Árvore de terreno abandonado cresce sobre duas casas e proprietário só aparece depois que galho de grande porte destrói parte de um telhado
O galho caiu durante a ventania, mas os pedidos enviados antes do acidente podem definir se o clima foi a causa ou apenas o último empurrão.
A queda de galho de árvore vizinha pode gerar responsabilidade quando o risco era visível e nenhuma providência foi adotada. A árvore avançava sobre duas casas, havia pedidos de poda e o proprietário atribuiu o dano aos ventos daquela noite.
Os ventos fortes afastam automaticamente a responsabilidade?
Não. O vento pode ser a causa exclusiva ou apenas o gatilho de uma ruptura provável. A análise considera intensidade das rajadas, condição da árvore e possibilidade de o risco ter sido identificado antes.
O Superior Tribunal de Justiça, em outro contexto, já advertiu que chuva e vento fortes não constituem força maior automaticamente. Entre vizinhos, a conclusão depende da perícia e do nexo específico.

Pedidos de poda sem notificação formal possuem valor?
Podem. Mensagens, cartas, protocolos, fotografias enviadas e testemunhas ajudam a demonstrar que o proprietário conhecia a situação. A confirmação de recebimento fortalece a prova, mas não é requisito universal para reconhecer negligência.
Mesmo sem aviso, cavidades, galhos mortos, inclinação ou raízes comprometidas podem revelar risco perceptível. O aspecto abandonado do lote não elimina os deveres ligados à propriedade ou à posse.
Quais provas os moradores devem preservar?
Antes da retirada, fotografias devem registrar ponto de ruptura, interior da madeira, copa, tronco, telhado e bens atingidos, sempre com segurança. Fragmentos relevantes devem ser preservados para avaliação.
Quatro conjuntos ajudam a reconstruir o acidente:
Como a perícia diferencia falta de manutenção e tempestade?
Engenheiro agrônomo, florestal ou biólogo pode examinar raízes visíveis, colo, tronco, bifurcações e copa. Madeira apodrecida, fungos, brocas, fendas, galhos secos, podas antigas inadequadas e desequilíbrio da copa ajudam a indicar se existia fragilidade anterior.
A velocidade do vento deve vir de estação representativa do local e horário. O Manual Técnico de Poda de Árvores de São Paulo destaca vistoria prévia, planejamento e técnica adequada, referências úteis mesmo sob outra legislação municipal.
O vizinho poderia cortar os galhos que avançavam?
O artigo 1.283 do Código Civil permite cortar raízes e ramos que ultrapassam a divisa, até o plano vertical. Essa regra não torna segura uma intervenção improvisada em galho pesado nem dispensa exigências ambientais locais.
Um corte incorreto pode desestabilizar a árvore ou atingir pessoas. Exemplares grandes exigem avaliação profissional e consulta à prefeitura; em São Paulo, árvores internas podem depender de comunicação ou autorização municipal.
Quem pode ser responsabilizado pelo telhado destruído?
A resposta muda conforme o estado anterior da árvore e a causa direta da ruptura:
Quais prejuízos podem ser cobrados?
A indenização pode abranger retirada emergencial, cobertura provisória, estrutura, telhas, forro, instalação elétrica e bens atingidos pela chuva posterior, desde que exista relação comprovada. Pelo artigo 944 do Código Civil, o valor acompanha a extensão do dano, evitando reforma sem vínculo com o acidente.
Dano moral não surge automaticamente de qualquer avaria no telhado. Interdição, risco à família ou perda relevante do uso da casa exigem prova própria. Seguro residencial pode ser acionado conforme a apólice, sem necessariamente eliminar a cobrança contra o responsável.
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O que fazer se o restante da árvore ainda oferecer perigo?
Os moradores devem comunicar formalmente o proprietário e o órgão municipal competente, anexando imagens e avaliação técnica. Havendo risco imediato, Defesa Civil ou Bombeiros podem orientar o isolamento; ninguém deve subir no telhado ou cortar o exemplar sem segurança.
Se não houver providência, o artigo 1.277 do Código Civil permite buscar a cessação da interferência prejudicial, e os artigos 186 e 927 fundamentam reparação por negligência comprovada. Orientação jurídica e técnica local ajuda a pedir medida urgente sem destruir provas do acidente.
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