Megaobra de R$ 7 bilhões instala quatro turbinas gigantes no litoral brasileiro e entrega usina de 1,7 mil megawatts capaz de fornecer eletricidade para milhões de residências
A nova geração a gás combina equipamentos de grande porte e aproveitamento de calor, com diferenças entre potência e produção real.
Três turbinas queimam gás natural e uma quarta aproveita o calor que sobraria do processo. Essa combinação define a Usina Termelétrica GNA II, no Porto do Açu, em São João da Barra, inaugurada em 28 de julho de 2025. A instalação possui cerca de 1,7 mil megawatts de potência, mas seu investimento total não equivale ao valor financiado pelo BNDES.
Como a GNA II transforma gás natural em eletricidade?
A GNA II utiliza ciclo combinado: a queima de gás natural movimenta turbinas ligadas a geradores elétricos, e o calor dos gases de exaustão é aproveitado para produzir vapor. Essa segunda etapa também movimenta um gerador.
O aproveitamento do calor aumenta a eficiência em comparação a uma configuração que descartasse essa energia. O conceito de usina termelétrica envolve transformar energia térmica em eletricidade; o ciclo combinado utiliza duas etapas complementares.

Por que a usina tem três turbinas a gás e uma a vapor?
O conjunto conta com três turbinas a gás e uma turbina a vapor. As máquinas não executam papéis idênticos: três recebem diretamente a energia da combustão, enquanto a quarta aproveita vapor produzido com o calor recuperado.
A operadora informa eficiência energética superior a 60% para a tecnologia empregada. Isso não significa funcionamento permanente na potência máxima, pois a geração efetiva depende do despacho do sistema elétrico, da disponibilidade dos equipamentos e do fornecimento de combustível.
Como o gás e a água chegam ao complexo do Açu?
A usina está integrada ao terminal de gás natural liquefeito (GNL) do Porto do Açu, utilizado para receber combustível e atender às termelétricas do complexo. O gás precisa chegar às unidades geradoras em condições adequadas de operação.
O projeto também usa água do mar tratada em uma unidade de dessalinização para atender demandas industriais. O controle térmico e o resfriamento fazem parte da operação, mas a existência da planta não comprova consumo nulo de água ou ausência de impactos ambientais.
Quatro etapas explicam a integração energética:
O que está incluído nos R$ 7 bilhões anunciados?
Os R$ 7 bilhões representam o investimento total informado para a implantação da GNA II. O BNDES financiou R$ 3,93 bilhões desse valor, não a totalidade do empreendimento. São montantes com funções financeiras diferentes.
O comunicado de inauguração do BNDES situa o financiamento e a dimensão do projeto. O complexo possui ainda outra usina, a GNA I; o custo de R$ 7 bilhões refere-se à GNA II, não à soma de todo o parque.
A operação comercial começou somente na inauguração?
Não. As quatro unidades geradoras receberam liberação para operação comercial a partir de 31 de maio de 2025, enquanto a inauguração ocorreu em 28 de julho. A capacidade instalada informada é de aproximadamente 1.672 megawatts, arredondada para 1,7 mil megawatts.
Uma linha de transmissão de 500 quilovolts, com cerca de 37 quilômetros, conecta a usina ao Sistema Interligado Nacional pela subestação Campos II. A infraestrutura permite que sua produção integre a rede nacional, conforme as condições de operação.
Os marcos de capacidade e entrada em operação são distintos:
Leia também: Após 60 anos, gigante dos eletrônicos fecha 567 lojas e demite 34 mil trabalhadores com dívida de quase R$ 12 bilhões
O que significa eletricidade suficiente para milhões de residências?
A referência a aproximadamente 8 milhões de residências é uma equivalência divulgada para dimensionar a potência da GNA II. Ela não significa que a usina forneça eletricidade exclusivamente a essas casas, nem que produza a capacidade máxima em todas as horas.
A energia entra no Sistema Interligado Nacional e pode atender diferentes consumidores. O efeito da GNA II está na capacidade adicional de geração a gás, cuja utilização depende das necessidades da rede e dos limites operacionais, não de uma contagem fixa de residências abastecidas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)