Há 14.400 anos, cinco pessoas e um cachorro exploraram uma caverna profunda utilizando um método surpreendentemente simples e deixaram vestígios para a eternidade
As marcas encontradas na Grotta della Bàsura mostram que a incursão não foi uma rápida entrada na caverna.
Pegadas, marcas de mãos e restos de carvão preservados em um caverna conhecida como Grotta della Bàsura, no norte da Itália, revelam uma expedição subterrânea ocorrida há cerca de 14.400 anos.
O grupo tinha dois adultos, um adolescente e duas crianças pequenas e, segundo uma interpretação recente, pode ter contado também com um cão.
Para avançar centenas de metros na escuridão, os exploradores recorreram a uma solução simples: pequenos galhos de pinheiro em chamas.
O que cinco pessoas faziam tão longe dentro da caverna?
As marcas encontradas na Grotta della Bàsura mostram que a incursão não foi uma rápida entrada na caverna. O grupo percorreu pelo menos 400 metros até áreas profundas, incluindo o chamado Salão dos Mistérios.
Em alguns pontos, o teto era tão baixo que os visitantes precisaram andar curvados ou avançar apoiados nas mãos e nos joelhos. A finalidade da jornada permanece desconhecida, mas exploração e curiosidade estão entre as hipóteses consideradas.
About 14,000 years ago, a party of five barefoot people walked and crawled through a dark passageway in a cave, leaving behind hand- and footprints in present-day Grotta della Bàsura, in northern Italy. https://t.co/H1AUO4QL8w pic.twitter.com/7gAnc4klBM
— Ticia Verveer (@ticiaverveer) May 15, 2019
Como galhos pequenos conseguiram iluminar a escuridão?
Os restos de carvão encontrados no local chamaram atenção pela presença de numerosos fragmentos de madeira de pinheiro com menos de dois ou três centímetros de diâmetro.
Isso sugere que os exploradores poderiam ter usado galhos finos em vez de grandes tochas. Um experimento realizado em uma caverna escura ajudou a testar a hipótese.
Os pesquisadores observaram que duas pequenas chamas podiam fornecer orientação suficiente, permitindo que os participantes enxergassem cerca de dez metros à frente após os olhos se adaptarem à escuridão.
Confira a descoberta arqueológica no vídeo abaixo do canal “Galileo, giornale di scienza“
Quais vantagens tornavam os galhos uma solução tão eficiente?
Além de serem fáceis de transportar, os pequenos pedaços de madeira apresentaram características importantes para quem precisava atravessar corredores estreitos.
O experimento indicou que eles produziam relativamente pouca fumaça e menos ofuscamento que tochas maiores.
Os resultados ajudam a explicar como um grupo tão diverso conseguiu avançar em um ambiente subterrâneo sem iluminação natural.
A estratégia, porém, tinha uma grande desvantagem: os galhos queimavam rapidamente.
Quantos galhos eram necessários para completar a jornada?
Os testes mostraram que aproximadamente quatro centímetros de madeira eram consumidos a cada minuto. A partir desses dados, os pesquisadores estimaram que cerca de 20 galhos de 30 centímetros poderiam ser suficientes para iluminar o percurso de ida e volta.
Esses números sugerem que a expedição exigia algum planejamento. Para entender a dimensão prática desse deslocamento, os principais dados são:
Quantos galhos eram necessários para completar a jornada?
Para avançar centenas de metros no interior da caverna, o grupo precisava manter uma fonte de luz improvisada. Os experimentos ajudam a estimar o esforço necessário para realizar o percurso de ida e volta.
Um cão realmente acompanhou os humanos há 14.400 anos?
Essa é uma das partes mais intrigantes da descoberta. Marcas de patas encontradas na caverna foram analisadas e, em estudo publicado em 2025, atribuídas provavelmente a um único canídeo de grande porte.
Um lobo selvagem não pode ser totalmente descartado, mas os pesquisadores consideram plausível que fosse um cão domesticado.
Se essa interpretação estiver correta, crianças, adultos, um adolescente e possivelmente um cão percorreram juntos a escuridão da Grotta della Bàsura há mais de 14 mil anos.
A descoberta não revela uma cerimônia grandiosa ou um episódio de conflito.
Ela preserva algo muito mais cotidiano: um pequeno grupo humano entrando em um ambiente desconhecido, improvisando iluminação com madeira em chamas e avançando centenas de metros movido talvez pela simples vontade de descobrir o que havia além da escuridão.
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