Gêiseres lançam água e gelo para o espaço a partir do polo sul de uma pequena lua de Saturno e alimentam um anel inteiro do planeta
A Cassini revelou que jatos ligados a um oceano subterrâneo lançam água, sais e compostos orgânicos para o espaço ao redor de Saturno
Com apenas cerca de 500 quilômetros de diâmetro, Encélado parece pequeno diante de Saturno, mas abriga um dos sistemas mais ativos conhecidos entre as luas do Sistema Solar. As plumas de Encélado lançam vapor de água e partículas de gelo para o espaço, e parte desse material escapa da gravidade da lua para abastecer continuamente o amplo e difuso anel E do planeta.
Como as plumas de Encélado conseguem alcançar o espaço?
As emissões partem principalmente de quatro grandes fraturas no terreno do polo sul, conhecidas informalmente como “listras de tigre”. Essas fissuras atravessam a crosta congelada e funcionam como caminhos pelos quais água e outros materiais provenientes do interior conseguem chegar à superfície.
Quando o material alcança o espaço quase sem atmosfera, parte da água passa para a forma de vapor enquanto outra parcela permanece como minúsculos grãos de gelo. Os jatos podem atingir velocidades próximas de 400 metros por segundo e formar uma enorme pluma acima do polo sul.
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O que existe dentro das plumas de Encélado?
A missão Cassini atravessou diretamente essas emissões em diferentes ocasiões, permitindo analisar partículas sem precisar pousar na superfície. Os instrumentos detectaram água, sais, sílica e diferentes tipos de compostos orgânicos, oferecendo uma amostra indireta do ambiente escondido sob o gelo.
Análises posteriores dos dados ampliaram essa lista. Pesquisadores identificaram moléculas orgânicas contendo nitrogênio e oxigênio e, mais recentemente, outros compostos presentes em partículas recém-expelidas do interior da lua.
- Vapor de água;
- Grãos de gelo;
- Sais dissolvidos;
- Partículas de sílica;
- Compostos orgânicos.
O vídeo do Jet Propulsion Laboratory mostra como a Cassini atravessou a pluma para estudar o material lançado por Encélado.
De onde vem a água expelida por essa pequena lua?
Durante anos, discutiu-se se existiria apenas um reservatório regional sob o polo sul. Dados sobre o movimento de Encélado, porém, mostraram uma pequena oscilação incompatível com uma crosta completamente presa ao interior sólido, fortalecendo a conclusão de que existe um oceano global sob a camada de gelo.
Nesse oceano, a água provavelmente entra em contato com um núcleo rochoso. A descoberta de minúsculos grãos de sílica é particularmente importante, porque sua formação é compatível com interações entre água e rocha em temperaturas elevadas, possivelmente associadas a atividade hidrotermal no fundo do oceano.
Como o material lançado chega ao anel E de Saturno?
Nem tudo que sai das fissuras permanece no espaço. Uma grande parcela dos grãos volta à superfície como uma espécie de neve fina, contribuindo para manter Encélado excepcionalmente brilhante. Outra fração alcança velocidade suficiente para escapar da pequena lua.
Essas partículas passam então a orbitar Saturno e abastecem o anel E, uma estrutura muito mais extensa e difusa do que os anéis principais visíveis em fotografias tradicionais. A NASA explica a ligação entre as plumas, o oceano global e o anel E, estabelecida pelas observações da Cassini.

Quais números mostram a escala das plumas de Encélado?
Apesar do tamanho reduzido da lua, suas emissões alcançam centenas de quilômetros acima da superfície. A NASA registra velocidades de aproximadamente 400 metros por segundo para parte do material e destaca que a pluma se estende por uma distância comparável a várias vezes o tamanho do próprio corpo celeste.
As quatro principais fraturas do polo sul também são extensas, chegando a aproximadamente 135 quilômetros cada. Elas concentram a atividade responsável por conectar o interior líquido ao ambiente espacial ao redor de Saturno.
Por que Encélado se tornou tão importante para a busca por ambientes habitáveis?
A combinação de água líquida, sais, compostos orgânicos, calor interno e provável interação entre água e rocha reúne vários elementos considerados importantes para um ambiente potencialmente habitável. Isso não significa que exista vida na lua, apenas que algumas condições necessárias podem estar presentes.
Encélado também oferece uma vantagem rara para futuras missões: seu oceano lança amostras naturalmente para o espaço. Em princípio, uma espaçonave pode analisar material do oceano subterrâneo sem perfurar quilômetros de gelo, tornando essa pequena lua um dos alvos mais interessantes da astrobiologia moderna.
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