito mais curtos, enquanto alterações cardiovasculares e o uso controlado do oxigênio ajudam o mamífero a enfrentar períodos prolongados debaixo d’água.
Como o castor-europeu consegue permanecer debaixo d’água?
O Castor fiber é um roedor semiaquático distribuído por partes da Europa e da Ásia. Ele mergulha para deslocar-se, buscar vegetação, transportar materiais e acessar entradas submersas de abrigos. Suas narinas e canais auditivos podem ser fechados durante o mergulho, impedindo a entrada de água enquanto o animal nada.
A pelagem densa também retém ar e oferece isolamento térmico, característica importante em rios e lagos frios. Os pés traseiros largos e palmados produzem propulsão eficiente, enquanto a cauda achatada ajuda nas manobras. Essas adaptações reduzem o esforço necessário para se movimentar no ambiente aquático.
Como o castor-europeu economiza oxigênio durante um mergulho prolongado?
Quando a submersão se prolonga, ocorre uma resposta cardiovascular semelhante à observada em outros mamíferos mergulhadores. Experimentos registraram queda acentuada da frequência cardíaca, acompanhada por redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos essenciais, principalmente cérebro e coração.
Em um estudo clássico com castores mantidos submersos por dez minutos, a frequência cardíaca caiu aproximadamente 85%. Essa resposta diminui o consumo de oxigênio por tecidos menos prioritários e permite utilizar com maior eficiência o oxigênio armazenado nos pulmões, sangue e músculos.
- A frequência cardíaca pode cair fortemente em mergulhos prolongados.
- O fluxo sanguíneo prioriza órgãos vitais.
- Pulmões, sangue e músculos armazenam oxigênio disponível.
- Menor esforço durante o mergulho ajuda a prolongar essas reservas.
Este vídeo mostra um castor-europeu nadando debaixo d’água e permite observar sua locomoção aquática.
Quanto tempo o castor-europeu realmente consegue ficar submerso?
Embora existam referências fisiológicas a submersões próximas de 15 minutos em castores, isso está longe de representar o comportamento habitual do castor-europeu na natureza. Um estudo realizado com 12 indivíduos livres na Noruega mostrou que a maioria dos mergulhos durava menos de 30 segundos e atingia menos de um metro de profundidade.
Esses mergulhos curtos provavelmente permanecem predominantemente aeróbicos. Pesquisas indicam que as reservas de oxigênio muscular começam a diminuir significativamente após cerca de dois a quatro minutos, enquanto as reservas sanguíneas também apresentam redução importante por volta dos quatro minutos. Mergulhos extremos, portanto, representam capacidade máxima, não rotina.
O castor possui reservas de oxigênio semelhantes às de focas?
Não. Apesar da boa capacidade de mergulho, castores possuem reservas totais de oxigênio relativamente modestas quando comparados com mamíferos marinhos especializados. Um estudo fisiológico encontrou capacidade de armazenamento equivalente a aproximadamente um terço daquela registrada em uma foca-comum usada como comparação.
A diferença faz sentido porque o castor passa grande parte da vida respirando normalmente na superfície e não depende de mergulhos profundos para capturar alimento. O estudo sobre o comportamento de mergulho de Castor fiber em vida livre mostrou que apenas cerca de 2,8% do período de atividade noturna monitorado foi passado mergulhando.

Quais números mostram os limites do mergulho dos castores?
O comportamento registrado em ambiente natural mostra uma estratégia bastante econômica. Os mergulhos normalmente são rasos e rápidos, aumentando de duração conforme aumenta a profundidade. Isso evita consumir desnecessariamente as reservas disponíveis e permite ao animal realizar grande parte de suas atividades perto da superfície.
As medições fisiológicas também ajudam a separar capacidade máxima de comportamento habitual. Um castor pode suportar submersões muito maiores em circunstâncias específicas, mas isso não significa que passe dezenas de minutos rotineiramente debaixo d’água.
Por que o castor-europeu é tão eficiente no ambiente aquático?
O castor-europeu não evoluiu como um mergulhador extremo semelhante a uma foca. Sua vantagem está em combinar natação eficiente, isolamento térmico, fechamento das vias de entrada de água e respostas cardiovasculares que permitem prolongar uma submersão quando necessário.
Essa combinação é suficiente para sua forma de vida semiaquática. Em vez de permanecer longos períodos sob a água continuamente, o castor realiza principalmente mergulhos rápidos e rasos, reservando sua capacidade fisiológica de permanecer submerso por mais tempo para situações em que realmente precisa dela.
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