Muralha de 2 mil anos é encontrada sob hospital da antiga Lutécia e pode revelar a origem da cidade de Paris
A estrutura foi encontrada durante escavações realizadas antes de obras no hospital, localizado próximo à Catedral de Notre-Dame.
Uma descoberta arqueológica feita sob o Hôtel-Dieu, na Île de la Cité, em Paris, pode ajudar a solucionar um dos grandes mistérios sobre a origem da capital francesa.
Uma muralha de pedra e madeira com cerca de 20 metros de extensão, acompanhada por vestígios de incêndio e objetos antigos, pode estar ligada à antiga Lutécia, assentamento habitado pelos Parisii e mencionado por Júlio César.
Onde a antiga Lutécia pode ter surgido?
A estrutura foi encontrada durante escavações realizadas antes de obras no hospital, localizado próximo à Catedral de Notre-Dame.
Os arqueólogos identificaram blocos de pedra unidos por vigas de madeira, além de materiais queimados e outros indícios de ocupação antiga.
A descoberta ganha importância porque a localização exata da Lutécia descrita pelos romanos permanece discutida há décadas.
A Île de la Cité é a hipótese tradicional, mas Nanterre, a oeste de Paris, também já foi apontada como possível localização.
Hallan en París restos de una muralla que podría ser de la Lutecia gala que describió Julio César https://t.co/yZOvHfDYly via @ABC_Cultura
— Fundación Palarq (@FundacionPalarq) September 28, 2026
Quais pistas sobre a origem de Paris foram encontradas junto à muralha?
Além da própria estrutura, os pesquisadores encontraram vestígios que ajudam a reconstruir o que aconteceu no local. Entre os principais elementos identificados estão:
A combinação desses elementos chama atenção porque pode indicar que a área estava ocupada durante um período de conflitos entre gauleses e romanos.
O que Júlio César tem a ver com a descoberta?
Lutécia era associada aos Parisii, povo gaulês que vivia às margens do Sena. Em seus relatos sobre as Guerras da Gália, Júlio César descreveu o confronto ocorrido em 52 a.C., quando os habitantes teriam incendiado o assentamento e destruído as pontes antes da chegada das tropas romanas.
A datação inicial do material carbonizado coloca a estrutura entre 200 a.C. e 10 a.C.. O intervalo inclui justamente o período da conquista romana, levantando a possibilidade de que os vestígios de fogo estejam relacionados aos acontecimentos descritos pelo general romano.

A descoberta pode encerrar o debate sobre a origem de Paris?
A muralha reforça a hipótese de que a Lutécia de César estava na região central da atual Paris, mas os arqueólogos ainda precisam determinar exatamente sua função e confirmar sua relação direta com o assentamento dos Parisii.
O achado, portanto, é uma peça importante, mas não representa sozinho uma confirmação definitiva. Novas análises poderão indicar se a estrutura fazia parte das fortificações de Lutécia e ajudar a esclarecer como era o local há mais de dois mil anos.
Como a muralha será preservada após a escavação?
A estrutura é considerada frágil demais para permanecer preservada integralmente no local. Por isso, os pesquisadores planejam registrar o achado e criar uma reprodução para futuras exposições.
O projeto também prevê um modelo digital em 3D, permitindo que o público conheça virtualmente a estrutura. Se a ligação com Lutécia for confirmada, a descoberta poderá se tornar uma das evidências materiais mais relevantes sobre as origens da cidade que se transformaria em Paris.
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