Moradora planta árvores junto ao muro para fazer sombra e, anos depois, vizinho cobra reparo após raízes começarem a levantar o piso de sua garagem
Raízes que avançam sob o imóvel vizinho podem abrir discussão sobre poda, prova técnica e responsabilidade pelos danos no piso.
Adriana plantou pequenas árvores ao longo do muro para criar sombra, mas, anos depois, o vizinho passou a relacionar raízes, rachaduras e desníveis surgidos no piso da garagem. A discussão envolve raízes de árvores, direito de vizinhança e responsabilidade por danos que precisam ter origem efetivamente demonstrada.
As raízes podem ser cortadas quando passam para o terreno vizinho?
Sim. O Código Civil prevê que raízes e ramos que ultrapassem a divisa podem ser cortados pelo proprietário do terreno invadido até o plano vertical divisório. A regra trata diretamente de árvores localizadas em imóveis vizinhos.
Esse direito não significa que qualquer intervenção seja tecnicamente segura para a planta ou para construções próximas. Dependendo do porte e da posição das raízes, um corte inadequado pode comprometer estabilidade, exigindo avaliação profissional antes de uma intervenção mais ampla.

O piso levantado prova que as árvores causaram o problema?
Não. A proximidade entre as árvores e as rachaduras é um indício, mas não demonstra sozinha a causa. Recalque do solo, problemas na base do piso, drenagem deficiente e movimentações do terreno também podem produzir fissuras e desníveis.
Um laudo de engenheiro, arborista ou outro profissional habilitado pode relacionar a localização das raízes às áreas danificadas. Fotografias antigas, evolução das trincas e abertura controlada do piso também podem ajudar a estabelecer o nexo.
Que provas ajudam a saber se existe responsabilidade?
O conflito deve ser documentado antes de reparos que eliminem os vestígios. Imagens do piso, posição das árvores e raízes expostas podem registrar a situação existente, enquanto orçamentos e laudos ajudam a dimensionar o dano alegado.
O tema faz parte dos direitos de vizinhança, que limitam o uso da propriedade quando ele interfere no imóvel ao lado. A responsabilidade, porém, depende dos fatos concretos.
Quatro elementos ajudam a organizar essa análise:
Adriana pode ser obrigada a pagar o reparo da garagem?
Pode haver obrigação de indenizar se ficar demonstrado que uma conduta relacionada às árvores causou efetivamente o prejuízo. O art. 927 do Código Civil estabelece, em regra, o dever de reparar dano decorrente de ato ilícito.
Ao mesmo tempo, o Código Civil brasileiro permite, no art. 1.283, cortar raízes que ultrapassem a divisa. A existência desse direito não elimina a necessidade de provar a origem do dano para cobrar indenização pelo piso.
As situações principais têm consequências diferentes:
O vizinho pode exigir que as árvores sejam retiradas?
O simples fato de raízes alcançarem o terreno vizinho não cria, por si só, uma obrigação automática de remover árvores inteiras. O Código Civil autoriza o corte da parte que ultrapassa a divisa, enquanto medidas maiores dependem das circunstâncias e dos riscos envolvidos.
Também podem existir regras municipais de arborização ou exigências ambientais para poda e supressão, especialmente conforme a espécie e o local. Por isso, arrancar uma árvore sem verificar essas normas pode criar outro problema além do conflito entre vizinhos.
Qual é o caminho mais seguro antes de reparar o piso?
O melhor ponto de partida é registrar o estado da garagem e identificar tecnicamente se as raízes realmente alcançam a área levantada. Fazer o conserto antes dessa verificação pode eliminar evidências que ajudariam a determinar a causa.
Se o nexo for confirmado, Adriana e o vizinho podem discutir manejo das raízes, prevenção de novos danos e custo do reparo. Se a origem for outra, a cobrança deve ser reavaliada. A solução mais segura começa pela prova da causa, não apenas pela proximidade das árvores.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)