Kimmel foi suspenso por planejar repetir acusações falsas e inflamatórias no ar, revelam fontes
Novas informações indicam que Disney e ABC barraram monólogo de quarta após recusa de retratação
Novas informações de bastidores apontam que a suspensão do “Jimmy Kimmel Live!” ocorreu porque o apresentador planejava, na quarta, 17, repetir no ar as acusações feitas nos dias anteriores sobre a morte de Charlie Kirk num tom ainda mais inflamatório.
Segundo relato da apresentadora e analista americana Megyn Kelly, a emissora e a controladora consideraram o plano completamente inadequado.
De acordo com Kelly, executivos da Disney e da ABC passaram o dia discutindo o conteúdo do monólogo e pediram uma retratação.
Ela afirma que o pedido foi recusado e que a rede decidiu retirar o programa da grade naquela noite para evitar novo desastre ao vivo.
Ainda segundo Kelly, Kimmel pretendia dizer que suas palavras estavam sendo “deliberadamente distorcidas” e manteria as acusações contra apoiadores de Donald Trump.
Essa disposição de “dobrar a aposta”, sem correção do que fora dito, foi considerada inaceitável pela direção, conforme o relato.
O ambiente entre afiliadas pesou na decisão.
Proprietárias de estações comunicaram à ABC que não exibiriam o talk show sem um pedido de desculpas.
As centrais de atendimento de ABC, Disney e emissoras locais registraram volume elevado de reclamações desde terça, 16, o que aumentou a pressão por uma resposta imediata.
A crise começou no monólogo de segunda, 15, quando Kimmel vinculou o episódio à atuação de apoiadores de Trump.
Na terça, 16, ele retomou o tema no programa, ampliando a reação negativa entre afiliadas e patrocinadores. Para a quarta, 17, a emissora foi avisada de que o apresentador repetiria as acusações, o que levou ao barramento do monólogo.
Kelly resgatou ainda uma fala do próprio Kimmel, de janeiro, em que ele disse contar com uma equipe que verifica fatos e que se desculparia em caso de erro.
Para a comunicadora, o comportamento no caso Kirk contrariou esse compromisso e tornou inevitável a suspensão até que houvesse retratação.
Nos bastidores, Disney e ABC passaram a discutir condições para um eventual retorno, como abertura com pedido de desculpas e revisão de procedimentos editoriais do programa.
Não há anúncio de demissão, mas a volta depende de um acordo sobre conteúdo e tom.
A demissão de Kimmel já estava sendo estudada
Em reportagem anterior, publicada na sexta, 19, O Antagonista mostrou que a demissão já estava em andamento e poderia ser apenas questão de tempo. Segundo apuração citada pelo New York Post, a Disney avaliava não renovar o contrato, que termina neste ano.
Dados do instituto Nielsen apontam queda acentuada de audiência ao longo de 2025. O “Jimmy Kimmel Live!” passou de 1,95 milhão de telespectadores em janeiro para 1,1 milhão em agosto, retração de 43% em oito meses. Na faixa de 18 a 49 anos, a redução foi de 39%, com rating domiciliar de 0,35 em agosto.
De acordo com a mesma reportagem, havia disposição interna de usar a repercussão negativa das falas como pretexto para encerrar a parceria antes da renovação. Kimmel recebia US$ 16 milhões ao ano, com bônus que podem elevar o total a US$ 24 milhões, e resistia a pedir desculpas.
A decisão de colocar o programa em suspensão foi comunicada a Kimmel por Dana Walden, copresidente da Disney Entertainment.
A executiva, defensora da permanência de Kimmel e sua amiga pessoal, confirmou ao apresentador que a atração sairia do ar por tempo indeterminado.
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