No oceano profundo, quatro de cada cinco animais entre 200 e 1.000 metros conseguem produzir a própria luz
Estimativa da NOAA revela como a produção de luz é comum no oceano profundo e por que brilhos azuis ajudam animais a caçar, se esconder e comunicar
A bioluminescência permite que aproximadamente 80% dos animais marinhos entre 200 e 1.000 metros produzam sua própria luz, segundo estimativa da NOAA. Nessa região quase escura, organismos utilizam reações químicas para criar brilhos principalmente azuis, que podem funcionar como camuflagem, armadilha para presas e sinais de comunicação.
Por que a bioluminescência é tão comum no oceano profundo?
Entre 200 e 1.000 metros fica a zona mesopelágica, também conhecida como zona crepuscular. A luz solar diminui rapidamente nessa faixa, tornando a visão cada vez mais difícil. Para muitos animais, produzir luminosidade representa uma vantagem importante na busca por alimento e na identificação de ameaças.
A NOAA estima que aproximadamente quatro em cada cinco animais dessa região sejam bioluminescentes. A proporção refere-se aos organismos que vivem na coluna d’água, não a todas as criaturas do fundo oceânico. Peixes, lulas, águas-vivas e outros animais desenvolveram diferentes maneiras de utilizar essa capacidade.
O que os cientistas descobriram sobre a bioluminescência marinha?
Uma investigação do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI) mostrou que a produção de luz é extremamente disseminada entre os animais do oceano aberto. A pesquisa analisou registros obtidos durante 17 anos de exploração submarina, identificando organismos capazes de produzir luminosidade em diferentes profundidades.
Os pesquisadores descobriram que 76% dos indivíduos observados pertenciam a grupos bioluminescentes. Essa proporção permaneceu relativamente constante ao longo da coluna d’água, embora os principais organismos luminosos mudassem conforme a profundidade. O resultado reforçou estimativas anteriores e revelou a importância ecológica dessa adaptação.
- Aproximadamente 80% dos animais entre 200 e 1.000 metros podem produzir luz;
- Águas-vivas e ctenóforos estão entre os principais organismos luminosos;
- A luz azul atravessa a água com maior eficiência;
- A produção luminosa depende de reações químicas;
- Os sinais podem servir para caça, defesa, camuflagem e reprodução.
O vídeo Three quarters of deep-sea animals are bioluminescent, apresentado pelo The New York Times, mostra organismos luminosos e explica a pesquisa sobre a frequência dessa característica no oceano.
Como os animais produzem bioluminescência sem receber luz solar?
A bioluminescência acontece quando uma reação química libera energia na forma de luz. Em muitos organismos, uma substância chamada luciferina reage com oxigênio, geralmente com auxílio de uma enzima denominada luciferase. A energia liberada excita moléculas que, ao retornarem a um estado menos energético, emitem fótons.
Entretanto, nem todas as espécies utilizam exatamente as mesmas moléculas. Algumas possuem sistemas químicos próprios, enquanto outras dependem de bactérias luminosas vivendo em órgãos especializados. A emissão produz relativamente pouco calor, permitindo que o organismo ilumine determinadas estruturas sem precisar alcançar temperaturas elevadas.
Como os pesquisadores calcularam a quantidade de animais luminosos?
As cientistas Séverine Martini e Steven H. D. Haddock analisaram observações registradas por veículos submarinos operados remotamente pelo MBARI, na costa da Califórnia. O estudo científico original, publicado em 2017 na revista Scientific Reports, avaliou a distribuição da bioluminescência desde a superfície até aproximadamente 3.900 metros.
A equipe examinou mais de 350 mil registros de organismos, classificados em 553 grupos taxonômicos. A capacidade de produzir luz foi determinada com base na identificação dos animais e no conhecimento científico disponível. Portanto, o levantamento não significou que cada indivíduo foi observado brilhando durante as filmagens.

Por que a luz azul domina entre os animais bioluminescentes?
A água absorve diferentes cores de maneira desigual. Comprimentos de onda associados ao vermelho desaparecem rapidamente, enquanto a luz azul consegue percorrer distâncias maiores. Por isso, emitir azul geralmente aumenta a possibilidade de que um sinal luminoso seja percebido por outro organismo no oceano.
Muitos animais também apresentam olhos especialmente sensíveis a essa faixa do espectro. Entretanto, existem exceções: certas espécies produzem luz verde, amarela ou vermelha. Essas diferenças podem ajudar na comunicação entre indivíduos ou permitir que predadores detectem presas invisíveis para outros animais.
| Característica | Informação científica |
|---|---|
| Zona crepuscular | 200 a 1.000 metros |
| Estimativa da NOAA | 80% dos animais bioluminescentes |
| Levantamento do MBARI | 76% dos indivíduos classificados |
| Cor predominante | Azul |
| Principais funções | Caça, defesa, comunicação e camuflagem |
Como a bioluminescência ajuda animais a caçar e escapar de predadores?
Alguns peixes utilizam órgãos luminosos para atrair presas, enquanto outros apresentam pontos brilhantes na região ventral. Esse último mecanismo, chamado contrailuminação, ajuda a disfarçar a silhueta do animal diante de predadores que observam de baixo, equilibrando seu brilho com a claridade residual vinda da superfície.
Outras espécies liberam secreções luminosas para confundir atacantes ou produzem flashes que podem atrair predadores maiores contra seus perseguidores. A bioluminescência também participa do reconhecimento entre indivíduos e da procura por parceiros. Entretanto, suas funções ainda são desconhecidas em muitas espécies, especialmente nas regiões mais profundas e menos exploradas do oceano.
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