Disney desvaloriza as próprias marcas
A Disney parece ter percebido o erro e tenta frear o ritmo de produção para recuperar o prestígio das marcas que ela mesma ajudou a desgastar
A busca da Disney por ganhar espaço no disputado mercado de streaming está cobrando um preço alto de suas marcas mais valiosas.
Segundo uma reportagem da The Wrap, a avalanche de conteúdo original criado para alimentar o Disney+ nos últimos anos acabou desvalorizando marcas e produtos consagrados como Marvel Studios, Pixar e Lucasfilm, um movimento que pode ter impactos negativos de longo prazo.
Lançado em novembro de 2019, o Disney+ foi promovido como a grande aposta de Bob Iger, então CEO da empresa, para consolidar a Disney não só em uma potência do entretenimento, mas em uma gigante da tecnologia.
No começo parecia que tudo ia bem, especialmente durante a pandemia, com muita gente em casa, quando atingiu 94,9 milhões de assinantes em 14 meses.
Ocorre que o serviço começou a perder fôlego. Só no primeiro trimestre de 2025, a plataforma perdeu 700 mil assinantes, sua primeira queda desde o lançamento.
Segundo a matéria, a estratégia de encher o Disney+ com séries, animações e apresentações especiais gerou uma superexposição das franquias e uma percepção de queda na qualidade.
O caso da Marvel é um dos mais visíveis: depois do sucesso estrondoso de Vingadores: Ultimato, a marca mergulhou em uma série de outras produções menores, sempre ligadas ao streaming, que confundiram o público e diluíram o valor da franquia.
O próprio presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, admitiu que a expansão imposta pelo Disney+ foi o que desvalorizou a marca.
Mas as consequências não se limitaram ao mundo do streaming. Nos cinemas, produções como Capitão América: Novo Mundo e Thunderbolts decepcionaram nas bilheteiras, enquanto o recente Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, apesar da boa estreia, caiu 66% no segundo fim de semana.
Ter que assistir um monte de séries menos interessantes sobre um determinado universo, só para poder entender a próxima série ou filme desanimou boa parte do público de casa e dos cinemas
Na Pixar, a decisão de lançar filmes como Soul, Luca e Red: Crescer é uma Fera direto no Disney+ enfraqueceu o prestígio do estúdio, cujas produções eram eventos cinematográficos aguardados ansiosamente, por serem sinônimo de qualidade.
Elio, o mais recente fracasso da Pixar no cinema, foi o pior resultado do estúdio até hoje.
Lá pelas bandas da Lucasfilm a situação também desandou. Foi lançada uma enxurrada de séries de Star Wars sem entregar novos filmes para os cinemas.
Só no ano que vem a franquia vai retornar às telonas com “The Mandalorian and Grogu”. Para críticos ouvidos pela The Wrap, a saturação tirou o “senso de evento” que antes acompanhava qualquer novo lançamento da saga.
Após anos de excesso, a Disney agora parece ter percebido o erro e tenta frear o ritmo de produção e focar em lançamentos mais relevantes para recuperar o prestígio das marcas que, ironicamente, ela mesma ajudou a desgastar.
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