Megaobra de R$ 71 milhões pretende ampliar de 330 para 450 metros a área de manobras de um porto brasileiro para receber navios de até 330 metros de comprimento
A ampliação combina serviços no fundo do canal e uma área maior para manobras, com etapas de projeto e execução ainda previstas.
Uma embarcação de 330 metros precisa de espaço para mudar de direção antes de deixar um terminal. No Porto de Cabedelo, na Paraíba, a ampliação da bacia de evolução prevê dragagem e remoção de rochas para elevar o diâmetro da área de manobras de 330 para 450 metros.
Por que a bacia de evolução precisa chegar a 450 metros?
A bacia de evolução é a área de água em que o navio realiza manobras para alinhar-se ao cais, girar ou retornar ao canal. O projeto aumenta seu diâmetro de 330 para 450 metros, criando mais espaço para embarcações maiores.
O ganho é de 120 metros no diâmetro, não no comprimento do navio. A área de manobra integra o conjunto de acessos aquaviários do Porto de Cabedelo, localizado no estuário do Rio Paraíba.

Quais navios poderão chegar depois da obra?
Atualmente, o porto permite a operação de embarcações com até 210 metros de comprimento. Após a conclusão das intervenções, a infraestrutura deverá permitir a chegada de navios de até 330 metros, incluindo embarcações de cruzeiro.
Os dois números de 330 metros representam medidas diferentes: um é o diâmetro atual da bacia; o outro será o comprimento máximo dos navios previstos após a ampliação. A mudança não significa que a área de manobra terá 450 metros de comprimento de embarcação.
O que a dragagem e a derrocagem fazem no acesso?
A dragagem retira sedimentos acumulados no fundo do canal e da bacia. A derrocagem remove materiais rochosos que dificultam a navegação. Os dois serviços fazem parte do pacote contratado para adequar o canal interno e a área de manobras.
Uma etapa anterior já havia aprofundado o calado do canal de 9 para 11 metros, com recursos estaduais. A ampliação da bacia complementa esse trabalho, mas não deve ser confundida com a execução daquela dragagem anterior.
Como foi formado o investimento de R$ 71,15 milhões?
Em 23 de outubro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos assinou um aditivo de R$ 6,7 milhões ao Termo de Compromisso nº 003/2026. A atualização elevou o orçamento do pacote de R$ 64,45 milhões para R$ 71,15 milhões.
Do total, R$ 44,45 milhões vêm do governo federal e R$ 26,70 milhões são contrapartida estadual. A extensão do molhe de proteção, estimada em R$ 40,43 milhões, é uma intervenção separada e não integra esse valor.
A composição financeira reúne três referências principais:
Quando as intervenções devem começar?
A licitação foi concluída em setembro de 2026 e definiu a DTA Engenharia como vencedora. O aditivo de outubro atualizou o valor do compromisso, mas a contratação e a assinatura do documento não comprovam que os serviços de dragagem já tenham começado.
O planejamento previa iniciar os projetos básico e executivo em novembro de 2026. O cronograma apresentado pelo Ministério indicava o começo das intervenções em março de 2027 e a conclusão estimada para julho do mesmo ano.
Os marcos previstos se distribuem ao longo de diferentes etapas:
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O que a ampliação pode mudar para cargas e cruzeiros?
Com espaço de manobra maior, o Porto de Cabedelo poderá receber embarcações mais longas, o que amplia as possibilidades de atendimento a cargas e navios de passageiros. O Ministério cita a inclusão do terminal em possíveis rotas de cruzeiros como uma oportunidade.
O porto movimentou cerca de 1,19 milhão de toneladas em 2025, com derivados de petróleo, coque de petróleo, trigo e malte entre as cargas principais. A obra cria condições físicas para novas operações, mas não garante contratos, escalas de cruzeiros ou volumes futuros.
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